Não falta competência. Há coragem para sair do automático… e haja paciência para aturar quem nunca construiu nada mas acha sempre que sabe como devia ser feito – Alfredo Leite

Criticam projetos porque “não se aprende”, mas os alunos estão verdadeiramente envolvidos. E o cérebro, quando está envolvido, aprender e deeenvolve competências.

Semana da cultura. Projetos. Atividades. Pensar, decidir, falhar, negociar, apresentar…

E há sempre os mesmos a dizer: “isso não é escola, é perda de tempo, só a matéria é que importa.”

A aprendizagem significativa acontece quando o cérebro liga emoção, ação e contexto. O conhecimento fixa-se quando é usado, não quando é decorado. Transferência de aprendizagem exige contexto real, não folhas repetidas até à exaustão…

O problema é que isto dá trabalho.

Planear, coordenar, gerir comportamento, ajustar no momento. É mais fácil mandar abrir o manual e depois criticar quem faz diferente.

E os adultos que ficam de fora? E os egos?

Os céticos são previsíveis: não organizam nada, mas têm sempre opinião sobre quem organiza.

E sim, estes projetos têm riscos.

Alunos pouco treinados para participar vão gerar conflitos, dispersão, momentos de caos. Claro que sim.

É precisamente aí que está a aprendizagem que nunca cabe numa ficha: autorregulação, comunicação, responsabilidade em tempo real.

Quem acha que isto é perda de tempo está, no fundo, a pedir uma escola silenciosa… e cognitivamente vazia, não é?

Há dias estive nA EBI Manuel da Maia e vi uma coisa que ainda parece incomodar algumas pessoas: alunos a trabalhar a sério… sem estarem sentados calados a copiar do quadro.

Vi adultos, docentes, diretores e parceiros a darem exemplo de dinamismo e até de vulnerabilidade. Que coragem!

Alguns vão pensar: “isso é giro, mas no exame ninguém avalia projetos”, “os miúdos precisam é de matéria”, “isso é brincar às escolinhas modernas”… a esses nem vale a pena responder, porque não estão interessados em crescer l, estão interessados em ter razão.

Agora, para quem está vivo: aprendizagem profunda exige envolvimento ativo, prática deliberada e contexto significativo.

Saber repetir não é saber usar.

E a escola que só treina repetição está a formar memória de curto prazo com prazo de validade ridículo.

Projetos bem feitos não substituem conteúdos, integram-nos. Obrigar um aluno a aplicar conhecimento em situações reais ativa funções executivas, consolida memória de longo prazo e desenvolve competências que nenhum teste isolado consegue medir: tomada de decisão, autorregulação, comunicação sob pressão.

E sim, dá mais trabalho. Exige professores preparados, atentos, com capacidade de ajustar em tempo real. Ou seja, exige profissionalismo a sério. Não o mínimo olímpico.

Se quer alunos calados, previsíveis e esquecidos em duas semanas, continue só com fichas.

Se quer alunos envolvidos, capazes de pensar e agir, aguente o desconforto dos projetos e aprenda a liderá-los bem.

E uma coisa que irrita muita gente admitir: a escola portuguesa tem professores com capacidade para isto. Não falta competência. Há coragem para sair do automático… e haja paciência para aturar quem nunca construiu nada mas acha sempre que sabe como devia ser feito.

 

Alfredo Leite

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1 comentário

    • Manuel, o impoluto on 23 de Abril de 2026 at 13:01
    • Responder

    Como sempre não conta a história toda. Nessa escola, à conta dos projetos, cada professor só tem uma turma e (imagine-se!) em coadjuvãncia!
    Assim, também quero projetos. Quem não quer??!!

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