Os profissionais de Educação são aquelas pessoas que, no exercício das suas funções docentes ou não docentes, se vêm obrigadas a pôr em prática as medidas da política educativaque vão sendo emanadas por sucessivos Ministérios da Educação…
Metaforicamente, e por outras palavras, ao longo dos anos, os Governos vão passando em cortejos engalanados e os profissionais de Educação vão assistindo a esses desfiles, cientes de que, depois de os séquitos passarem, alguém terá que varrer o chão, limpar os despojos deixados por tais passagens e arrumar todos os apetrechos usados nasglamorosas festividades…
No âmbito anterior:
– Quem nunca se sentiu como um “idiota útil”, no exercício das suas funções profissionais em contexto escolar?
No geral, existem dois tipos de “idiotas úteis”:
– Há os que desempenham esse papel, sem consciência da manipulação a que estão ser sujeitos;
– E há os que desempenham esse papel, conscientes de que estão a ser usados para finalidades que, muitas vezes, lhes levantam muitas dúvidas e reservas e que suscitam, até, a sua discordância…
No universo de profissionais de Educação, quantos já se sentiram na pele de “idiotas úteis”, com consciência de que estão a ser usados para finalidades de eficácia duvidosa ou até mesmo contrárias àquilo que consideram ser o melhor para a Escola Pública?
Quantas vezes, no exercício de funções docentes ou não docentes, se ajuda a credibilizar e a legitimar más medidas educativas, concebidas por terceiros?
Quantas vezes, no exercício de funções docentes ou não docentes, se ajuda a encobrir os problemas existentes em tantas realidades inconvenientes do contexto escolar?
Os profissionais de Educação andam, há anos, a “puxar mantas pequenas”, que deixam sempre alguém com os “pés de fora”; a tentar remediar os erros concebidos pela Tutela ou a “tapar os buracos” abertos pela mesma…
Muitas vezes, chega a parecer que a própria Tutela olha para os Profissionais de Educação como se os mesmos fossem “idiotas úteis”, postos ao seu serviço e sempre ao seu dispor…
E quando é que deixaremos de ser vistos pela Tutela como “idiotas úteis”?
– Quando conseguirmos demonstrar que não somos manipuláveis, nem fantoches ao serviço de vontades políticasque vão mudando, conforme os Governos e ao sabor de muitas vaidades e de outros tantos egos inflados…
Problema: Os profissionais de Educação, docentes e não docentes, estão “a milhas” de conseguirem alcançar a união de classe, necessária e imprescindível para conseguirem demonstrar que não são submissos, silenciosos, nemmanobráveis…
E, para mal dos nossos pecados, a Tutela sabe isso muito bem…
Portanto…
Passados cinquenta e dois anos desde o 25 de Abril de 1974, uma parte significativa dos profissionais de Educação continua presa e amordaçada, não em Caxias ou no Tarrafal, mas sob o jugo do conformismo, da apatia, do alheamento e da obediência acrítica…
Muitos desses profissionais de Educação parecem ter optado pelo conforto e pela segurança proporcionados pelo hábito, pelo ritual e pela acomodação, preferindo não se comprometer com qualquer ruptura, mudança ou progresso, adaptados que estão à previsibilidade das suas (agonizantes) rotinas…
O primado da sobrevivência sobrepõe-se, muitas vezes, ao da dignidade e é dessa forma que nas escolas se vai aceitando praticamente tudo o que vem da Tutela…
Muitas vezes, sem acções conscientes e intencionais e sem pensamento crítico, os automatismos comportamentais sucedem-se e repetem-se, num círculo vicioso de trabalho insano que aprisiona e se mostra praticamente impossível de quebrar…
Passados cinquenta e dois anos desde o 25 de Abril de 1974, ainda nos deixamos anular e silenciar, aceitando, consciente ou inconscientemente, o papel de “idiotas úteis”…
(Ao longo de mais de vinte e nove anos no exercício da função de Psicóloga em contexto escolar, já me senti, algumasvezes, como uma “idiota útil” e confesso que também me sinto cansada de lutar contra isso, quase sempre pouco acompanhada).
Paula Dias




1 comentário
Sim, efetivamente, sinto-me um verdadeiro idiota com:
o injusto 79;
o absurdo 54;
a imbecil Prova ModA;
o inadmissível “passa tudo e todos, não importa como”;
a inútil burocracia;
e, futuramente, com a inquietante fusão 1º/2º Ciclos…