Opinião – “Os compromissos do Ministério da Educação” – J.C. Campos

 

“Os compromissos do Ministério da Educação”

 

O Ministério da Educação emitiu um documento compromisso no qual relata, segundo a sua versão, o que foi assumido entre o Ministério da Educação e as estruturas sindicais. Nesse documento elenca um conjunto de medidas já implementadas. Por fim fala de um compromisso de medidas relativas à organização do calendário e do tempo de trabalho.

Debrucemo-nos mais sobre este último assunto e destaquemos:

A “Harmonização do calendário do pré-escolar – Alinhamento do calendário da educação pré-escolar com o calendário do 1.º ciclo do ensino básico. (JUN2017)”. Congratulo-me pela parcial reposição da justiça no calendário da educação pré-escolar, mas o calendário escolar do 1.º ciclo que, neste ano letivo, pela primeira, foi diferenciado do calendário do restante ensino básico e parece que é para manter no futuro. A lógica parece ser, quem tem maior carga horária, como “compensação” tem um calendário mais extenso. Mais uma injustiça para o 1.º ciclo. Quanto ao calendário escolar deveremos reivindicar um calendário igual para a Educação  Pré-Escolar e todo o Ensino Básico.

Passemos à “Consideração do intervalo dos docentes do 1.º ciclo do ensino básico na componente lectiva”. Aleluia, após uma legislatura completa de um governo com este ato injusto e discriminatório e após um de ano legislatura do atual governo, finalmente foi reposta a mais elementar justiça. Será caso para dizer “água mole em pedra dura tanto dá até que fura”. Mas sobre esta matéria ainda há muito por explicar. Há vários cenários hipotéticos como será a elaboração dos “tempos constantes da matriz, para que o total da componente letiva dos docentes incorpore o tempo inerente ao intervalo entre as atividades letivas, com exceção do período de almoço. (SET2017)”. Ter-se-á de aguardar pela emissão da tal circular sobre o OAL e sinceramente não faço qualquer vaticino sobre o que vai acontecer, preferindo parafrasear a frase famosa dum jogador de futebol “prognóstico, só no fim do jogo”. No entanto, fico um pouco apreensivo para a calendarização da “garantia de concretização por parte do Ministério da Educação” apontar para setembro, o que me parece ser já muito tardio, não dando hipóteses a eventuais reações e correcções.

No descongelamento de carreiras “promoverá a abertura de um processo negocial com vista à regulamentação do artigo 37.º do ECD – progressões ao 5.º e 7.º escalões. (NOV2017)”. O ME, no referido documento sobre os compromissos, confunde, propositadamente ou não, descongelamento da carreira com regulamentação do Artigo 37º do ECD. O ME deve comprometer-se com o descongelamento da carreira docente em simultâneo com as outras carreiras  da Administração Pública. Antecipadamente deverá o ME promover um processo negocial, com as organizações representativas dos docentes, para a regulamentação do Artigo 37º do ECD, bem como promover o reposicionamento de muitos docentes que indevidamente foram ultrapassados no 1º Escalão e assumir a resolução prévia de outros erros e ilegalidades que ainda persistam.

Relativamente à aposentação era expectável não haver alterações, já o afirmara António Costa na Assembleia da República, agora o que ele adiantou nesse debate na AR “…possa haver um conteúdo funcional distinto, em particular, relativamente àquelas situações onde há efectivamente discriminação, que tem a ver com situações de monodocência que não beneficiam de redução de horário” questiono se estará relacionado com o que aparece no documento do ME onde se pode ler, sobre este ponto “um acompanhamento próximo das soluções que, no plano setorial ou transversal a toda a Administração Pública, venham a equacionar-se, de forma a assegurar, para os trabalhadores docentes, o paralelismo de eventual tratamento diferenciado.” E sem apontar qualquer data de garantia de concretização. Enfim, muito vago e reconhecer que há discriminação com situações de monodocência e adiar para as calendas gregas a sua resolução, parece-me muito injusto e muito mau. E reafirmo um monodocente ter uma componente lectiva de 25h com 59 anos de idade e os seus pares terem menos 7h e ter 20h com 60 anos e os seus pares terem menos 6h acho muito injusto. Atenção, concordo com a redução que usufruem os pluridocentes e até já beneficiaram de mais horas de redução, agora reconhecerem que há discriminação com os monodocentes e manter “tudo como dantes no quartel de Abrantes”, isso não.

Há todo um caminho longo ainda a percorrer e que se afigura moroso, mas com determinação e persistência haveremos de lá chegar.

José Carlos Campos

 

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26 comentários

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    • Luisa on 20 de Junho de 2017 at 16:53
    • Responder

    .

    “Relativamente à aposentação era expectável não haver alterações, já o afirmara António Costa na Assembleia da República, agora o que ele adiantou nesse debate na AR “…possa haver um conteúdo funcional distinto, em particular, relativamente àquelas situações onde há efectivamente discriminação, que tem a ver com situações de monodocência que não beneficiam de redução de horário”

    Com que então os monodocentes não beneficiam de redução de horário?

    MENTIRA

    Essa malta – monodocentes – tem:

    – Tem 2 anos de dispensa total de componente letiva aos 25 e 33 anos de serviço;

    – Aos 60 anos, redução de 5 horas da componente letiva.

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      • Anonimo on 20 de Junho de 2017 at 17:05
      • Responder

      Os monodocentes

      Os prazos estão certos, 25 e 33.Têm que ser pedidos no final do ano letivo anterior, autorizados pelo diretor e cumpridos caso seja o pedido deferido no local onde se está colocado.

    • António Marchão Calado on 20 de Junho de 2017 at 17:12
    • Responder

    .
    Naturalmente querem aposentar-se no 1º ano de serviço. O horário já foi reduzido e o vencimento aumentado. Ainda anda esse Nogueira a dar balelas que pelo andamento da carruagem, nem uma aula de qualquer coisa , será capaz de dar.
    A minha professora primária da 4ª classe tinha 60 alunos , e dava aulas ás 4 classes (1ª, 2ª 3ª e 4ª ) e não tinha continua. O vencimento era tal que os pais dos alunos graciosamente lhe forneciam alguns produtos que produziam nas suas hortas. Isto era trabalhar, agora é pen sar nas ferias e viagens e o resto fica para para o ano. By, by
    .

    • Alberto Cardoso on 20 de Junho de 2017 at 17:15
    • Responder

    .
    Ah SALAZAR! QUE FAZES TANTA FALTA NUMA ALTURA DESTAS!
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    • Antonio Martins on 20 de Junho de 2017 at 17:20
    • Responder

    Regime”especial de aposentacão”? É esta”classe”especial de corrida,portugueses”á parte dos outros”? Como é ainda possível a Fenprof ser dirigida por um comunista? Fora com todos e tudo que seja comuna!

    • Monhé on 20 de Junho de 2017 at 17:54
    • Responder


    Se há gente mais desprezível é o funcionário público, não querem trabalhar, têm regalias acima de qualquer contribuinte e …. o contribuinte é o que o sustenta ! é como se o cão comesse à mesa bife e o dono comesse do chão as migalhas que lhe dão. É funcionários públicos, professores e funcionários de bancos, que raça mais fraca que mete nojo só de olhar para eles, cheios de arrogância sempre a olhar de cima a pensar que são os mais fino do mundo só porque receberam um tacho à custa de prendas, bicos e afins. Eu trabalho como um desgraçado 42 horas por semana e vejo esta gente cheia de regalias a achar que os sacrifícios são para os outros. Falam dos políticos ? Olhem para vocês ! Só se perdem as que caem ao chão, merecem-nas todas !!!!
    .

      • AT conivente...? on 20 de Junho de 2017 at 22:00
      • Responder

      Se há gente desprezível são os privados …não pagam impostos, declaram todos o salário mínimo, e criticam quem, pagando-os, lhes assegura a saúde e a educação e ainda se queixam. AT explique-nos como é que com salários mínimos, esta gente, tem grandes carros e casas? Fiscalizem…

        • carvalho on 20 de Junho de 2017 at 23:38
        • Responder

        Excelente……

    • Congelado on 20 de Junho de 2017 at 18:04
    • Responder

    Há INCÊNDIOS…

    ….mas nós estamos congelados…Temos frio….queremos MAIS GRAVETO…
    ….
    https://i.ytimg.com/vi/Meqn6wQntqk/maxresdefault.jpg

      • Descongelador on 20 de Junho de 2017 at 22:46
      • Responder

      Vou-te DESCONGELAR meu “EDUCADOR POR PAIXÃO” (ao GRAVETO)

      http://www.sulinformacao.pt/wp-content/uploads/2016/01/Dinheiro.jpg

        • Alexandre Rebelo on 20 de Junho de 2017 at 22:51
        • Responder


        A sensibilidade desta gente sindicalista só se assemelha à de muito jornaleiro que nos incêndios de Pedrogão exploram a dor e a revolta de muitos sinistrados e famílias. Rapaziada fixe que só vê “o deles” na mensalidade.
        ,

    • joana on 20 de Junho de 2017 at 18:26
    • Responder

    Que modos são esses…eu diria “animalescos” e desrespeitosos de falar? Sabem lá vocês do que falam. Eu já estive nos 1º, 2º e 3º ciclo a trabalhar e garanto-vos que o mais trabalhoso é o primeiro ciclo e de longe!!! Essa “malta”, como tão vergonhosamente a D. Luísa se refere aos professores do 1º Ciclo, trabalha arduamente e muitas horas seguidas, todos os dias, no meu caso há 24 anos recebendo miseravelmente o mesmo ordenado que um professor contratado, apesar de efetiva no ensino público. A Exma. Sra. D. Luísa deveria de experimentar para perceber de que é que estamos a falar. Se não conhece a realidade, não comente! Talvez pensa que conhece mas só lá estando perceberá. Quantos aos outros comentários nem me darei ao trabalho de responder pois não desço tão baixo!

      • Alerta on 20 de Junho de 2017 at 21:11
      • Responder

      Cara PROFESSORA PRIMÁRIA faça GREVE aos EXAMES.

      A PROFESSORA PRIMÁRIA JOANA desconhece quem faz COADJUVAÇÃO, VIGILÂNCIAS E CORRECÇÃO dos EXAMES de ACESSO AO ENSINO SUPERIOR são quem está preparado cientificamente para o efeito, ou seja, os PROFESSORES DO ENSINO SECUNDÁRIO.

      Eu explico: – os docentes do Ensino Secundário são aqueles que realizaram a sua formação em UNIVERSIDADES e não os que frequentaram os PIAGETs, ESEs e outras TASCAS.

      Já agora NÃO SE ESQUEÇA DE COLOCAR O AUTOCOLANTE que o COMUNISTA do Mário Nogueira indicou “Professores em Luta – Serviços Mínimos”.

      Saudações Sindicais.

        • Educadora por paixão on 20 de Junho de 2017 at 22:23
        • Responder

        Caro “Alerta” não é “Professora Primária” é “Professora do 1º Ciclo” pois, se seguíssemos ,a sua ordem de ideias o sr. ou sra. “Alerta” seria um “Professor Secundário” e não um “Professor do Ensino Secundário”.
        Por outro lado, para quem tirou o curso numa “Universidade” escreve com erros e isso é inadmissível para alguém com tanta formação! Talvez fosse bom voltar à escola do 1º CEB para aprender um pouco mais. Eu explico, onde escreveu “… quem faz COADJUVAÇÃO …são quem está preparado cientificamente …” devia ter escrito “…quem faz COADJUVAÇÃO …é quem está preparado cientificamente …” ou então “… quem faz COADJUVAÇÃO …são aqueles que estão preparados cientificamente …” . Fiz- me entender?
        É que para além de educadora (curso tirado com muita honra na Escola Superior de Educação Paula Frassinetti) já lecionei noutros ciclos pois tenho outras licenciaturas e pode crer nenhuma delas foi tirada em nenhuma tasca, a menos que considere a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, a Universidade Católica e a Universidade de Toulouse como “tascas”!

          • Emplastro por Paixão on 20 de Junho de 2017 at 22:54

          Eu vi logo que vens da Escola Superior de Educação Paula Frassinetti

          https://pbs.twimg.com/profile_images/644325808883019776/kaJxIrp9.jpg

          • Educadora por paixão on 20 de Junho de 2017 at 23:10

          Pelo nome e foto que usa eu também “vejo” quem é, um “pobre coitado”!
          O “Emplastro” autêntico deve ter mais educação e cultura do que a pessoa que escreveu este comentário!
          Mas enfim, infelizmente o país vai tendo alguns arrogantes, ignorantes e “doutores” que apenas criticam por criticar !
          Já agora, é capaz de explicar o que tem contra a Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti? Não conseguiu lá entrar? Reprovou no “batalhão” de testes de conhecimentos, de aptidão pedagógica e psicológica, das entrevistas … a que eu e muitos outros se submeteram para lá entrar?
          Olhe “Emplastro por paixão” cresça e apareça!

          • Comité Central on 20 de Junho de 2017 at 22:58

          .
          NÃO SE ESQUEÇA DE COLOCAR O AUTOCOLANTE que o Mário Nogueira indicou “Professores em Luta – Serviços Mínimos”.
          ,

          • Educadora por paixão on 20 de Junho de 2017 at 23:51

          Não se esqueça de dar ordens em sua casa!
          Já agora, por favor, mude o “disco” que está muito riscado!

        • Joana on 20 de Junho de 2017 at 22:32
        • Responder

        Mais um ou uma ALERTA que não sabe o que diz… Ah!Ah! Sente-se agora mais aliviado (a)? Já alimentou o seu ego frustrado? Ainda bem….Respondendo ao seu triste post, pergunto-me então porque será que me convocam sempre para fazer vigilância ao exames de ACESSO AO ENSINO SECUNDÁRIO e porque será que tenho eu TAMBÉM que elaborar eu EXAMES que serão APLICADOS a alunos se sou tão…. como diria você?… PRIMÁRIA? Fique sabendo, talvez não tenha lido, (ou não saiba interpretar….precisará nesse caso de uma professora primária), também dou aulas no 3º ciclo e no 2º, e também com muito orgulho, no 1º.

          • Emplastro por Paixão on 20 de Junho de 2017 at 22:56

          E tu de onde vens Joaninha?

          Eu Tirei a minha graduação no PIAGET….
          .
          https://pbs.twimg.com/profile_images/644325808883019776/kaJxIrp9.jpg

    • Jose Gabriel on 20 de Junho de 2017 at 23:16
    • Responder

    Sei que ser professor primário e educadora (antigas BABÁS/AMAS) é o grande negócio das últimas décadas em Portugal. Sei que ganham em média o equivalente a quase 4 salários mínimos nacionais. Sei que recebem 14 meses e só trabalham 7. Sei que podem faltar e pedir baixa médica sempre que precisarem (mas também concordo que alguns professores abusam desta facilidade, e por vezes durante o ano letivo não aparecem mais do que dois ou três meses).No entanto, nunca podemos dar-nos por satisfeitos, e devemos continuar a exigir mais, para fazermos crescer o poder de compra. Confio hoje, como sempre, nos sindicatos.A luta continua!

      • Educadora por paixão on 20 de Junho de 2017 at 23:39
      • Responder

      Se acha que ser a “base e o pilar da educação” é um negócio e dos grandes, está enganado! E se acha mesmo que essa é a realidade porque não foi para educador ou professor do 1º CEB?
      É que eu sou educadora e não trabalho 7 meses e recebo 14 (Aliás,só tenho 22 dias de férias por ano e isto se não der faltas ao longo do ano!) nem ganho 4 vezes o salário mínimo!
      Pode haver educadores ou professores que faltem bastante mas como em todas as profissões há bons e maus funcionários e não podemos “Avaliar o todo apenas por uma pequena parte”.
      Será que a situação aqui descrita por si não é a que pertence a essa “pequena parte” ou fez aqui o seu “auto-retrato” como profissional?

    • Joana on 20 de Junho de 2017 at 23:32
    • Responder

    🙂 🙂 🙂 🙂 😀 Afinal eu pensava que estava a falar com gente digna e inteligente. Passem bem. Maiores felicidades.

    • Mário (o Grande Lider) on 20 de Junho de 2017 at 23:38
    • Responder

    Assim Não se Pode Ser Professor

    “Professores em Luta – Serviços Mínimos”

    http://7.fotos.web.sapo.io/i/B1913b202/17872928_gJ2s0.jpeg

      • Sindicalista on 21 de Junho de 2017 at 0:19
      • Responder

      É pá…. Não te rias que isto não tem piada nenhuma.

      A GREVE vai ser um ÊXITO.

      Viva o Kamarada Mário Nogueira

      Vamos à LUTA

      http://www.fenprof.pt/Download/FENPROF/SM_Doc/Mid_115/Doc_10980/Destaque/_cartaz-greve-21-junho.JPG/cartaz-greve-21-junho_230.jpg

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