De norte a sul, passando pelas ilhas, viajo por centenas de escolas por ano. Há, pelo menos, dez anos. O que constato, é que há um grande conjunto de escolas que transbordam.
As escolas não são só “os programas”. Não há só “professores cansados”. Não há só “indisciplina”. Não há só “desgaste pelas deslocações”. Não há apenas “resistência à mudança”. Pelo contrário!
Só que as escolas fazem, arriscam, trabalham, dinamizam e abrem-se ao mundo, muitas vezes sem procurarem a divulgação ou a publicidade.
Bruno Magina, escritor, é apenas um dos exemplos de escritores que vão às escolas ajudar as professoras e os professores a motivar para a leitura. Ajudar a aproximar as crianças e jovens dos livros. E sabemos como isso é fundamental! As tecnologias estão mesmo a roubar espaço.
Calhou-me em sorte, por iniciativa de um professor, dar boleia ao Bruno Magina, numa das minhas deslocações. Comecei logo por ficar aborrecido, porque ele atrasou-se um pouco. A chegada ao nosso ponto de encontro, colocava um comboio no nosso caminho…
Ele lá chegou e abalámos.
Fiz a viagem de mais de duas horas, em silêncio. A minha concentração é grande antes das sessões. Confesso que também já não estou habituado a andar acompanhado. Depois, fiz o meu trabalho com algumas turmas, e ele foi fazer o dele, com outras turmas.
As escolas transbordam. Superam-se. O livro que o Bruno Magina ia “apresentar” não trazia apenas uma história. A história guiava em direção a um apelo sentido, uma realidade complexa e profunda. Os professores e educadores de infância que chamaram o Bruno Magina, estavam também a sensibilizá-los para a diferença. Para as diferenças. Para a importância de se exercitar a tolerância. Para a empatia. E julgamos que é essencial! Mais uma vez, as tecnologias estão a ferir de morte estas questões.
Na viagem de regresso, não me calei. Em cima da minha experiência, cheio de adrenalina, disse várias coisas ao escritor Bruno Magina. Falei-lhe da importância de “uma aula começar antes dos alunos entrarem na sala”. Falei-lhe da importância da estética. Os alunos estão atentos a tudo. Revoltei-me com a falta de pontualidade de alguns dinamizadores. Disse-lhe que temos que ser apaixonados.
Um professor apaixonado, faz a diferença.
O Bruno Magina é um professor (além de escritor) apaixonado. As escolas que o chamarem, estão a transbordar. E lá está ele, com a agenda quase cheia. Mostrando que, longe das luzes da ribalta, há muitos exemplos positivos nas escolas de norte a sul. E ilhas.
Amanhã, quando as crianças forem jovens, amanhã, quando os jovens forem os adultos que governam o mundo, o sucesso educativo vai transbordar num rio de felicidade e progresso. Espero que esteja a transbordar, de preferência, de forma vibrante e apaixonada.




1 comentário
UFA! Pensei que era só eu que me enervava com a falta de pontualidade! Nós, sobretudo nós, professores, mas também educadores, pais…, temos de ter a noção que se educa mais através do exemplo, do que qualquer “sermão”. Não posso exigir pontualidade aos meus alunos, se não cumprir… se tocar e ainda pedir o pequeno almoço… O ano passado li um livro (peço desculpa, já não me lembro do nome e tenho preguiça de o ir procurar agora à estante) em que elencava as dez qualidades de um professor! Fiquei admirada pois em primeiro estava a pontualidade…. É que a falta de pontualidade é, nada mais, nada menos, do que falta de respeito pelo outro! Gostaria muito (posso sonhar) que isso deixasse de ser uma característica apontada à sociedade portuguesa!