Em Sentido de Alerta

Ao longo de nove anos a solicitar horários, nunca tinha acontecido: e hoje pela primeira vez, nenhum candidato foi colocado, em reserva de recrutamento, para um horário completo do grupo 110 na minha escola, situada num concelho pertencente ao QZP 09.

Noutros grupos de recrutamento, esta realidade tem-se vindo a repetir com alguma frequência. Ainda assim, neste grupo em particular, foi a primeira vez que senti, de forma tão evidente, a ausência de resposta a uma necessidade que antes encontrava sempre com alguma facilidade.

Aquilo que durante anos parecia uma dificuldade pontual começa agora a revelar-se como um problema estrutural: a escassez crescente de professores. As escolas vão sentindo, de forma cada vez mais evidente, a dificuldade em encontrar docentes disponíveis para assegurar horários completos, mesmo em grupos tradicionalmente mais estáveis. E o que hoje surge como um caso isolado poderá, dentro de poucos anos, transformar-se numa realidade comum em muitas outras regiões do país que até agora estavam estabilizadas.

O envelhecimento da classe docente, a aposentação de milhares de professores, o desgaste acumulado da profissão e a reduzida atratividade da carreira para os mais jovens desenham um cenário preocupante. Se nada mudar, as escolas enfrentarão não apenas a falta de candidatos, mas também a dificuldade em garantir continuidade pedagógica, estabilidade das equipas e resposta adequada às necessidades dos alunos.

Mais do que um episódio administrativo, este vazio num horário completo parece ser já o eco de uma transformação profunda no sistema educativo — silenciosa, gradual e cada vez mais impossível de ignorar.

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2 comentários

    • Teresa on 14 de Maio de 2026 at 20:36
    • Responder

    “regiões do país que até agora estavão?”
    Que erro foi esse sr. professor?
    Deveria ter escrito “ESTAVAM estabilizadas”.

    • FrankieAT on 15 de Maio de 2026 at 8:24
    • Responder

    Acordou agora?

    Há uns 15 anos ( por altura do Crato e Cª, Lda.), fiz um calculo na minha escola e, seguramente, 80% dos docentes tinham mais de 50 anos. Em todos os ciclos. Em todos os grupos.
    E o Crato (e Cº Lda) promoveu a saída de docentes (rescisão por mutuo acordo) e mando-os imigrar ( sair da sua zona de conforto.

    De lá para cá, o docente mais novo, que havia na minha escola, tinha 46 anos e foi sempre a piorar e só não via quem não queria. E nunca vi essa situação discutida em praça pública até porque o “grande problema” da educação era ( e continua a ser) a recuperação do TS dos docentes, a progressão dos docentes, o diabo a quatro dos docentes.

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