Já não há vergonha

Professor precisa-se, mas cigano

Ser cigano é um dos requisitos pedidos num dos anúncios disponíveis na Bolsa de Recrutamento de professores, disponível no site da Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação (DGRHE).

Já não há vergonha para o que se vai passando na contratação de escola. Abstenho-me de qualquer comentário a esta notícia, apenas trancrevo o que alguém deixou no Sol.

Ando à procura de emprego.

Não sou cigano, nem sou preto.

Não sou ucraniano, nem chinês, nem moldavo.

Sou português e sou licenciado.

Tenho alguma hipótese???!!!

Adenda: Para memória futura fica aqui disponibilizado o Print Screen da referida Oferta que afinal pede um mediador e não um professor.  Conhecendo minimamente a etnia cigana parece normal que esta oferta seja destinada a alguém de raça cigana e mesmo sendo de étnia cigana existem outros critérios que devem pesar na seleção deste candidato. Pela cultura deste povo este mediador não pode ter conflitos com os membros ou familiares do grupo em causa. Existem especificidades de ofertas que tendo em conta o panorama de desemprego que existe na classe docente podia muito bem ser colocado numa outra aplicação de concurso de forma a não se criar uma confusão desnecessária.

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21 comentários

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    • Tiago on 6 de Outubro de 2011 at 17:55
    • Responder

    Atenção que esta vaga deverá estar direccionada para o lugar de mediador, nomeadamente com alguma comunidade cigana. Por esse motivo (e eu sei porque é que escolhem alguém da mesma etnia para fazer a “ponte” com as famílias) não pode ser qualquer pessoa a preencher os requisitos.

    Há critérios duvidosos nestes concursos mas atenção aos casos particulares.

      • Mª Luísa Rodrigues on 6 de Outubro de 2011 at 18:03
      • Responder

      Por favor! Por acaso, nem é frequente fazerem parte das nossas turmas crianças de diferentes etnias?!! Ah, esperem… quando tal acontece temos um assessor para fazer a “ponte”. Por favor não brinquem.

        • Tiago on 6 de Outubro de 2011 at 18:27
        • Responder

        Já teve alguma experiência de leccionar turmas com 15 ou mais miúdos desta etnia? Eu tive um ano com uma turma de PCA e percebi que não é fácil a comunicação com as famílias desta comunidade. Percebi, por exemplo, que até o facto de a Directora de Turma ser uma mulher pode ser uma barreira para chegar ao Patriarca destas comunidades (pelo papel que o homem ainda tem na cultura cigana).
        Além disso, e se esta vaga é mesmo para mediador, acredite que não é fácil andar um dia inteiro a fazer de ama-seca de “alunos” que vão à escola não para aprender mas para poderem, por exemplo, ter uma refeição decente…
        Como jovem professor agora no desemprego choca-me, sim, critérios como a área de residência (então não era suposto termos mobilidade no trabalho) ou a idade do candidato, entre outros critérios imaginativos.

          • Ginha on 6 de Outubro de 2011 at 21:20

          Por muita razão que tenha será que se lembrou que existe a Constituição, igualdade de oportunidades…escola pública?…

          • Ana Guedes on 6 de Outubro de 2011 at 21:57

          O Tiago tem razão! Só quem já teve experiências como DT em que existiam alunos de etnia cigana percebe a dificuldade em dialogar com as famílias. Como já tive essa experiência, entendo que o critério poderá não ser assim tão aberrante!

          • Bruno Reis on 7 de Outubro de 2011 at 0:02

          Caro Tiago,
          Respeitando as diferenças culturais entre diferentes etnias ou nacionalidades não posso aceitar que, no nosso território, nas nossas escolas as professoras não sejam bem aceites como DTs só por serem mulheres.
          Se fossemos respeitar esse tipo de discriminação, não faltaria muito para que só se pudesse leccionar a turmas de etnia cigana vestido de preto e com chapéu na cabeça.
          Se nós temos de respeitar o próximo e a sua individualidade também é válido que o próximo, seja de que etnia for, nos respeite a nós e à nossa forma de vida. Não é porque os ciganos (acredito que nem todos) tratem as mulheres como sub-humanas que eu faria o mesmo à minha esposa se estivesse na presença deles.

          No fundo, o que quero dizer é o seguinte: devemos, sem dúvida, respeitar os outros, mas não nos podemos esquecer de nos respeitarmos a nós mesmos.

          • Tiago on 7 de Outubro de 2011 at 1:44

          Bruno, percebo o que está a dizer. Como disse antes, estive numa escola em que existe uma grande comunidade cigana que tem características específicas. Muitas vezes os professores tinham debates sobre o que é que aquelas crianças estavam ali a fazer e o que é que aprendiam ao fim de 9 anos (ou mais) de escolaridade: na nossa opinião muito pouco e isso deveria levar os nossos “(des)governantes” a reflectir sobre se não andamos a desperdiçar dinheiro. A juntar a isso ainda há a agravante que referiu: as mulheres desta etnia não têm direitos iguais aos dos homens. Quando eu ouvia que jovens de 14 anos se iam casar e abandonar a escola obviamente que isso me chocava. Muitas vezes até são elas as mais aplicadas e são obrigadas a deixar de estudar.
          Isto vai demorar gerações a mudar mas espero que lá cheguemos (embora no terreno veja uma realidade muito menos cor-de-rosa)…
          P.S: Na escola onde estava anteriormente também havia a figura do tal mediador e também ele era de etnia cigana. Por isso falei nisso. A opção por recrutar pessoas desta etnia tem, assim, explicações que não me parecem estar relacionadas com cunhas.

    • É, é... on 6 de Outubro de 2011 at 18:30
    • Responder

    Se fossem era todos para onde eu bem sei… Que país vergonhoso, sinto NOJO de ser portugues, sinto raiva por ser portugues, sinto vergonha de ser portugues, sinto-me na mer#$ por ser portugues, sou roubado por ser portugues, só queria ser cigano, receberia o rendimento mínimo, teria uma casa de habitaçao social, os meus filhos teriam escola, vendera livremente nas feiras, traficaria à vontade… MALDITO ANO DE 1974!!! MALDITA REVOLUÇAO DE MARICAS COM CRAVOS NAS ESPINGARDAS, MALDITO PAÍS ESTE… MALDITA VIDA…

    • Tuga on 6 de Outubro de 2011 at 18:39
    • Responder

    é, é… vergonha? vergonha mesmo! Quem nao se sente nao é filho de boa gente.

    • Magui on 6 de Outubro de 2011 at 20:29
    • Responder

    Realmente nem merece comentários, mas…. por acaso algum de vocês já teve – na escola – algum COLEGA de etnia cigana? E se esquecermos a nossa profissão, alguém já viu alguma vez “algum” a “trabalhar” sem ser nos oficios que lhes são conhecidos??
    Se tiver alguma resposta afirmativa, reconheço que vou ficar mesmo muito surpreendida, lá terei de reconhecer a minha ignorância…… caso contrário, não entendo o que motiva uma oferta de escola com critérios desta natureza!!!

    Será alguma brincadeira? alguma montagem feita para ridicularizar ainda mais o que, só por si, já é suficientemente ridículo??? Não entendo nada…

      • Frank on 7 de Outubro de 2011 at 13:24
      • Responder

      Concordo que este critério é descriminatório, pois parece que os professores não estão preparados para enfrentar qualquer desafio, no entanto também reconheço que trabalhar com alunos desta etnia é preciso ter conhecimento profundo da sua cultura, hábitos, etc…penso que foi por isso que a escola decidiu colocar este critério.
      Respondendo à sua questão: Conheço um caso, no hospital de Beja existe um Sr penso que assistente social de etnia cigana que só trabalha com ciganos é mediador e digo-lhe que resulta bastante bem pois este sr sabe falar com eles.

    • Hummm on 6 de Outubro de 2011 at 21:33
    • Responder

    Este Tiago ou e cigano… Ou e o fauno k vais ficar k a vaga…

  1. É preciso não ter vergonha para pedir tal critério… uma falta de respeito…

    • Maria Martins on 7 de Outubro de 2011 at 18:50
    • Responder

    Acho piada a todos estes comentários… Até gostaria de ver um dos que aqui falam contra este critério, ser colocado nesta escola, exatamente com esta função ou até com a função de DT ou mesmo como simples professor de uma disciplina. Não tardaria a estar stressado, doente, sempre a resmungar contra a situação de ter ali sido colocado e não numa escola de alunos “normais” provenientes de famílias também “normais”, etc, etc. Com geito (que todos nós sabemos como) lá arranjaria um atestado para descansar … Pois sabem? Eu acho que é destes mediadores de etnias diferentes que cada vez mais necessitamos nas nossas escolas e dou os parabens a esta escola de ter a coragem de colocar este critério de seleção.

      • Olha uma com um tacho enorme.. on 7 de Outubro de 2011 at 19:04
      • Responder

      No comment

      • Ana Guedes on 7 de Outubro de 2011 at 22:59
      • Responder

      Tem toda a razão, Maria! Esta gente que aqui comenta desconhece completamente o que é trabalhar com crianças ciganas! Além disso, parece tb que não perceberam que se trata de um MEDIADOR e não de um PROFESSOR. Enfim…

  2. A idiotia parece ser ilimitada…
    Vejamos, se querem um cigano para dar aulas fazer de DT ou a merda que quiserem, então arranjem escolas próprias para ciganos só com professores ciganos, depois continuem e façam isso com os pretos (separados por origem, pois, por exemplo, os cabo-verdianos e os angolanos odeiam-se), com os ucranianos, com os brasileiros e por aí fora…
    Tenham mas é juízo e poupem-me de ouvir mais disparates do que aquele que li…

    • Ana Guedes on 8 de Outubro de 2011 at 19:28
    • Responder

    Colegas,
    Afinal não é minimamente ielgal esta situação, até está prevista na lei. Faz todo o sentido que assim seja. Leiam o post do Paulo Gionte sobre este asunto aqui: http://educar.wordpress.com/2011/10/08/ainda-sobre-o-estatuto-de-mediador/#comments

      • Anónimo on 8 de Outubro de 2011 at 19:29
      • Responder

      Desculpem os erros. Onde se lê ielgal deve ler-se ilegal; onde se lê Paulo Gionte, deve ler-se Guinote.
      Sorry

    • Vanda on 10 de Outubro de 2011 at 1:47
    • Responder

    O que me parece é que esta vaga já estará destinada a uma certa pessoa e daí tantas exigências

    • Anónimo on 10 de Outubro de 2011 at 13:48
    • Responder

    Só uma pequena chamada de atenção:

    1ª Dever de se informarem;
    2º Opinarem com conhecimento de causa;
    3º Construirem e não destruirem;
    4º Aproveitar o tempo devidamente;
    5º Evitar a estupidez;
    5º Empenhar-se em ser mais inteligente, ou pelo menos, esperto.

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