Gen10s

Professores de informática “estupefactos” com apoio do Governo ao programa da Google

 

 

São vários os motivos que levam os professores a sentirem-se “atropelados” pelo GEN10S, um processo que levanta muitas dúvidas, acusam, uma delas por atribuir responsabilidades de ensino a entidades privadas.

 

 

 

Mas as queixas contra o GEN10S, apresentado esta segunda-feira, continuam e são de natureza diversa. Em causa está também o facto de o programa “impingir” uma linguagem de programação.

Numa nota enviada à imprensa via ANPRI, os professores confessam ter ficado “estupefactos”, por verem entidades externas ao sistema educativo fazerem “o que nos cabia a nós fazer”. Até “porque temos formação adequada para o fazermos bem, caso nos tivessem permitido a abertura da disciplina, em todas as escolas”, argumentam. “Os professores de informática foram atropelados”.

A ANPRI argumenta que já tinha sido proposto aos gabinetes do Ministério ligados ao processo da flexibilização curricular, a possibilidade de iniciar a disciplina de TIC, no 5º ano, em todas as escolas/agrupamentos “de forma a começar a recuperar, de imediato, a inexistência ou existência muito diminuta, desta área, para todos os alunos”. Mas a resposta foi negativa.

A gravidade está no facto de se estar a “impingir” uma linguagem, referem. “Esta escolha sempre foi da responsabilidade do professor, tanto em contexto formal, como informal, sempre foi uma opção do professor conforme o cenário de aprendizagem, as condições da sala de aula e o projeto a desenvolver”, consideram

“Temos dúvidas sobre este processo”, sublinha a ANPRI, afirmando que o mais surpreendente é contar com o apoio do Ministro da Educação e do Primeiro-ministro. “Relembramos que já convidamos o Sr. Ministro da Educação para várias iniciativas, para as quais nunca teve agenda. Nós, professores de informática, deveríamos ser os ‘seus professores’”.

Lançado ontem pela Google.org, SIC Esperança e Ayuda en Acción, o projeto GEN10S prevê a selecionar 40 escolas de entre o total de candidatas, com o objetivo de formar 5.000 alunos dos 5º e 6º anos e de 500 professores em programação Scratch.

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5 comentários

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    • Agnelo Figueiredo on 7 de Junho de 2017 at 0:48
    • Responder

    Se fosse agora, até os exames de Cambridge eram porreiros, pá!!!

    1. Parece-me que está tudo na mesma linha… e na linha de uma “externalização” de serviços educativos a prestar pela escola e de desorçamentação da educação.

    • Pafiento on 7 de Junho de 2017 at 14:32
    • Responder

    Cuidado que agora QUE ÉS DIRETOR na Cego do Maio… As autárquicas não dependem de ti!!!
    O que hoje é laranja amanhã é rosa!!!

    • Contratado on 7 de Junho de 2017 at 14:34
    • Responder

    Agnelo Figueiredo obrigado por me fazer recordar a história e não sentir saudades… do Salazar.

    • proftic on 7 de Junho de 2017 at 17:12
    • Responder

    «A gravidade está no facto de se estar a “impingir” uma linguagem, referem.»

    Se a gravidade está aqui, então porque é que os profs do 550 dos quadros das escolas impingem aos alunos e aos profs que vêm de fora vário software proprietário, começando logo no sistema operativo?

    O argumento principal deve ser o da entidade privada substituir os professores.

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