O aumento de 29% no número de alunos com necessidades específicas em apenas dez anos devia ter sido acompanhado por uma política séria de reforço da Educação Especial. Mas o que vemos nas escolas é exatamente o contrário: falta de professores especializados, técnicos insuficientes, respostas tardias e uma sobrecarga crescente sobre docentes e famílias.
Portugal continua a falar de “escola inclusiva” enquanto mantém milhares de alunos sem o apoio individualizado de que necessitam. A inclusão não se faz apenas com decretos, faz-se com recursos humanos qualificados, estabilidade nas equipas e investimento contínuo. Quando um professor de Educação Especial acompanha dezenas de alunos em vários estabelecimentos, deixa de existir verdadeiro acompanhamento pedagógico.
O problema já não é conjuntural, é estrutural. Há anos que os cursos de especialização não conseguem responder às necessidades do sistema, muitos docentes abandonam a área devido ao desgaste e a colocação tardia de profissionais compromete todo o trabalho educativo. Entretanto, os alunos esperam e as famílias desesperam.
Uma sociedade mede-se pela forma como trata os seus alunos mais vulneráveis. E neste momento, o Estado está a pedir à escola pública que faça inclusão sem lhe dar condições para a concretizar.




1 comentário
Na realidade, a minha percepção relativamente aos alunos com necessidades específicas, é que a esmagadora maioria não as tem. Afinal, só um relatório médico é capaz de determinar quais as ditas necessidades específicas dos alunos. Ora, na minha experiência, os alunos incluídos nestas necessidades, geralmente têm apenas um relatório de uma psicológica, que não é médica e uns pareceres de colegas que decidiram complementar os seus graus académicos com especializações manhosas.
Esta trapalhada do ensino inclusivo, apenaa é uma forma de poupar dinheiro ao estado e, na minha modesta opinião , é mais uma palhaçada para criar o caos no ensino público.
Lamento, mas só num país de mentecaptos é que é possível decidir sem um parecer médico,
se um aluno deve deve ser considerado com necessidades de aprendizagem específicas.
Por isso, estar a defender a ideia de que o estado não criou condições para tal, o que é a pura verdade, ” não aquece, nem arrefece.
Antes de mais, as necessidades específicas devem ser bem definidas por quem de direito e só depois, poderemos pedir as condições necessárias para trabalhar com os alunos que são realmente mais vulneráveis . Masque seja um trabalho sério e com dignidade, principalmente para os alunos.