Onde estão as soluções milagrosas?

Primeiro foi Maria de Lurdes, que tratou de descredibilizar os professores como quem arranca ervas daninhas de um jardim. A seguir veio a Escritora, que achou boa ideia continuar a rega. Depois apareceu Crato, sempre brilhante, a garantir que tínhamos professores a mais, como se fossem cogumelos a nascer nas escolas. Tiago? Esse ficou sentado, a ver passar o comboio. E o João até tentou, mas Costa puxou-lhe o tapete. Resultado, não há professores. Surpresa? Nenhuma. Há anos que se previa e sem necessidade de bolas de cristal.

As famosas previsões de redução de alunos falharam redondamente. Em vez de salas vazias, temos turmas a abarrotar. Mas claro, os sucessivos governos continuaram a acreditar na magia. Se fecharmos os olhos com força, talvez o problema desapareça sozinho.

Críticas não faltam. São aos molhos. Soluções? Pois, isso já é pedir demais. O que a escola precisa são de professores, mas parece que isso se tornou um bem mais raro que petróleo. Então, que fazer? Voltar ao passado: pôr alunos do 12.º ano a dar aulas no noturno. Ou recrutar engenheiros para Matemática, advogados para Português, e porque não ex-militares a explicar Físico-Química? Afinal, quem nunca quis ter um sargento a falar de átomos?

O Reino Unido já experimentou isto e nós adoramos copiar modas. Mas claro, isso são medidas de desenrasque. O problema real, atrair e reter professores, exige respeito, investimento e planeamento. Três palavras que a política portuguesa prefere evitar como quem foge da matemática.

Não nos iludamos, isto não se resolve em 2030, nem em 2035. Vai levar tempo, muito tempo. Mas, enquanto isso, repito a pergunta, onde estão as soluções milagrosas?

Silêncio. Só se ouve o eco.

No final do mês vamos começar a ouvir falar do novo ECD e do novo modelo de ADD, pode ser que o sono de duas décadas tenha acabado.

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8 comentários

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    • Ressabiado on 23 de Setembro de 2025 at 10:24
    • Responder

    A escola é um inferno para os professores: para além das turmas atribuídas, são tarefas sem fim, em contacto com os alunos mais variados: emigrantes, alunos NEE, com necessidades particulares, clubes, clubinhos e clubões, enfim, tudo o que se lhes lembra a Direções zelosas que não olham para as reais capacidades dos recursos humanos que têm à frente…. enquanto estas tarefas adicionais não pararem, ninguém consegue aguentar nas escolas. Arranjem animadores sociais.

    • Doutor Fausto on 23 de Setembro de 2025 at 10:38
    • Responder

    Denegriram os professores de uma forma desumana, e agora desunham-se para encontrar soluções. Temos 230 deputados num país que apenas precisa de metade. Por que não colocar os excedentes nas escolas? Seria uma primeira solução. Acrescentando depois os ministros de deseducação que conduziram o país a esta situação!
    Vergonha!

  1. Lembrei-me das figuras que fomos obrigados a fazer pelo Sócrates com os computadores Magalhães (ver link)

    • nba on 23 de Setembro de 2025 at 16:01
    • Responder

    Sobre o novo ECD:
    Coloquem os professores no devido índice remuneratório atendo ao critério do número de anos de serviço prestado.
    Justiça feita. Fim das ultrapassagens. Somos todos professores mas uns levam mais dinheiro para casa do que outros e tendo menos tempo de serviço. Aí está uma de muitas medidas para valorizar a Profissão.

      • Manuel, o impoluto on 24 de Setembro de 2025 at 7:35
      • Responder

      No novo ECD acabar de vez com a CNL e o TEscola, que não interessam nem ao menino Jesus. Como antigamente: 22, 20, 18, 14 CL e pronto. Vão ver se não têm mais professores e mais motivados.

        • Sara e a escola da depressão. on 24 de Setembro de 2025 at 11:26
        • Responder

        Completamente verdade, o que diz.

        Este modelo de escola que a MLR inventou ( escola a tempo inteiro para professores e alunos) é de fugir . É uma verdadeira prisão extremamente cansativa. Não há paciência já!
        Que termine rápido para ver se respiramos e temos alguma saúde mental. Estamos todos deprimidos.
        Esta é a escola da depressão. Para professores e alunos.

    • Ana on 25 de Setembro de 2025 at 10:45
    • Responder

    3 anos de um qualquer curso da treta, zero anos de experiência, muitos sem saber escrever português corretamente e podem ir dar aulas. Pior? Concorrem na mesma prioridade que pessoas não profissionalizadas com cursos exigentes de 5anos e com anos e anos e anos de experiência (anos que são muitos mas que não lhes permitiram mesmo assim ainda a profissionalização. No meu caso,12!12 sofridos e maltratada sempre pelo ME,a suprir há anos faltas)…. e com uma nota melhor porque o curso era uma treta, passam à minha frente nas OE. Belíssimo! É o vale tudo para preencher a falta de professores…sem qualquer critério nem distinção! Agora sim,o ensino está perdido! Agora sim, devem revoltar-se mas não contra quem tem mérito e sacrifício,como eu….que fui bombeira anos e anos do ME e só não estou na minha área por questões de saúde,onde ganharia muito mas muito mais e não teria sido usada e abusada pelo ME estes anos todos. Acabei o secundário com 17, o curso de 5 anos na NoVa com 12 porque o 14 era para génios. Quis profissionalizar-me e tive de chegar aos 1856 anos com horários muitas vezes incompletos..já vi,por exemplo,uma auxiliar ir dar aulas porque tirou uma qualquer licenciatura de 3 anos numa privada qualquer e foi dar português a escrever palavras com erros no quadro! Querem equiparar-me a uma coisa destas???? Por favor….ao que chegámos!

      • Ana on 25 de Setembro de 2025 at 10:47
      • Responder

      Desculpem, 1856 dias de tempo de serviço.

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