Muitas CPCJ em Risco de Funcionamento

Saída de professores pode deixar comissões de menores em risco

 

Mudança das regras tira dezenas de docentes das comissões, que já têm carência de técnicos para acompanhar todos os processos.

 

Há Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) que correm o risco de deixar de acompanhar dezenas de processos com a saída dos professores destes organismos a partir de setembro. O Governo determinou que as direções das escolas devem designar um docente, a tempo integral ou parcial, para representar a área da educação na CPCJ local. Devem ser privilegiados docentes sem componente letiva ou funções docentes, o que impedirá muitos dos professores que têm trabalhado nas CPCJ de regressarem a estas instituições no início de setembro. As escolas também devem evitar designar professores de disciplinas carenciadas.

“Ficamos dependentes da boa vontade das escolas, que se não tiverem professores nestas condições, não podem designar docentes para as comissões”, alerta ao CM uma técnica de serviço social. Há casos em que as comissões podem mesmo perder os atuais presidentes. Na CPCJ do Montijo, por exemplo, a carência de técnicos já se faz sentir: no dia 18 está encerrada e de 19 a 22 de agosto só faz atendimento telefónico, pois só há uma técnica disponível. Com 277 processos ativos, a CPCJ do Montijo diz ter uma equipa técnica “em esforço”.

Pelo país sucedem-se casos de comissões que correm o risco de quase fechar portas. Na Amadora, os dois professores aí colocados não puderam candidatar-se à renovação de funções – esta CPCJ tem cerca de mil processos a seu cargo. Em Arouca, Joana Martins, professora e secretária da CPCJ, diz que o protocolo entre o Ministério da Educação e a Comissão Nacional das CPCJ determina que os professores podem cumprir mandatos de 3 anos, renováveis até 9, pelo que não faz sentido alterar agora as regras. “O protocolo reconhece expressamente a importância de garantir estabilidade e continuidade na intervenção da área da educação nas comissões”, denunciou à Lusa.

O perfil, formação e preparação técnica dos docentes alocados às CPCJ a partir de 1 de setembro é outra preocupação. “Não é de um dia para o outro que se começa a trabalhar com famílias com problemas, com situações de crianças em risco”, alerta uma técnica. No ano passado, segundo o Ministério da Educação, foram alocados 342 professores às CPCJ, sendo que quase metade são de grupos de recrutamento onde mais faltam docentes: 103 do 1º ciclo e 39 da Educação Especial.

Petição pela continuidade dos docentes

Mais de mil pessoas já assinaram a petição online ‘Em Defesa da Continuidade dos Docentes das CPCJ e Contra o Fim da Mobilidade Estatutária’. Na petição é pedida a “imediata suspensão da aplicação da nova orientação, que elimina a mobilidade estatutária para os docentes afetos às CPCJ”. É pedida a abertura de um processo de “auscultação e diálogo” com a CNPDPCJ e com as CPCJ locais. “O Ministério da Educação tem o dever de proteger, não de fragilizar, a rede que garante os direitos fundamentais das crianças em situação de risco”, frisam.

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32 comentários

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    • Anónimo on 11 de Agosto de 2025 at 14:50
    • Responder

    Mas acham que eles querem saber disto para alguma coisa?
    Acham mesmo que os pulhíticos querem saber da Escola, dos alunos e dos encarregados de educação para alguma coisa?
    Só para os votos.
    Nem a maior parte dos professores, que são eticamente um nojo. No público e no privado.

    • Anónimo on 11 de Agosto de 2025 at 14:57
    • Responder

    Acerca disto e de muitas outras coisas, o Ministério é composto por uma cambada de incompetentes, a grande maioria vinda de partidos, dos privados e de empresas.
    A maior parte é gentalha nojenta que acha que os professores e os funcionários administrativos e operacionais das escolas passam o tempo a coçá-los.
    Estes porcos não são gente de bem. São porcos!

      • Mainada2 on 11 de Agosto de 2025 at 15:00
      • Responder

      Seu Anónimo:
      Você foi atingido pela medida?

        • Anónimo on 11 de Agosto de 2025 at 15:06
        • Responder

        Diretamente não, porquê?!
        Seremos todos! Ou acha mesmo que sem o funcionamento das CPCJ os casos se resolvem por si só?!
        E aí, onde acha que a bomba vai explodir?
        Acha que serão os apaniguados dos políticos que vão levar com os problemas dos miúdos?!
        Eles estão-se nas tintas … seu Mainada2.
        Já agora, use um knick seu e deixe o dos outros em paz!

          • Mainada2 on 11 de Agosto de 2025 at 19:37

          Mas eu não lhe fiz mal, seu Anónimo!
          Você se picou assim de repente. Parece que levou ferrão de abelha.
          Você se acalme! Não é caso para ficar tão picado.

        • Anónimo on 11 de Agosto de 2025 at 15:07
        • Responder

        Já agora, o comentário não é só por causa desta situação.
        Há muitas, muitas outras e não são de agora!

    1. Calma colega.
      Já sabemos que sim, mas o que se há-de fazer.
      É deixar que aconteça.
      As pessoas não fazem nada para que as coisas mudem. Uma das coisas era serem reivindicativas, mas em Portugal as pessoas gostam que lhe dêem nas nalgas.
      Ninguém se queixa até ao dia em que a corda parte. Depois andam todos a queixarem-se. Nessa altura já será tarde demais.
      O Ministério da Educação, tal como outros, recebe cada vez que há eleições uma cambada de gente inútil oriunda dos partidos. Suponho que era a esses que se referia.
      Este não é exceção.
      Esses chicos-espertos não sabem nada. São políticos profissionais que nunca fizeram nada de jeito na vida. Andaram a viver à conta dos paizinhos que lhe arranjaram um tacho no partido. E agora vivem à conta de todos nós.
      Nenhum partido é exceção. Até mesmo o partido “da moda”, dos gritadores-mores, é exceção. Muitos saíram dos partidos tradicionais para irem para esse, à espera de tacho.
      Não há inocentes na política. Tudo nojo, como refere.
      Nós é que as pagamos!

    • Paulo on 11 de Agosto de 2025 at 15:03
    • Responder

    Concordo com a decisão do ME.
    Há mediadores, psicólogos e assistentes sociais que podem, muito bem, desempenhar as funções dos docentes cessantes. Deixem-se de tretas. Se há falta de professores, há que os ir buscar onde estão destacados. As funções na CPCJ podem ser executadas pelas classes profissionais acima elencadas, contrariamente ao cenário das escolas, porque para ensinar, são precisos PROFESSORES!

      • Anónimo on 11 de Agosto de 2025 at 15:06
      • Responder

      Caro Paulo, onde há mediadores, psicólogos e assistentes sociais?!
      Estamos a falar de Portugal, ou o Paulo refere-se a outro país?!

        • fernanda on 12 de Agosto de 2025 at 11:03
        • Responder

        Alguns estão nas escolas a fazer de conta que fazem o seu trabalho mas andam em atividades zen e de muito afeto de arco íris.
        Quando os DT e CT pedem apoio social e psicológico a resposta é sempre a mesma: “temos muitos casos e o melhor é aplicarem as medidas do 54”.

      • Anónimo on 11 de Agosto de 2025 at 15:08
      • Responder

      Mas concordo consigo. Para ensinar são precisos PROFESSORES! De preferência com menos de 67 anos!

      • xicom on 11 de Agosto de 2025 at 16:43
      • Responder

      Acreditas no que dizes, toino?

      • Justiceira on 11 de Agosto de 2025 at 17:35
      • Responder

      O anonimo de Viana homem de guerras desta vez escondeu-se…
      Ahhhh

        • Escondidinho on 12 de Agosto de 2025 at 8:19
        • Responder

        ?

      • fernanda on 12 de Agosto de 2025 at 11:15
      • Responder

      E aos professores não compete atender o telefone, como se diz no artigo! Se é para isso que as CPCJ querem professores vão buscar alguém ao desemprego! Os professores são o elo de ligação com a escola, não telefonistas.
      De vez em quando pedem com urgência relatórios aos DT mas nada segue em frente, só conversa de sensibilização e blá, blá.
      As equipas das CPCJ são típicas de agremiação de século XIX, tudo que mexe num concelho está lá, só falta a confraria do vinho verde e o CEO da cooperativa agrícola. Parecem os conselhos gerais!
      Há uns anos uma instituição fechou a parte de acolhimento de crianças por crimes provados em tribunal contra as crianças. Adivinhem quem estava na CPCJ? O responsável dessa instituição e nada do que era reportado pela escola era valorizado nem verificado!

    • TOP on 11 de Agosto de 2025 at 15:34
    • Responder

    Esses caralhos não fazem nada. Só peem relatorios de 2 em 2 meses aos DT.
    Noutro dia de propósito mandei um de outro aluno e nem disseram nada. Zero.
    Não fazem um caralho!!!

    • Justiceira on 11 de Agosto de 2025 at 17:36
    • Responder

    Esclareco ;;;
    Dou aulas sempre sem tachos…

      • Escondidinho on 12 de Agosto de 2025 at 8:19
      • Responder

      Dás aulas ou vendes?

    • Ppp on 11 de Agosto de 2025 at 17:53
    • Responder

    O tal ministro bonzinho de que os professores tanto gostam! E é só o princípio. Esperem pela pancada.

      • AEA on 26 de Agosto de 2025 at 20:44
      • Responder

      Engana-se Os professores em geral são justos…Há muita gente que se aproveitou da situação…Aturar os meninos é tarefa muito exigente, cansativa, a indisciplina e falta de educação moi a saude de qualquer um… Muito meteram cunha ou cartão dos partidos para sair do sufoco de dar aulas e arranjarem um tacho fosse onde fosse desde que longe da sala de aula…Voltarem à escola agora nesta altura em que há tantos alunos sem professor é justo e necessário… Muito bem Sr.Ministro…

    • Zé Preto on 11 de Agosto de 2025 at 17:56
    • Responder

    As CPCJ devem ser autorizadas a recrutar mais técnicos e não podem estar dependentes de professores. Estes são imprescindíveis nas escolas, mas não nas CPCJ. Temos de ser justos…

  1. Não fazem a ponta de um corno. Pedem relatórios aos DT para fingir que trabalham.Quando há uma desgraça aparecem a dizer que não sabiam de nada.

    • Óscar on 11 de Agosto de 2025 at 20:16
    • Responder

    Existem mais licenciados em Educação (que não são professores) que podem perfeitamente assumir esses cargos (porque têm formação para isso), até mesmo dentro do Ministério da Educação…
    Haja vontade política… E gestores que percebam de RECURSOS HUMANOS…

    • Óscar on 11 de Agosto de 2025 at 20:17
    • Responder

    Existem mais licenciados em Educação (que não são professores) que podem perfeitamente assumir esses cargos (porque têm formação para isso), E EXISTEM imensos mesmo dentro do Ministério da Educação…
    Haja vontade política… E gestores que percebam de RECURSOS HUMANOS…

    1. Fala com conhecimento de causa?
      Sabe quantos desses licenciados existem no Ministério da Educação?
      Se existem, porque então as CPCJ os requisitam às escolas, há muitos anos?
      Quer elucidar-nos?!

  2. You always deliver high-quality information. Thanks again!

  3. Portugueses em Portugal já são raros, por isso, não admira que faltem nos lugares onde são precisos

    Vou pela fora fora e é dificil ver um português.

    Vejam, por exemplo , neste blog o que deveria ser um blog de professores é antes de mais um blog de democratas extraterrestes.

    Tanto tatuado! Credo!

      • Big Breda on 12 de Agosto de 2025 at 8:21
      • Responder

      Heil, Wildschwein.
      Du bist ein widerlicher Extremist.
      Geh und sauge am fünften Bein des Pferdes.

      1. Hallo, toqunartumik slange!
        Maria siornatigut ingerlavoq, slangellu niaqqua pissangalluni.

    • Filomena Marques on 12 de Agosto de 2025 at 9:42
    • Responder

    Ter aulas também é proteger os menores. Aliás as aulas são um direito que se identifica como sendo do superior interesse das crianças. Se há crianças sem aulas, como se pode justificar que os professores estejam nas comissões? Não há assistentes sociais? São elas que devem estar no terreno e ir ao terreno porque não é nas secretárias que se identificam as dificuldades e possibilidades de resposta. Para isso tiveram formação! E os tribunais que decidam. Valorizem-se os professores que dão aulas por darem aulas e vão ver que muitos preferem os seus alunos.

      • Ncoro1 on 13 de Agosto de 2025 at 14:40
      • Responder

      Não foi só na CPCJ, até nos hospitais cortaram o número de professores para apoio às crianças hospitalizadas.

    • AEA on 26 de Agosto de 2025 at 20:39
    • Responder

    Parece que temos ministro…Não se admite tantos professores a gozarem os sufás da COCJ e tantos alunos sem professores a precisarem de aulas…Muito bem Sr Ministro…. Mas ainda há muito luxo nas escolas há milhares de professores nas direções que fazem trabalho burocrático e apenas tem uma turma…Metade podem bem ir para as salas de aulas que ninguém dará pela sua falta nos atuais cargos…

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