Novas Oportunidades vão voltar, mas agora com o nome Qualifica

Novas Oportunidades vão voltar, mas agora com o nome Qualifica

 

 

Até ao final de 2017 o Governo promete ter 300 centros em funcionamento, o que representa um aumento de 26% em relação ao número actual.

 

adultos

 

 

Com José Sócrates chamaram-se Centros Novas Oportunidades. Com Passos Coelho o nome mudou para Centros de Qualificação e Ensino Profissional. Com António Costa vão passar a chamar-se Centros Qualifica e o seu número vai de novo aumentar.

Estes centros são a peça central dos processos de educação e formação de adultos. Actualmente existem 240, mas até ao final de 2017 o seu número subirá para 300 em Portugal continental, segundo dados enviados ao PÚBLICO pelo Ministério do Trabalho e da Segurança Social, que em conjunto com o Ministério da Educação tutela esta área.

A expansão da rede dos centros de formação de adultos será anunciada pelo Governo nos próximos dias no âmbito do “relançamento” deste programa, que teve o seu ponto alto no primeiro Governo de José Sócrates, com o lançamento das Novas Oportunidades, mas “foi praticamente desmantelado” na anterior legislatura, segundo disse em Março o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, quando o Governo decidiu criar o chamado Programa Integrado de Educação e Formação de Adultos.

Os números neste domínio falam por si. Dos 459 Centros Novas Oportunidades que chegaram a existir em 2010 passou-se em 2016 para 241 Centros de Qualificação e Emprego Profissional. Em 2010, um dos anos de apogeu das Novas Oportunidades, o número de adultos que conseguiram equivalência ao ensino básico e secundário através dos processos de Reconhecimento Validação e Certificação de Competências (RVCC) foi de 106.053. No primeiro semestre deste ano apenas 1880 adultos conseguiram estas certificações e em 2015 foram 2662.

Os processos RVCC constituíram a modalidade mais popular das Novas Oportunidades. A maior parte dos mais de 400 mil adultos (inscreveu-se mais de um milhão) que obtiveram certificação escolar no âmbito daquele programa,  lançado em 2005, fê-lo através destes processos, que visam dar equivalência ao nível do ensino básico (1.º, 2.º ou 3.º ciclo) ou secundário (12.º ano). Duram em média entre cinco e dez meses e têm na base a experiência de vida dos candidatos.

O anterior Governo PSD/CDS alterou profundamente os processos RVCC, impondo a realização de uma prova final que contava 50% para a classificação final dos candidatos. O executivo de António Costa ainda não especificou que modalidades terão os processos RVCC, mas na informação enviada ao PÚBLICO refere-se que serão complementares “à possibilidade efectiva de aumentar e desenvolver competências através de formação qualificante”.

Uma das apostas, confirmou recentemente o Ministério da Educação, passará pelo relançamento dos cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA), mais exigentes do que os processos de RVCC e que conferem também certificação profissional. Nos últimos anos, estes cursos praticamente despareceram das escolas públicas, onde eram ministrados. O número de inscritos nos EFA caiu de 79.368 pessoas em 2010 para 11.844 em 2014.

O relançamento dos processos de formação e adultos é justificado com o facto de 55% da população portuguesa adulta não ter completado o ensino secundário, o que, segundo o Governo, “limita o potencial de crescimento, de inovação e produtividade do país, para além de comprometer seriamente a participação e progressão destas pessoas no mercado de trabalho”. De acordo com Tiago Brandão Rodrigues, este novo programa vai dirigir-se a todos os que “não tiveram oportunidade de estudar no tempo mais natural, mas também àqueles que, ainda sendo jovens, não conseguiram completar a escolaridade obrigatória”.

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7 comentários

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    • Magna on 15 de Agosto de 2016 at 18:39
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    Seria uma boa medida permitir que professores de Educação Visual e Tecnológica -EVT- possam concorrer através da plataforma SIGRHE para dar aulas nestes cursos para adultos, nas disciplinas que constassem nos planos dos seus cursos de licenciatura ou mestrado pois também tiveram que ter aproveitamento a disciplinas ditas académicas e por isso têm a mesma capacidade que os outros de cursos vertente teóricos. Seria uma forma de diminuir o desemprego nesta área da docência tendo em conta que estes professores destas áreas estão constantemente a ser esquecidos e desvalorizados por parte dos sucessivos governos onde existe muito desemprego e aqui pode estar uma oportunidade de colmatar essa falha.

      • Paulo on 16 de Agosto de 2016 at 3:28
      • Responder

      Seria uma boa oportunidade de levarem uma boa vida, principalmente se voltar a ser lecionada em par pedagógico.

        • Karma on 19 de Agosto de 2016 at 17:57
        • Responder

        Um comentário digno de um grande monte de m…* e além da ignorância demonstrada. Oxalá que lhe aconteça o mesmo as políticas mudarem e ficar sem emprego para ver o que é bom para a tosse. E que seja permitido que professores de EVT possam concorrer para dar aulas nestes cursos e nem quero imaginar uns quantos a espumarem-se de raivinha…

    • Trocatintas on 17 de Agosto de 2016 at 23:43
    • Responder

    Enquanto o ME não criar um quadro específico de docentes com formação especializada em Ensino e Formação de Adultos, a intenção destes projetos estará sempre condenada à gula de oportunistas que ciclicamente os comprometem.

    • Anabela on 19 de Agosto de 2016 at 17:56
    • Responder

    EFA e RVCC significa alunos que comparecem 1 vez por semana às aulas e a quem não lhes é marcado falta porque os formadores não os querem excluir e ficar sem trabalho. Trabalho esse que é NADA. Também quero!

      • Maria on 19 de Agosto de 2016 at 22:32
      • Responder

      Se a Anabela falou por experiência própria, com essa postura, não me surpreende o estado a que chegaram os cursos RVCC e EFA, mas se opinou só porque sim, acabou de perder uma boa oportunidade de ficar quieta.
      É por comentários destes que se percebe quem quer integrar estes projetos. Lamentável!…

        • Karma on 21 de Agosto de 2016 at 23:16
        • Responder

        É mesmo, são estes pseudo-profissionais de tuta e meia que não passam de oportunistas e estragam o que podia ser uma boa medida pois bem implementada beneficia quem recorre a estes cursos e o país também. A competência é transversal independentemente do curso de quem concorre para dar estas aulas, por isso devia ser possível que qualquer profissional formado na área do Ensino mesmo na área de EVT ou Artes possa concorrer desde que tenha o CCP e tenha tido no seu programa de estudo da sua licenciatura as disciplinas que pretende ensinar. Se teve geometria que lhe seja possível leccionar estas disciplinas!

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