Parece que a loucura de trapalhadas tomou conta do país, ultrapassando tudo o que se poderia esperar de uma “silly season”, habitual e típica deste período estival…
A “silly season” este ano deixou de ser o que era:
– As notícias fúteis e superficiais, como a cor dos calções de praia do Presidente da República, deixaram de ser amplamente divulgadas, ainda que a “silliness” ande por aí com uma intensidade nunca antes vista, tantos são os dislates que vão sendo conhecidos por estes dias… Nunca antes vista e nunca tão embaraçosa como agora se afigura…
– As notícias fúteis e superficiais, sem consequências de maior, deram lugar a acontecimentos graves e sérios, que nos remetem para uma espécie de loucura colectiva, um frenesim nacional, sobretudo motivado pelas inúmeras insanidades que dominam o tema dos Exames Nacionais…
E tudo isto seria para rir alarvemente enquanto se está na praia ou numa esplanada, não fosse tratar-se de um assunto demasiado sério, que não pode ser visto com leviandade nem ligeireza…
Ao longo das últimas semanas, vimos e ouvimos o actual Ministro da Educação voltar atrás em várias decisões, mudar de ideias, inverter deliberações… Vimo-lo, enfim, a contradizer-se de forma flagrante, mostrando que a certeza de pareceres ou a estabilidade decisória é uma qualidade que não lhe assiste…
Em vez de estarmos descontraidamente a recarregar baterias para o início do próximo Ano Lectivo, estamos em pleno mês de Agosto sem saber como se concluirão as duas Fases de Exames realizadas e como se desenrolará a terceira, prevista para o início de Setembro…
Queira-se ou não, nada disto é normal e nada disto pode ser visto como aceitável, é escusado tentar branquear o que não tem caiadura possível…
O Ministro da Educação conseguiu a proeza de transformar a habitual “silly season” num circo mediático, num deplorável espectáculo público, alimentado pelo caos e pela incerteza… Isso sem esquecer os inultrapassáveis prejuízos que afectam milhares de Alunos e de Professores Classificadores…
Sim, eu sei, estamos todos fartos e cansados deste tema, mas não há forma de o ignorar, nem de nos livrarmos dele tão depressa… Agradeçamos ao Ministro Fernando Alexandre e à sua comitiva…
Sinceramente, preferia estar a esgrimir argumentos sobre a cor dos calções de praia do Presidente da República ou a dissertar sobre as Férias de um qualquer Artista da nossa praça… Seriam discussões supérfluas, lá isso seriam, mas sempre irritavam menos…
Fazem falta as frivolidades de uma “silly season” à moda antiga, tantas vezes olhada de forma pejorativa, mas que servia para passar o tempo e aliviar preocupações…
Volta, “silly season”, estás perdoada!
Paula Dias



