Muito provavelmente, Fernando Alexandre não seria Ministro, se não tivessem havido tantas Manifestações de Professores…
Mas vamos a algumas recordações:
– Uma das formas de protesto encontradas pelos profissionais de Educação, em particular pelos Professores, contra as políticas educativas impostas pela dupla António Costa/João Costa, foi a realização de várias Manifestações públicas, que acabaram por juntar muitos milhares de pessoas…
– Um dos motivos que levou à realização de tais Manifestações teve a ver com a existência de alguns tiques autoritários em termos de acção governativa, que chegaram a colocar em causa alguns Direitos e Garantias dos cidadãos, como as tentativas de limitar o Direito à Greve e a Liberdade de Expressão e de Opinião, pretendendo, por essa via, impedir, a qualquer custo, a contestação às políticas educativas concebidas por João Costa e António Costa…
– Como exemplos do anterior, assistiram-se a tentativas delimitar o direito à Greve, impondo serviços mínimos, de forma ilegal; passando por intimidar Professores, pela marcação de faltas injustificadas, por motivo de Greve; e acabando até na instauração de um processo disciplinar a umaDirectora de um Agrupamento de Escolas, alegadamente pelo “crime” de afixação de um cartaz com os dizeres: “Estamos a dar a aula mais importante das nossas vidas”…
Em resumo, a onda de contestação à acção governativa de António Costa/João Costa cresceu, e muito, através dessas Manifestações… Essa insatisfação e mal-estar acabaram por dar lugar a um certo sentimento de partilha e de união entre profissionais de Educação, em grande parte propiciado pela participação nessas Manifestações…
Mesmo que o Ministro Fernando Alexandre não tenhaconhecimento de todas as tropelias perpetradas por António Costa/João Costa contra os profissionais de Educação, preponderantemente dirigidas aos Professores, não podem deixar de causar estranheza estas suas recentes afirmações:
– “Eu não consigo perceber como é que se desvalorizou tanto, socialmente, os professores. Os professores, durante muitos anos, andaram em manifestações, com razões para isso, mas o professor é alguém que é respeitado na sociedade por ser alguém que sabe, que tem autoridade, que é respeitado por gerações e gerações de alunos. Alguém que anda em manifestações perde toda essa aura.” (SIC Notícias, em 16 de Setembro de 2025)…
Em primeiro lugar, as Manifestações públicas são uma forma de Liberdade Expressão, que se constitui como um Direito inalienável dos cidadãos de um país democrático;
Em segundo lugar, a maioria dos cidadãos portugueses reconheceu, naquela época, que os Professores tinham motivos inequívocos para se manifestarem publicamente e uma parte significativa dos mesmos, expressou, inclusive, o seu apoio à luta dos Professores;
Em terceiro lugar, torna-se difícil compreender o reconhecimento de que os Professores foram muito desvalorizados socialmente e que tiveram razões para se manifestar, mas, em simultâneo, que não se veja com bonsolhos a sua luta através de Manifestações…
Se isto não é uma contradição, o que será uma contradição?
Será, então, caso para perguntar:
– No entendimento do Ministro Fernando Alexandre, quando existam motivos, como deverão os Professores manifestar o seu descontentamento e a sua insatisfação, de forma a não perderem a sua alegada aura de autoridade e de respeito?
– Existirá da parte do Ministro Fernando Alexandre, algum tipo de preconceito face a Manifestações públicas de classes profissionais?
Como não sei as respostas às perguntas anteriores, lembro apenas estas afirmações de Francisco Sá Carneiro, cujo pensamento político não será, por certo, irrelevante paraFernando Alexandre, enquanto suposto partidário da ideologiaSocial-Democrata, a não ser que o principal Partido Político que sustenta o actual Governo (PSD) esteja equivocado quanto ao seu próprio nome:
– “Não há democracia sem garantia de liberdade em todos os campos.”
– “Em Democracia não há leis indiscutíveis, não há pessoas indiscutíveis, em Democracia só é indiscutível o respeito das liberdades de cada um, o respeito pelo sistema que assegura a representatividade dos órgãos de soberania, dentro de um respeito por esses princípios fundamentais, tudo se pode e deve discutir. É por isso que a Constituição em Democracia, não é irrepreensível.”
E, por último, convirá também recordar que, muito provavelmente, Fernando Alexandre não seria Ministro, se não tivessem havido tantas Manifestações de Professores…
Acreditando, naturalmente, que a insatisfação dos Professores, largamente difundida pelas Manifestações públicas protagonizadas por essa classe profissional, terá contribuído, de forma expressiva, para a votação na coligação partidária que suporta o actual Governo…
Com recurso ao sarcasmo:
– Talvez não seja caso para desprezar assim tanto as ditas Manifestações…
Paula Dias




15 comentários
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Lá está a sempre inconformada dona Paulinha a incitar à revolta…
Espreite pelo outro lado, porque o mundo não é só caos, destruição e dilúvios, existe o lado belo da vida…
Pois claro, a malta quer-se calada, sossegada, conformada e, de preferência, que não pense muito. Ai “o lado belo da vida”, os jardins, os pássaros a esvoaçar, a alegria no ar, as ondas calmantes do mar. Acorde, pá! Isso é um devaneio onírico.
O sr. Ministro demonstrou tiques ditatoriais. Foi o que foi. O neoliberalismo está aí. E o fascismo também.
Concordo completamente consigo. O seu raciocínio é lógico e acutilante.
O descontentamento dos profs organizado em manifestações contribuiu para a ascensão do PSD na sociedade portuguesa levando o a ganhar as eleições, como é óbvio. E a colocar Fernando Alexandre como ministro.
Não sei do que é que ele se queixa!!
Terá medo como Salazar das manifestações do povo?
Receia que os profs portugueses se manifestem contra algumas das suas medidas?
Tem bom remédio. Trate nos bem. Negociei um bom estatuto da carreira docente que valorize os professores. Acabe com o modelo unipessoal de gestão. Torne o cooperativo. E democrático. Deixe ir a eleições os mais capazes e apreciados pela comunidade.E acabe com a palhaçada do modelo de avaliação. Uma verdadeira palhaçada que esmorece e desmotiva os professores honestos e trabalhadores.
Se nos tratar como merecemos, não há que ter medo , sr ministro.! Elas nem existirão.
Nenhum professor faz greve de ânimo leve, nem se organiza com prejuízo da sua vida pessoal para ir para manifs muitas vezes longe do seu local de residência.
👏🏻
Fundamentalmente respeite-nos.
Não nos congele, mesmo que disfarçadamente.
Fala muito em acabar com as vagas. Mas se mantém a obrigatoriedade de Muito Bons e Excelentes, está-nos a atirar para as garras de ditadorzecos que há nas escolas, que se intitulam diretores, coordenadores de departamento ou delegados.
Acabe de vez com esta pouca vergonha que só serve para manter os professores na miséria.
Ainda noutro dia uma aluna me disse que conhece duas pessoas que gostavam de ser professores, mas nunca virão para isto, porque sabem que a carreira não presta, ganha-se mal e porque os alunos são mal comportados. Se para o último há remédios “fáceis”, mas que devem ser moderados porque não é com ditaduras que vamos lá, para os anteriores a resposta ainda é mais simples. É só querer.
Força, Paulinha! É claro que tens toda a razão.
Sem querer defender, até porque não votei PSD ou AD, penso que as palavras do ministro foram mal interpretadas…participei nas diversas manifestações, e, na verdade, socialmente a imagem do professor em constantes greves já estava a “virar-se contra nós “…mas se as greves existem é porque são necessárias, só espero que não voltem a ser com o Novo Estatuto .
A verdade é que muitos sindicatos servem se dos professores para encherem autocarros para manifestações em Lisboa, em vez de resolverem os problemas concretos dos trabalhadores.
Querem ver que os obrigaram a ir!
Meteram nos nos autocarros à força, as 6 da manhã, para voltarem a casa à meia noite.
Tenha juízo. Provavelmente nunca foi a nenhuma manif na vida . Esteve em casa caladinho, sossegadinho, a dormir no sofá e agora usufrui do descongelamento para o qual os seus colegas andaram a lutar.
Sim, vejo que você foi a todas. Contudo não se viu nada, mesmo indo para lá às 6 da manhã, foi a classe mais mal tratada, tantas manifestações e tanta perda de regalias. Digo -lhe que claramente não valeu a pena.
Não valeu a pena?!
Então e o descongelamento?
Preferia a resposta Costista, Mariadelurdista / Socretina ou Passista?!
Desculpe, mas o descongelamento podia ter sido feito na altura da geringonça, mas o PCP, por razoes ideológicas, votou contra a proposta do PSD, que no fundo é igual à atual recuperação. A recuperação é fruto da mudança de governação e do ministro e não fruto das manifestações. De resto, nem vejo qualquer lei nova ou a ser alterada que surgisse das manifestações. As manifestações são tantas e tão assíduas (e sempre com os mesmos) e banalizaram-se tanto que já ninguém lhes dá importância!
Subscrevo! Senti-me ultrajada com as palavras do ministro.
O pequeno grande Alexandre já pode dizer quantos são os alunos sem professor a uma disciplina????