De uma assentada, o Governo da AD pretenderá introduzir alterações à Lei Laboral que, na prática, irão penalizar as mães e os pais que trabalham, se tais intenções forem aprovadas no Parlamento…
O anteprojecto que visa a reforma da Lei Laboral, apresentado pelo Governo em sede de Concertação Social, prevê, entre outros, o seguinte, de forma resumida:
– Limitar a licença de amamentação até a criança perfazer dois anos de idade, com obrigatoriedade de apresentar atestado médico de seis em seis meses;
– Eliminar o direito das trabalhadoras poderem usufruir até três dias consecutivos de faltas justificadas, por motivo de perda/luto gestacional;
– Eliminar o horário flexível para trabalhadores com filhos menores até aos doze anos de idade…
Ora as anteriores pretensões que, na prática, se constituem como uma evidente penalização das mães e dos pais que trabalham, além de não se encontrarem previstas ou expressasno Programa Eleitoral AD 2025, contradizem, de forma inequívoca, algumas das promessas eleitorais formuladas nesse manifesto programático, em particular as seguintes, respeitantes ao tópico “Família e Natalidade”:
– “Dar continuidade às políticas de proteção das famílias e em especial da parentalidade e das crianças, designadamente através das seguintes medidas”:
– “Alargar e aprofundar o regime de apoio à parentalidade e à conciliação entre a vida profissional e familiar, de modoequilibrado entre mães e pais.” (Programa Eleitoral AD 2025, página 146);
– “Equacionar a criação de benefícios fiscais, no âmbito da revisão do respetivo regime, para empresas que criem programas de apoio à parentalidade, como creches no local de trabalho para filhos de colaboradores, que contratem grávidas, mães/pais com filhos até aos 3 anos, horários flexíveis e outros benefícios que facilitem a vida familiar dos funcionários, contribuindo para mudar a cultura de “penalização” de progenitores pelos empregadores.”(Programa Eleitoral AD 2025, página 146);
– “Promover a flexibilidade no local de trabalho (horários, teletrabalho, licenças parentais), permitindo que os pais ajustem os horários para melhor conciliar as responsabilidades familiares e profissionais.” (Programa Eleitoral AD 2025, página 147)…
Analisando e comparando as anteriores promessas eleitorais, supostamente destinadas ao apoio à parentalidade e à conciliação entre a vida profissional e familiar, com a prática governativa do Governo AD face a essas mesmas matérias, não restará mais nada a não ser perplexidade e indignação…
Em alternativa, também se poderá afirmar: “Que bem prega Frei Tomás!”, que é como quem diz as acções desmentem a prédica da homilia…
A contradição entre o que foi prometido antes das últimas Eleições Legislativas, constante no Programa Eleitoral AD 2025, e o que agora é proposto pelo Governo liderado por Luís Montenegro torna-se assaz flagrante…
Só por cegueira partidária se poderão interpretar as referidas alterações à Lei Laboral como incentivos ao aumento da taxa de natalidade ou como medidas “amigas da família”…
As maldades agora preconizadas pelo actual Governo não poderão deixar de ser veementemente censuradas, sobretudo por desrespeitarem os Direitos das Mulheres, das Mães e das Crianças, que tanto custaram a adquirir, mas também porque ignoram algumas condições imprescindíveis ao pleno exercício da parentalidade, desde logo a flexibilidade dos horários de trabalho…
Afinal, para que serve um Programa Eleitoral?
A continuar assim, o mínimo que se poderá dizer é que servirá apenas para enganar cidadãos, levando-os a acreditar nas intenções expressas por determinado Partido Político, para logo a seguir, pela concretização de medidas, se defraudarem as suas legítimas expectativas…
Expectativas, essas, que terão sido induzidas de forma iminentemente ludibriosa, pois só desse modo se conseguirá explicar a incongruência existente entre a actual acção governativa e as promessas eleitorais da AD aqui transcritas…
Não foi certamente para isto que muitos cidadãos confiaram o seu voto à AD, nas últimas Eleições Legislativas… A decepção, mas também a indignação, começam a mostrar-se comoinevitáveis e irreversíveis… E, com franqueza, a Social-Democracia não é isto… O principal Partido Político que sustenta o actual Governo (PSD) estará, com certeza, equivocado: ou no nome, ou na ideologia, ou em ambos…
Sabendo que 78% dos Docentes do Ensino Não Superior são do sexo feminino (dados Pordata, relativos ao ano de 2024), e independentemente de serem ou não mães e/ou lactantes, acredito que uma parte significativa das Educadoras/Professorasnão se reveja em medidas atentatórias aos Direitos da Mulher e da Criança… Ou que pactuem com medidas que, na prática,subestimem ou intimidem as Mulheres…
E também não acredito que uma parte significativa dos Docentes do sexo masculino aplauda as pretensões de alterar a Lei Laboral, nos termos agora anunciados pelo Governo…
A imagem, feia, que me ocorre para ilustrar a acção do actual Governo face às Mulheres, às Mães, às Crianças e ao exercício da Parentalidade, é esta:
– Lama lançada pela ventoinha…
Até onde pretenderá regredir o Governo da AD?
Haverá aqui uma implícita ou sub-reptícia intenção de empurrar as Mulheres para o papel de donas de casa, dedicadas à maternidade e à família?
Há “pressentimentos” que não se querem ver concretizados… Mas como afirmam os nossos vizinhos: “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay”…
Como em todas as Leis, haverá sempre quem prevarique, mas confundir, intencionalmente, o todo com alguma das suas partes não parece legítimo, nem ético, nem intelectualmente honesto…
Paula Dias

27 comentários
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E são estes os paladinos da família, da multiplicação da raça e do eugenismo luso!
São é os paladinos da roubalheira dos xicos espertos, da falta de escrúpulos, da rusticidade ignorante e da destruição do país.
Ora aí está a AD no seu melhor!
Primeiros os patrões , acabar com os direitos dos trabalhadores, dar a mão ao patronato… não votaram neles?? O Costa ao pé destes é um anjo… lol
Estes “paladinos” são neoliberais. Não têm nada a ver com a social-democracia de Sá Carneiro.
São o regresso da Troika, do Passos e de gente que não interessa a ninguém.
Vivem para o dinheiro e vivem pelo dinheiro. Nada mais. Nada de “amor à camisola”. Isso já acabou há muito.
Tal e qual como Reagan, ou o atual revivalismo bacoco. Só não chegam ao Maga porque ainda lhes resta um pouquinho de decoro. Mas é até ver.
O mesmo se passará na Educação. O que está a ser feito é para entregar as escolas à gestão municipal, colocando os boys e girls das juntas e das câmaras a mandar em tudo e a tornar a Educação um feudo nojento, como já acontece nas câmaras.
Este é o resultado de múltiplas (des)governações do país, sem rumo e apenas visando o próximo voto e o tachismo.
Tudo começou com Maria de Lurdes Rodrigues, que colocou encarregados de educação contra professores, congelou a carreira, destruiu a vida de milhares e milhares de professores a sério, atirando-os para um beco sem saída de baixos salários e reformas de miséria (como aqueles que estão nisto há 20 anos devem esperar). Foi o reflexo de um governo de aldrabões e ladrões, à imagem do comparsa-mor, vindo da mais suja latrina da rataria socrática.
Seguiu-se a Troika e o Passos, que quis ir além dela. Mas o que ele queria mesmo era destruir o sistema, e o futuro das pessoas.
Seguiu-se o Costa, aldrabão e intrujão de primeira. Sacou o que quis e safou-se para a Europa fingindo que trabalha. A canalhada sacana socretina e costista abotoou-se com o que quis e fez o que quis dos professores. Por este pulha continuava-mos congelados o resto da vida e recuperações nada.
Agora vem este ministério (ministro, secretários de estado) a fingir que vai recuperar alguma coisa. Na verdade vem entregar os despojos às câmaras e ao privado. Nada mais.
Quando acabar a recuperação, verão que pouco mudou. Tudo terá aumentado tanto de preço que o que foi devolvido terá sido uma migalha, com a certeza que se não trabalharem até aos 80 nem reforma terão.
É com esta gentalha toda que viveremos muito tempo mais, neste país?!
Pero los extremistas non eram los esquerdinos!?
Temos Merdas de Chega + Aliança Democrática . Do que precisam mais!!
Dois meses para amamentação?
12 anos de benesses no horário reduzido para as mães?
São só chicos-espertos ou é só amor e educação e responsabilidade e presença atenciosa parental?
ACABEM LÁ COM ISSO!
Não, são dois anos?!! 2 anos a amamentar?
Chamem os deputados que ajudaram a eleger, votando no PSD, e perguntem lhes pela social democracia !!!
(Os outros meteram o socialismo na gaveta.Estes metem a social democracia).
Trafulhas.
Melhor que tivessem dito ao povo que eram de direita social fascista. Já ninguém votava no engano.
Agora choram. Mas gritem. Gritem muito!
Tantas saudades dos xuxas!..:
Olha a Troika disfarçada de ovelha.
Mas o melhor está para vir com a revisão do estatuto da carreira docente, no que diz respeito ao 79. Preparem-se…
Acho muito bem, o artigo 79 devia deixar de existir, até porque o governo já teve a prova de que os professores reformados encontram-se em plenas capacidades de voltar à Escola por apenas 750 euros de beneficio. Ou seja, pedem redução de horário por causa do desgaste, mas à mínima oportunidade deixam o merecido descanso para voltar a dar aulas… Epa se isto não uma autêntica contradição então não sei…
Sê honesta, joninha! Não foram alguns gatos pingados num universo imenso? Ora faz lá as continhas se souberes e tiveres a sorte de ter saúde, joninha!
Exatamente. A Joaninha anda a dar água sem caneco. Aliás, o 79 devia ser o 79, não a armadilha para quem já está muito farto e cansado da Lurdecas. Será que a Joana Matias é a Maria de Lurdes in disguise?
Nem preciso de ser eu a fazer as contas o nosso estimado colega deste mesmo blog já fez as contas e a meta dos 4500 professores reformados no final deste ano já não será antigida, ou seja existem mesmo muitos colegas que vendem o artigo 79 por 750 euros. Também não os censurou, muitos deles com a reposição de tempo devem ter ficado no último escalão, além disso conseguem fazer chantagem com as direções das escolas para ter as melhores turmas e não ter DTs, e por fim ainda ganham umas visitas de avião no programa Erasmus. Acho muito bem… Pimenta no cu dos outros é refresco.
Não sei qual é o vosso problema…
Nós portugueses independentemente das leis sempre tivemos a capacidade de as contornar… desde a fundação de Portugal
Cada um a sua maneira controla as leis… sem stress…. é para inglês ver…
Temos o poder da inteligência de manobrar as regras…
A Joninha continua a ser intelwctualmente desonesta. Vira as contas, Joninha! Só regressaram meia dúzia de gatos pingados.Quanto aos que não querem ir para a reforma, a história é outra. Se se reformarem e porque foram os mais atingidos pelos congelamentos acabando por não recuperar nada acabarão por não ter uma reforma decente que lhes permita aguentar casa, filhos adultos sem emprego e pais muito idosos cujos cuidados são caríssimos e um lar pode ter uma mensalidade superior ao salário de um professor, mesmo os que são de caráter social atingem somas astronómicas para medicamentos, fraldas e terapias várias…
Portugal está cheio de joninhas, país pequeno de mesquinhez, invejinhas artificiais e maledicência!
Mas há princípios ou já vale tudo, miguinho?!
Oh pá! Cada um é que vê a sua vida…
Olha eu sei quem já vai mamar 500€ sem sair de casa…. ah pois!
Abril na Janela Fechada
Caminho pelas alamedas do liceu,
Onde outrora voavam ideias ao vento,
Mas agora paira um silêncio frio e o teu
— Diretor glorioso no seu mandamento.
Prega abril como se fosse evangelho,
Com cravos murchos na lapela alinhada,
Mas seu olhar, duro como o velho espelho,
Reflete um tempo de porta trancada.
Fala de liberdade entre quadros e hinos,
Enquanto sufoca vozes em reuniões,
Onde a verdade é vestida de panos finos
E os valores são meras decorações.
O campo ensinaria mais com a sua brisa,
Do que decretos sem alma, sem razão.
Pois quem ouve apenas o som da pesquisa,
Não conhece a revolta do coração.
Lisboa, tu que viste o povo erguer-se,
Recorda abril em cada esquina tua!
Não foi para tiranos voltarem a esconder-se
Que se rasgou a noite em chama nua.
E eu, no recreio onde sonham os miúdos,
Peço que a escola volte a respirar,
Sem diretores de gestos obtusos,
Que pregam abril… sem o praticar.
Estou farta dos chamados donos e linhagem de Abril tanto quanto de roncadores pastosos a cheirar a mofo e simplistas da saudade!
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This post cleared up so many questions for me.
Thanks for addressing this topic—it’s so important.
Não foi este blog que fez campanha à AD?
6 anos, 6 meses e 23 dias é bem melhor do que “habituem-se”.
Para mim, isto são avanços na regulação do trabalho. Sim, há muito abuso. Sim, há quem pense apenas nos direitos e ponha em causa o trabalho e os outros. Temos pena, mas é preciso alguém que ponha ordem na casa.
Não era melhor começar pela grande roubalheira?! A dos políticos, das influências, dos municípios, dos bancos?
Santa pala!