Quem o Diz é o “Reacionário” Alexandre Henriques

A proposta de greve às avaliações começa a dar que falar

 

 

A jornalista Sara Oliveira do site Educare viu a minha proposta de greve às avaliações e pediu-me uma análise mais aprofundada. É assim que se começa, se queremos fazer algo sem precedentes temos de começar a implementar a ideia. Estou consciente que o que estou a pedir é reacionário, mas chegou a altura de fugir ao tradicional. Passo a palavra aos sindicatos…

Fica a minha declaração.

 

 

Existem atualmente serviços mínimos na Educação que limitam o protesto dos professores, quer ao nível dos exames, quer ao nível das avaliações de final de ano. A proposta apresentada é proporcional à frustração docente e à forma como os professores estão a ser tratados pelo Ministério da Educação. Urge um 25 de abril na Educação!Chegou a hora dos professores dizerem basta e lutarem por melhores condições de trabalho, melhores carreiras e maior estabilidade educativa, por si e pelos seus alunos. O Ministério da Educação está claramente a jogar com as palavras, aproveitou-se da boa-fé dos professores e estabeleceu um compromisso que não está a cumprir. Além disso, os professores que agora descongelaram e subiram de escalão, só em dezembro de 2019 é que vão usufruir da totalidade da progressão, quase 2 anos depois. Trata-se de mais uma humilhação profissional, uma profunda falta de respeito pelo seu trabalho, e estes, devem finalmente mostrar, custe o que custar, doa a quem doer, que não vão mais aceitar ser tratados como funcionários públicos de terceira. Está em causa a sua dignidade profissional, a sua espinha dorsal…

O que fará o Ministério da Educação se um número significativo de professores recusar atribuir classificações no final do ano? Vai abrir milhares de processos disciplinares? Vai multar milhares de professores? Vai despedir milhares de professores?

A não atribuição de classificações é a forma de mostrar que não estão reunidas as condições para o processo de ensino aprendizagem. Faltam funcionários nas escolas, existe um excesso de burocracia, os concursos dos professores são uma mistura entre o excecional e o irracional, não existe uma política de combate à indisciplina escolar, os currículos são extensos, desajustados, não existe respeito pelo trabalho extraordinário dos docentes, as turmas são enormes, etc,etc,etc….

Os professores têm razão, ao partir para uma greve às avaliações, não podem ser tratados como desobedientes, não podem ser tratados como “criminosos”, pois se alguém está em falha é o próprio Ministério da Educação, é o próprio Estado. As leis servem para defender o povo, não servem para servirem-se do povo…

Por fim, convém lembrar que os professores são credores do Estado e ao contrário de outros, até fazem alguma coisa por este país e pelo seu futuro. Chegou a hora de dizer BASTA!

Alexandre Henriques

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