Perante a tragédia desta semana, no Elevador da Glória em Lisboa, a primeira reacção que me ocorreu foi esta: Puta de Vida!
Morreram dezasseis pessoas, de forma absolutamente estúpida, algumas em trabalho, outras em lazer, sem hipótese de voltar atrás e não apanhar aquele Elevador… Mas se não fossem as que lá estavam, teriam, com certeza, ido outras, em seu lugar…
Puta de Vida!, que não nos dá sequer hipótese de escolha… Que não nos permite prever tragédias como esta, deixando-nos impotentes para as evitar… Que nos deixa à mercê da morte, sem qualquer hipótese de lhe fugir…
Quem decidiu os que morreriam e os que sobreviveriam e com que critérios? Não sabemos… Sabemos apenas que alguns tiveram uma segunda oportunidade e que outros não gozaram dessa prerrogativa…
Haverá quem chame “Destino” ao anterior, eu não sei o que lhe hei-de chamar… Como às vezes digo, prefiro chamar-lhe Putade Vida! porque isso me ajuda a aliviar a alma e a zanga interior…
Como fatalmente acontece depois de tragédias como esta, lembramo-nos que, afinal, a vida é efémera e passageira… Ninguém vive para sempre, a imortalidade física é uma quimera…
Os sinos haverão de dobrar por cada um de nós é essa a nossa única certeza, só não sabemos quando, nem em que circunstâncias…
Todos somos iguais perante a morte, independentemente da pessoa que fomos e das experiências que vivemos… Perante a morte física inevitável, perante a transitoriedade e a fragilidade da vida, de nada valerão a vaidade, a ostentação, o narcisismo, a frivolidade ou a soberba…
Ah, pois é, mas daqui a algum tempo já ninguém se recordará do anterior…
Se calhar ainda bem… Esquecer o anterior e voltar à fossangada vida, talvez nem seja assim tão mau… No fundo, todos queremos esquecer que a morte espera inexoravelmente por cada um de nós e que pode estar ali mesmo ao virar da esquina… Ainda bem que não sabemos se está ou não…
Detesto despedidas, sempre detestei… Evito qualquer coisa que me soe a despedida, nas mais variadas circunstâncias…
Prefiro pensar que hoje estamos vivos, amanhã logo se vê…
Não é possível fugir à morte por acidente, por doença ou por outra qualquer inevitabilidade, portanto só nos resta Viver a Vida enquanto pudermos…
E não adianta martirizar-nos com pensamentos que nos levem a cogitar sobre o que se poderia ter feito para evitar a morte em certas circunstâncias… Implacavelmente, na verdade, nada a poderia evitar…
Paula Dias



