No público de hoje.
Também gostava de saber o que vão fazendo os leitores do blogue que ainda não tiveram colocação este ano. Em muitos casos ainda conseguem “sobreviver” com o subsídio de desemprego, mas noutras situações esse subsídio já terminou ou está em vias de terminar em breve.
Que tentativas têm feito para conseguir uma profissão alternativa ao ensino?
Os que vão conseguindo outras ocupações profissionais pensam regressar ao ensino ou já abandonaram essa ideia?
Fica o tema para hoje.
O que faz um professor sem colocação?
Este ano, milhares de professores não tiveram colocação e muitos deles tiveram de arranjar outra actividade para se sustentar. Cláudia decidiu fazer bonecas, Andreia criou uma oficina para pais e filhos e Gonçalo vai inaugurar uma surf house.





42 comentários
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Bom dia!
Sou mais um professor contratado… com nove anos de serviço… especializado e Mestre que está de fora do sistema de ensino. Sei que não pode haver espaço para todos, mas revolta-me… pois sempre consegui trabalhar… e este ano nada….!!
Neste momento sou operador de telemarketing… ainda tinha sub de desemprego, contudo estar em casa sem fazer nada estava a deixar-me “emocionalmente abatido”.
Faço o mesmo que muito colegas com o nono ano de escolaridade… que conseguem ser muito melhores do que eu!
Pergunto-me se toda a formação que tive… sete anos no Ensino Superior em Instituições Públicas… terão valido a pena!
E isto não se passa só na nossa profissão. Infelizmente acontece com muitos dos nossos profissionais formados com excelência em Universidades Públicas Portuguesas. Muitos estão a servir outros países que nada gastaram com a sua formação!
Ainda não perdi a esperança de voltar a trabalhar naquilo que me apaixona… contudo… está difícil!!
Obrigado Arlindo por continuares a publicar artigos diários… para além do excelente serviço público que prestas aos leitores… estou certo, que tal como eu… para muitos esta é a única ligação que têm com a sua paixão!!
Exato. Às vezes só me lembro que fui professor quando recebo as newsletters do arlindo
Eu emigrei para a Suiça, em fevereiro de 2014, uma vez que o meu subsídio terminaria no próximo mês de junho. Neste momento, depois de um mês e meio sem qualquer proposta de trabalho, fiz um contrato temorário de trabalho na industria relojoeira. Sou operadora fabril.
Bom dia!
O ano passado não consegui nada…
Este ano estou a trabalhar 6 horas semanais, nas AEC.
Fui convocada para 2 entrevistas de emprego: numa disseram-me que não me selecionavam porque tinha 2 filhos e na outra disseram-me que era critério estar desempregada, para poder ser selecionada…
Entretanto, estou a fazer testes de orientação vocacional, na tentativa de redirecionar a minha vida profissional!!!
Eu era professor, hoje sou assessor de um assessor no ministério da educação; isto de ter cartão do partido ajuda muito..
Muito bom 🙂
Há dois anos foi a minha última colocação. Trabalho num atl seis horas por dia. Não ganho o ordenado mínimo. Já abandonei a ideia de voltar ao ensino.
Eu editei um livro e estou a escrever outro.Não vou voltar ao ensino!Sei que vai ser difícil voltar a ter colocação!
Gostaria de saber qual é a editora, pois também tenho um livro para publicar. Obrigada.
Arlindo, não faltam empresas privadas (centros de explicação e etc) dispostas a receber os professores sem colocação! À espera deles está a precariedade absoluta: remunerações de 2,5€/hora, 10h de trabalho diário, contratos de trabalho sem direito a pelo menos um dia de férias e muito mais… O objectivo desta direita foi totalmente atingido, desespero que leva facilmente a precariedade e salários baixos. Portanto, nós estamos fodi*** mas existe um certo grupo de pessoas neste país que neste momento está bastante satisfeito.
Falta ainda referir o seguinte:
Não me venham com esta propaganda de merda de que os professores sem colocação se tornaram em grandes exemplos de empreendorismo. Sempre a mesma treta do empreendorismo que interessa sobretudo à banca… Estes “media” são uma máquina ao serviço desta gente e deste regime, mete nojo.
Exactamente! Quem ler este artigo do público pensa que está tudo bem e que estamos todos muito felizes com as nossas novas vidas… Quando a maioria está com umas horitas em AECs ou num ATL a ganhar menos que o ordenado mínimo, à espera de um dia poder vir a obter novamente colocação.
Os colegas que ainda pensam que vão voltar a dar aulas são realmente muito crentes…. mesmo que voltem a dar aulas, o que lhes espera é a precariedade, a colocação longe de casa, a humilhação a que todo este sistema submeteu os professores….. tenham amor próprio e mudem de vida! Existe vida para além do ensino!!!
Quanto á precariedade, podemos dar o exemplo das contratações do IEFP. No centro de Rio Meão, Santa Maria da Feira, as colegas que conheço e que concorreram ao famoso concurso por 3 anos, estão na seguinte situação: contrato de meio ano mais um ano (ano e meio) a terminar em Junho deste ano, recibos verdes com exclusividade, deslocações que podem ser superiores a 65 km de manhã e á tarde (ida e volta 2 vezes), início ás 8 da manhã e término ás 20h, níveis, público-alvo, temas extremamente diversos!
Concordo plenamente com o colega…
Tem toda a razão Qoizu, agora querem fazer passar a imagem de que a classe com mais desemprego é a docente e que a mesma consegue safar-se à custa do empreendorismo. Os meus amigos e familiares docentes que estão desempregado emigraram todos.
Eu trabalho desde 2003. sempre fui colocada. é certo que em substituições, ora, aqui ora ali…mas sempre trabalhei na escola pública…até ao ano passado…cortaram-nos completamente as pernas…eu vou sobrevivendo com umas horas de formação, a KMs de casa, em 4 sítios diferentes e com algumas explicações…mas não tenho qualidade de vida….estou cansada….só ainda não desisti porque amo muito o que faço…mas já estive mais longe…
Olá,
O ano letivo anterior não obtive colocação o que foi emocionalmente difícil… Em maio fui chamada a uma entrevista para trabalhar como rececionista num parque de campismo na época de verão, sendo escolhida. Adorei a experiência! Este ano (supostamente mais complicado para mim que o anterior),e já desligada do ensino e para meu enorme espanto, voltei a ficar colocada (graças aos muitos colegas que estavam à minha frente e que não manifestaram as mesmas preferências que eu)! É certo que cada qual sabe de si, da sua família, dos seus encargos,.. mas depois não vão para a TV dizer que não têm lugar no ensino.
Arlindo, parabéns pelo trabalho que desenvolves!
É triste que fale assim; eu há dois anos que não trabalho, embora tenha concorrido tal como a muitos colegas a horários de 8 horas no concurso e até 4 horas em OE.Sabe que por vezes pendem professores para dar 4 horas??. Por enquanto ainda somos livres de dizer e com verdade que para muitos não há lugar no ensino.
Quem sabe se num futuro próximo também virá a dizer que não tem lugar no ensino….
Mas é claro, há sempre os bafejados pela sorte.
Diga onde é que ficou colocada, pois a maioria dos colegas concorre a todas as ofertas. Estranho!
Colega Manuel, não estava a falar certamente dos professores que tentam tudo… Compreendo perfeitamente o desabafo. O ano anterior concorri para todo o tipo de horários e nada de nada. Mas este ano fiz praticamente o mesmo concurso e consegui para grande surpresa minha.
Colega carama, fiquei colocada na RR3 no algarve com 12h anual. Não tenho os números presentes, mas à vontade uns 500 à minha frente não colocaram este tipo de horários nesta zona.
Caros colegas,
muitos de vós, segundo a diretiva comunitária deveriam entrar na carreira. A Associação de Professores Contratados na sua deslocação a Bruxelas obteve uma definição de contratos sucessivos diferente da que convém ao MEC. Passo a transcrever o que consta no site da ANVPC: ” … o Tribunal de Justiça e a jurisprudência europeia produzida a partir de 2001, já reconheceu como tendo carácter «sucessivo» os contratos de trabalho a termo, separados por períodos de menos de três meses. O TJUE observou que a atendibilidade dos intervalos entre contratos não deve comprometer “o objeto, a finalidade e o efeito útil do acordo quadro” (n.° 84)”.
eu já estou noutra vai para ano e meio. Só tenho pena de não ter vindo mais cedo. Comecei por atender telefones no escritório e já sou responsável pelo departamento de compras. Para já estou a gostar e sinto que perdi profissionalmente tempo e dei cabo da minha saúde psicológica. Boa sorte a todos
Infelizmente a profissão de docente tem vindo a perder dignidade e prestígio, para não falar de poder de compra, nos últimos anos. Mas também é verdade, e sejamos honestos, que durante o consulado do Sócrates, criou-se muito emprego na escola pública artificial (CNO, Estudo Acompanhado, Área Projecto, reformas antecipadas….) que não tinha qualquer sustentabilidade e que iludiu muito boa gente que pensava que tinha o futuro assegurado. Mas a realidade como se veio a confirmar mais tarde (há três anos) era outra bem mais sombria. Também é indesmentível que há cada vez menos crianças (taxa de natalidade em níveis assustadores) e também é verdade que existem muitos professores com uma formação muito duvidosa (Piaget, Ismaia…) o que banalizou, descredibilizou e massificou a profissão de docente.
Perante este cenário, os professores desempregados devem partir para outra o mais breve possível, até porque hoje o ambiente nas escolas está bastante pesado e muito pouco interessante e motivador. Acreditem porque estou lá neste momento mas farto de lá estar, depois de 20 anos a trabalhar em mais de duas dezenas de escolas. Um abraço de solidariedade a todos os docentes que estão desempregados.
Acabou de enumerar os argumentos dos partidos PSD/CDS. Não creio que seja o espaço para essa corja. Este espaço é para professores.
Sou totalmente apartidário, no entanto, sou muito realista e só não vê a realidade, por muito negra que ela seja, quem não quer vê-la. Essa conversa sistemática dos partidos só serve para nos desculpabilizar e isentar-nos de responsabilidades enquanto cidadãos portuguesas.
O país é como uma família ou empresa que viveu muitos anos acima das suas possibilidades e agora está a pagar a factura desses desmandos. Lembre-se que estamos a viver com o apoio de dinheiro emprestado… Quem deve obdece, é assim a vida…
PS – Eu também sou uma pretensa vítima de toda esta situação, mas também sou filho, pai e marido que vive em Portugal e olha o panorama à sua volta… Muita gente pensou que vivia bem, só que esqueceu-se que era de uma forma artificial (a crédito) e quando acordou assustou-se… E agora queixam-se!…
Um abraço!
Vou aqui desabafar anonimamente.
Este é o meu segundo ano sem colocação. Divorciada. 33 anos. Trabalhei 10 anos em escolas publicas, 8 contratos anuais. Financeiramente em situação bastante apertada (o divorcio deixou dividas diversas). Este ano……… depois de tentar tanta coisa…….. acabei por, inacreditavelmente, entrar num meio que nunca pensei……… um dia……. entrar. Foi um pouco por acaso, através de uma amiga (intima e leal) que vendo o meu sofrimento me ajudou, da forma que…… conseguiu. Bem…….. nem sei como dizer isto. É a primeira vez que o vou dizer……. mas sinto que tenho de desabafar urgentemente. Então aqui vai. Actualmente sou acompanhante de luxo…..! Pronto…. já disse. Mas……. apenas a tempo parcial, e de forma individual. Poucos clientes, mas certos, com muito dinheiro e muito discretos. Na verdade, alguns não me custa nada, pelo contrario….. (se é que me entendem……) e ainda por cima pagam…… e muito bem. 200 euros por encontro, hora e meia de…… trabalho. Enfim…………….. não me orgulho, obviamente. Ha momentos em que as lágrimas correm com abundância. Principalmente quando recordo o tempo em que tinha colocação por esse portugal a fora. Mas enfim…………. a tudo nos habituamos! Agora que estou nisto há 5 meses……. factos são factos e por exemplo, em media facturo, facilmente, 1000 euros por semana. Ao final do mês 4000 (ou mais, se quiser…..). Limpinhos, sem descontos. Em que emprego conseguia agora isso????? Em Fevereiro foi assim, 4500. E já me dou ao luxo de recusar…….. trabalho quando não me agrada a candidatura….! Claro que não quero isto para a minha vida toda….. mas…….. neste momento tem sido uma grande tábua de salvação. Sem duvida. Os moralismos??? E quem ainda os tem????? Basta dizer que observam portugal a ser enxovalhado sistematicamente e VOLTAM sempre A VOTAR NOS MESMOS!!!! Portanto, onde ficou o moralismo????
Enfim. Felicidades para todos.
Meu Deus! E vem aqui escrever uma coisa destas? A senhora certamente não se prostitui por falta de opção. Lamento que não tenha colocação, mas este blog é público, nunca se esqueça disso.
#Maria,
Em que é que o desabafo da “Filomena” a enxovalhou a sim, em particular, e ao blogue em geral??Falsos moralismos?????Dahhhh…O que existe mais em Portugal são faltas de opção que permitam às pessoas ter uma vida plena…Apenas consigo imaginar a angustia da “Filomena” na hora H….
Foi preciso coragem para desabafar aqui e admiro isso….FORÇA “Filomena” ….Abraço
Muito Obrigado, Salsera, pelo apoio e pela compreensão. Enfim…… há gente que só gosta de julgar os outros. Não se pode ser sincero. Não adianta….. enfim……..
A Filomena sustenta-se. Não rouba, não obriga ninguém a fazer nada, se se sente bem com o que faz… é com ela. Para mim não dava porque me iria fazer sentir mal, não seria sequer capaz de o fazer, e também não possuo os atributos e competências apropriadas… .
Mas ela apenas respondeu à pergunta… O que faz um professor sem colocação? Resposta: o que tiver de ser.
Só espero que a Filomena se sinta mesmo confortável com o que faz… é que se não se sentir… aí está a prostituir muito mais do que o corpo. Está a prostituir os seus ideais, a sua maneira de ser e os 4000 euros não chegam para tanto…. Mas se lhe agrada e não se sente mal… não vejo qual é o problema.
Maria, deixe de ser falsa moralista! Quero felicitar publicamente a FIlomena por ter partilhado a experiencia dela! Quantos de nós já não ouviu coisas muito piores das bocas dos nossos alunos????? Vamos respeitar a opção da colega! Não é a Filomena que tem de ter vergonha, são os políticos, são os colegas, é toda a sociedade que permitiu uma professora com experiência chegar a esta situação limite! Coragem Filomena!
Oh Sr. Alfredo….
Fui e ainda sou docente do superior e, tendo lecionado em algumas universidades e politécnicos, sei que há universidades públicas em que o currículo é bem mais pobre do que em muitos politécnicos. Referiu o Instituto Piaget mas assevero-lhe, pois já estive no de Almada há cerca de uma década, que tem uma estrutura bem mais concreta, definida e funcional do que algumas Escolas Superiores de Educação por onde lecionei. De uma forma geral, e com conhecimento de causa no terreno, considero que desde há 15/20 anos que os recém formados professores do Instituto Piaget e outros politécnicos saem melhor preparados do que por exemplo das ESE de Setúbal e Portalegre.
mais bem preparados…
Conheço pessoalmente, um ex-aluno do Piaget de Amalda. Tem “habilitações” para dar aulas de Física eQquímica, mas uma coisa é certa: pobres alunos, pois nem para ele sabe os conceitos básicos. Está muito bem preparado….
É triste mas a meu ver o ensino superior particular, seja em que faculdade ou instituto for, está a “destruir” a formação dos nossos alunos, Há alguns anos para ir para a faculdade, mesmo para as privadas (na altura eram poucas mas bem creditadas) era necessário ter dinheiro é certo mas também era preciso ter boas notas para lá entrar… Hoje se houver dinheiro, decerto que há um curso com um nome pomposo, mesmo que não se saiba para que serve.
Eu defendo que sejam feitos concursos em Portugal para os docentes, com prova objetiva e de títulos. Eu trabalhei como professor logo depois de terminar o mestrado em ensino em 2011/2012 e não consegui colocação no ano seguinte. Vim para o Rio de Janeiro, fiz a revalidação do diploma e trabalho no Colégio de Aplicação (onde fiz um concurso objetivo e prova de títulos). Infelizmente terei que regressar a Portugal em Julho por causa do meu cônjuge que não se adaptou ao Brasil e voltar à maratona de encontrar trabalho na educação.
Gostei muito de todos estes testemunhos (o da colega que é acompanhante também não vejo qualquer problema, pior que tudo é a prostituição politica que causa muito mal a todos nós).
Eu trabalhei na formação profissional e na escola pública durante 10 anos até que estes tipos acabaram com tudo. Tenho andado de trabalho em trabalho visto dominar a Contabilidade, mas também aí não está fácil. Agora isto do empreendorismo é uma grande tanga que só pode resultar em casos excepcionais( 1 em 20) ou com apadrinhamentos. A maioria vai ficar ainda pior do que quando entrou.
Desejo de felicidades para todos
Dei aulas durante 3 anos consecutivos. Sou profissionalizado. Agora tenho uma loja de produtos gourmet em Santarém.
Boa tarde,
Atualmente sou fotógrafo na Baixa de Lisboa, percorro os Bairros históricos, os pontos turísticos e tiro umas fotografias, os “bifes” vão comprando as fotos e já estou a pensar adquirir um imóvel para alugar aos “bifes”. Há que investir.
Boa noite!
sou professor profissionalizado em Física e Química e deixei de ser colocado em agosto de 2012…. Dei aulas durante 4 anos…. intercalados…… Concorri a todos os horários e nada! Em outubro de 2013 resolvi abandonar o ensino…. actualmente sou diretor de qualidade em duas fábricas e estou a tirar um rendimento mensal superior ao que tirava como professor….. O ensino foi uma paixão…. mesmo a trabalhar ainda fui concorrendo às ofertas e fiz a famosa prova de ingresso na carreira….. Depois de toda a precaridade, do stress psicológico, já não penso voltar ao ensino….. neste momento o meu único contacto com a profissão é este blog…..
Felicidades para todos!
Ora no meu caso , após não ter obtido colocação durante dois anos consecutivos, decidi mudar de rumo e abri uma pequena imobiliária na minha terra Natal: o Entroncamento; uma pequena cidade de Província, as coisas até vão correndo e estou até a pensar em expandir o negócio até à Capital.