A função pública, a amamentação e o medo de perder a almofada
Em Portugal, qualquer tentativa de pôr ordem na casa é recebida como um ataque pessoal aos que se habituaram a viver na exceção.

Foi o que se viu quando a Ministra do Trabalho, sem papas na língua, disse uma coisa óbvia: a licença para amamentação não pode durar indefinidamente, até porque a lei estabelece o limite de dois anos de idade da criança. Escândalo nacional. A ministra limitou o quê?! E lá veio a gritaria, como se estivesse em causa o fim do direito à maternidade, à amamentação, à família.
Mas não. O que está em causa é outra coisa: a ideia de que os direitos, quando não são acompanhados por deveres, deixam de ser justiça e passam a ser privilégio. A ministra tem razão. A lei é clara. E quem grita, sabe disso.
Só que, em Portugal, qualquer tentativa de pôr ordem na casa é recebida como um ataque pessoal aos que se habituaram a viver na exceção. E enquanto se brande a bandeira da amamentação, num país onde, em média, menos de 2% das mães continuam a amamentar aos dois anos, ignora-se um outro abuso muito mais silencioso e igualmente letal para a credibilidade do sistema: os atestados médicos da função pública que se estendem por 18 meses, com pausas de um mês, e recomeçam logo de seguida por mais 18. E isso, sim, é estrutural.
Números? Vamos a eles.
Segundo dados da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público, em 2024 houve mais de 5.000 casos de baixas médicas superiores a 365 dias no setor público. Muitas dessas situações, legítimas. Outras, nem tanto. Porque há um padrão que já é conhecido: o do funcionário que, por regra, entra em baixa prolongada, regressa para “cumprir calendário” durante um mês, e logo volta ao mesmo. O sistema permite, e por isso, quem sabe usá-lo, abusa. E o Estado, de mãos atadas ou olhos fechados, paga.
Já sobre as licenças de amamentação prolongadas para além dos dois anos, os números são irrisórios, menos de 200 casos em todo o país em 2023. Mas deu polémica. Porque falar de mães e bebés mexe com emoções, enquanto falar de absentismo encapotado mexe com interesses instalados.
A diferença entre os dois casos não está na sua legalidade, mas na sua visibilidade. A amamentação vira manchete; os abusos administrativos transformam-se em rodapé. Mas quem grita mais alto, nem sempre grita com razão. Às vezes, grita para não largar a almofada.
E é isso que estamos a ver. Uma sociedade que resiste à mudança porque se habituou a chamar “direito” a tudo aquilo que o Estado nunca teve coragem de regulamentar com determinação. Chama-se birra. Não é política, é teimosia institucionalizada.
Quando se tenta reformar o que já não serve, quando se puxa o cobertor para os que têm frio, há sempre quem grite porque ficou com os pés destapados. Mas convém lembrar que os direitos são para todos, e os privilégios, não são para ninguém.
Como escreveu Heráclito, “O mundo está em constante mudança, e a única constante é a mudança.”
E talvez esteja na hora de, finalmente, vivermos com isso.




60 comentários
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Meu Deus, até citou o princípio do devir do pré-socrático Heráclito de Éfeso. Estou abismada!
Tu não estás abismada. Precisas é de uma palmada!
O dever de dar de mamar faz parte do dever de ser mãe. Já agora acabe-se de vez com as mães e o futuro fica garantido com direito à Morte para Todos!
Passei só para avisar que vão chover mensagens da esquerdalha caviar barata a reclamar. As manas “Mordeágua” já estão a afiar as garras!
Também dá lete?
És tu João Tilly?
Quem é o encardido da foto? Tão feio e de feições à ladradorbrador!
Eu tendo a concordar com a ministra. Só que não há pachorra para o tipo de arrogância revanchista de certos wannabe ideólogos…
E cá está o aborrecido do JojóLimões que sempre tem algo a dizer mesmo que nada diga.
É preciso por os mamões e parasitas deste pais que vivem á pala do estado, há anos.
O 25 de abril, embora necessário xomo é obvio, fez com o estado metesse muitos incomoetententes no Esatdo.
No privado não piam eles…
Também será preciso pô-lo, a si, a aprender a escrever português. Absolutamente vergonhoso!
Aqui é pra escrever rápido, nao é para pormenores
Burriquito, o Estado somos todos nós. Os governos, sinhor orelhas, talvez estejas a fazer referência aos governos, sinhor ió!
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Os diretores, como fui, conhecem bem a praga das baixas de 11 meses e da amamentação de garotos de 3 anos.
E o que é que faz para travar esses abusos? FAZ COMO OS OUTROS: CONIVENTE COM O SISTEMA!
A única praga és tu. Uma pústula.
E a praga de dar aulas? Será que o colega, e tantos outros diretores em funções, se lembram do que isso é? Provavelmente, só tomaram contacto com a palavra lecionar nos primeiros 5 anos de serviço.
Cito: “…como fui…”.
Passavas a vida a esgalhar o pessegueiro ….
Agnelo, já deste de mamar?
És o dono da vida de uma mãe? És tu que pagas uma mãe?
Tem vergonha na fuça!
Como estão a ver a mama a fugir já estao a berrrarrr…
O povo portugues, como vemos nos alunos, tem historicamente tendencia a preguiça..
Para bom governo é aconselhavel.leis que lhes cause instabilidade… é bom para o seu desenvolvimento, embora não pareça
Até fisicamente se vê que o portugues é pastelāo…
E também se vê, perfeitamente, no seu caso, a forma “magnífica” como se exprime na língua materna! Enfim…
Deve ser uma das chupistas…
Toda a acusação é uma confissão…
Então ninguém acha que o Cardoso ressoa arrogância por todos os poros? Estamos feitos… Começo a achar que precisamos do Chega no poder para as pessoas perceberem que é pior a emenda que o soneto.
Cale-se e não seja pindérico.
Sabe usar o imperativo…. aos alunos não fala assim, deve piar baixinho com eles…
Situações que existem porque o português é chico -esperto. O pior é que a má fama estende-se a todos. Depois, são os professores que não fazem nada, mais genérico ainda, os funcionários públicos que não querem trabalhar. É ver o exemplo da mobilidade por doença. Só tenho pena que depois, grandes males exijam grandes soluções e acaba a pagar o justo pelo pecador.
Muita gente nas escolas vai deixar de chupar à pala do estado…
Enquanto tu chupas os directores e qualquer dia chupas também os sub-ministros da educação das CCDR
Outro que ja berra…
Que excelente texto/explicação!!!
Concordo plenamente com o que escreveu.
Que lindo texto sem dúvida! Afinal não concorda com uma lei que já existe há anos, mas nunca se lembrou de falar dela antes, até a ministra fazer a figura de estúpida que fez alegando casos de abuso, para os quais nunca apresentou qualquer prova! Mas os acólitos donos desta página logo acorrem tipo caezinhos a justificar o que a madame disse. Agora até já apresentam números, afinal agora só 200 pessoas pediram a redução de horário para amamentar após os dois anos. Que número esclarecedor! A economia foi completamente abaixo! E nas escolas? Milhares de alunos ficaram sem aulas única e exclusivamente por causa disso! (Embora as professoras até tenham direito a menos horas de redução, podendo no máximo ficar com menos umas duas turmas…)
Sabem o que vocês todos precisavam? De ter sido amamentados mais tempo para ver se ficavam mais inteligentes!
Boa! Mesmo. Acho dois anos para amamentação já um excesso. Mas não se aguenta tanto fel tuga, é do pior, que povo azedo.
ninguém acha que tudo o que sejam direitos ‘femininos’ mobiliza gajas e homens de Vichy?claramente as ideologias mandam no mediatismo…de resto adoro a gravata cor de ranho do Rui
Achas estranho que os direitos das mulheres mobilizem as mulheres? Em que planeta vives? Homens de Vichy… não sei o que seja. Se calhar tu é que te estás a sentir apertado dentro do armário…
Os direitos são como tu ó castrado, não têm sexo.Se nas comunidades,cada grupo defender os seus direitos, o estado deixa de ter razão de ser…
Quem o diz é quem o é etc. Os grupos não defendem os seus direitos para dar espaço ao Estado? Todos os dias se desaprende…
Está o estado fora dos grupos? És daqueles tolinhos que acham que o estado mínimo é o mero administrador tributário?É bom que desaprendas, se aprendeste mal, é salutar desfazer a tua ignorância.
Não. Se analisarmos a história, todos os grandes movimentos partem precisamente dos grupos que se exprimem e não do Estado, cuja tendência é sempre conservadora. A pressão dos grupos é sempre necessária para se chegar a algum lado. Se não concordas, paciência.
História…pois escolheste bem o tópico camarada…’todos os grandes movimentos partem precisamente dos grupos que se exprimem e não do Estado’ o que indicia que o estado é externo aos movimentos…ergo,quem forma o estado?os et’s?Em historiografia considera-se um progresso a centralização nas sociedades de antigo regime,ou as sociedades estatais do Crescente Fértil face ao nomadismo e prefigurando carácter revolucionário,mas tu não…és um revolucionário…
Já vi que és um sábio. Fica bem.
Já vi que és guru da lógica e da historiografia.Estou sempre bem.
Salivava Manuel Serrão há uns anos a frase “diga-me um! Um!” e eu digo o mesmo, com menos veemência: indiquem-me um artigo, opinião dos que “tudo sabem televisivos” que identifique este como um dos dez problemas mais importantes relativos ao trabalho. Já sobre grávidas que não vêem respeitados os seus direitos… como não assumo uma postura irresponsável como a ministra (parece algo tirado dos Monty Python, sendo nós um dos países com a menor taxa de natalidade da Europa), que devia mas não tem factos sobre o assunto, fui ver o que diz quem sabe: OMS.
Transcrevo. “ The World Health Organization (WHO) recommends that infants be breastfed exclusively for the first six months of life and that breastfeeding should continue, alongside appropriate complementary foods, for up to two years or beyond. This extended breastfeeding provides ongoing health benefits for both the child and the mother. Reduced risk of mortality:
Breastfeeding, especially in the first two years, is associated with a lower risk of death from all causes.
Protection against infectious diseases:
Continued breastfeeding, particularly during illness, can help prevent dehydration and provide essential nutrients for recovery.
Cognitive development:
Longer durations of breastfeeding are linked to higher performance on intelligence tests.
Reduced risk of overweight and obesity:
Studies suggest that breastfeeding, especially for extended periods, may lower the risk of childhood obesity.”
Na exceção e na “mama” (700 € extra, sem trabalhar) vivem estes kapos de me**a, 16 anos de poder, impunidade total, SEM ESCRUTÍNIO e ainda podem ir infernizar, a seguir, a vida a outros!!!!
Diga onde existe, num regime democrático, algo igual? Só se for na Guiné Equatorial…
É preciso ter lata, Cardoso!
O homem entumesce a pensar no décimo escalão prometido aos kapos, mas por este andar ainda metem um puto tinhoso da jota no lugar dele
Este directorzeco parolo da parvónia nunca me enganou. Anda todo entusiasmado a mostrar serviço a defender aqueles que batem com a mão no peito e “defendem a família”, mas depois fazem estás barbaridades invocando abusos que não conseguem provar.
Já agora, alguém acredita que vem coisa boa deste governo de ultra-neoliberais reaccionários numa putativa “reforma” do ECD?
Excelente texto sobre um assunto com o qual as escolas se debatem à muito. Com efeito o cerne é a visibilidade ou a falta dela. Os atestados permanentes e sistemáticos no tempo, com as interrupções de um mês, já deveriam ter sido escrutinados à lupa. Quem não está apto para as funções deveria ser reencaminhado para outros serviços. Inadmissível é permanecer décadas neste estratagema, a progredir, a ser avaliado e a receber, sem nunca trabalhar.
O direito fundamental à amamentação nem devia precisar de atestado (até concordo com a Ordem, o que é raro), mas misturar isto com os supostos abusos dos atestados por doença é apenas desonestidade intelectual.
Já agora, há alguém que passa esses atestados, acho que está na hora de os responsabilizar (se algo estiver mal) 🤧
Parabéns pelo texto.
Estou de acordo 100%.
https://www.tsf.pt/3092614753/act-regista-23-casos-de-desrespeito-pelos-patroes-pelo-direito-a-dispensa-para-amamentacao-e-nenhum-abuso-por-parte-das-maes/
Quando Portugal for um país verdadeiramente DESENVOLVIDO com um IDH de 100%, as mães ficam em casa com os filhos e os maridos trabalham fora para ajudar as mães a sustentar a família até os filhos atingirem 10 anos de idade. O estado deve pagar às mães para ficar em casa. Pagar e obrigar.
Nessa altura as mulheres ( quando o menor dos filhos tiver 20 anos de idade) regressam à sua atividade profissional.
O que ganharemos com isso ? GANHAREMOS : Crianças seguras, CONFIANTES e emocionalmente estáveis. Nas escolas, zero psicólogos, zero terapeutas da fala , menos doenças psiquiátricas, menos doenças psicológicas , comportamento e aproveitamento 100%( EXCELENTE). Mais família, mais ética, mais nação e mais educação.
Digo 10 anos de idade
E Portugal e as famílias têm dinheiro para isso?
Se, em vez de fiscalizarem as mães, fiscalizassem os médicos que passam atestados a pedido, se calhar, só se calhar, haveria menos abusos.
Neste caso, e nos atestados dados a pedido para não corrigir exames ou ir fazer férias na Sierra Nevada no inverno.
Fiscalizem e vejam onde há médico com 30/40 atestados mensais só para professores. Não é dificil
Agora com a extinção dos institutos do ME muitos profs vao começar a trabalhar nas escolas, em vez de os estarem a coçar nas secretárias dos gabinetes…
Acabou a mama…. até berram…
Só espero que tanto afã em remodelar aniquilando não acabe por se revelar excessivo e contraproducente… Sinceramente, não sei, estou apenas a manifestar uma dúvida.
Quem é este Cardoso encardido da foto?
Entendi-te senhor externocleidomadtoideu, i é, encardido da foto! Estás a pôr-te em bicos de pés para ir para uma CCDRN. Olha que vai ser por pedegree…e tens um ar muito rústico, apesar do fatinho do crisma!