Governo e sindicatos dão hoje pontapé de saída no processo negocial sobre o Estatuto da Carreira Docente

A Fenprof (Federação Nacional de Professores) vai reunir-se esta manhã, a partir das 10 horas, na instalações do Ministério da Educação, Ciência e Inovação para discutir a revisão do Estatuto da Carreira Docente.
Em comunicado, a Fenprof explica que “a revisão do estatuto da carreira docente deverá merecer dos professores e dos educadores um acompanhamento próximo e um envolvimento total na construção de propostas, no traçar de «linhas vermelhas» e, sempre que necessário, na luta em defesa das propostas que considerem justas e contra uma eventual descaraterização, ainda maior, da profissão que escolheram”.
No que diz respeito às ultrapassagens na carreira, “a Fenprof contestou a sua não aplicação aos docentes que já se encontravam na carreira e tinham perdido tempo de serviço nas transições entre diferentes estruturas, verificadas em 2007 e 2010 (até quatro anos de serviço).”
Esta segunda-feira, arranca a primeira reunião negocial entre a tutela e sindicatos para discutir um novo Estatuto da Carreira Docente (ECD), um processo que segundo o ministro Fernando Alexandre poderá demorar cerca de um ano a estar concluído.
“A revisão será positiva se for no sentido necessário e que a profissão exige para ultrapassar o grave problema da falta de professores: a sua valorização. Veremos se é essa a intenção dos responsáveis do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI)”, afirmou a Federação Nacional dos Professores, em comunicado.
Os professores pedem aumentos salariais e o ministro tem-se mostrado sensível ao tema, tendo já reconhecido que os salários nos primeiros escalões da carreira são “de facto, muito baixos”.
Além da carreira e salários, o ECD define outros direitos e deveres como a avaliação de desempenho ou os horários de trabalho e, neste último ponto, a Fenprof entende que é preciso “de uma vez por todas, a justa clarificação sobre o que é da componente letiva e da não letiva” e “o que é trabalho individual ou de estabelecimento”.
Os professores reclamam também um regime de aposentação específico, que tenha em conta a “natureza da profissão” e o “desgaste a que os profissionais estão sujeitos”.
Os princípios gerais da formação de professores e os requisitos para acesso à profissão, assim como o ingresso nos quadros são outros dos pontos que sindicatos e tutela terão de debater.
A Fenprof salienta que é essencial desenhar um ECD que torne a profissão mais atrativa e que não esqueça por isso também as modalidades de mobilidade, o regime de faltas, as férias e licenças.
A Fenprof “não irá tolerar que a transição para a nova carreira sirva, como no passado, para roubar tempo aos professores. Exigirá que o critério a adotar seja o da contagem integral do tempo de serviço, de forma que cada um seja posicionado no escalão correto da carreira”, sublinham.
O topo da carreira docente deve ser equiparado ao da carreira dos técnicos superiores, sendo que deve haver uma valorização dos índices de todos os escalões, devem acabar as vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões assim como as quotas na avaliação.
“A não ser assim, os professores voltarão, determinados, a lutar por justiça, pelos seus direitos e pela valorização da profissão”, avisa.
O Governo aprovou, para este ano, um conjunto de medidas para tentar responder à falta de professores nas escolas, que passam pela possibilidade de contratar professores aposentados com uma remuneração extra ou de bolseiros de doutoramento.
Além do plano “+ Aulas + Sucesso”, o Governo criou um apoio a professores deslocados colocados em escolas para onde é difícil contratar docentes e vai realizar, ainda durante o 1.º período, um novo concurso de vinculação extraordinária para as escolas mais carenciadas.




15 comentários
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Acabar com as vagas de acesso, os muito bom e excelente, para os que frequentam vezes sem conta, os gabinetes dos diretores (para dizer mal dos colegas, e a direção acredita). Não para falar dos seus alunos que têm mais ou menos dificuldades (até porque estes problemas ficam em ata).
Todos os professores fazem o seu trabalho com respeito e dignidade (tirando um ou outro caso)!
Por este motivo, a maioria dos professores têm carreiras mais longas.
E a maioria dos professores beneficiários nem são sindicalizados!…. E os sindicatos alinham no previlégios, só para alguns, CHEGA!
Por favor, está na altura de lutar, por justiça!
SEM COTAS, SEM PREVILÉGIOS, FIM DAS ULTRAPASSAGENS!
Era voltar ao estatuto pré Lurdes Rodrigues. Simples.
Bons tempos esses.
Um professor com 14 horas eram mesmo 14 e mais nada. E se fosse coordenador eram 4 h a reduzir às 14, ou seja, tinha 10 horas de aulas. E eram essas horas que era obrigado a estar na escola. Não estava na escola a encher pneus.
Mas o horario de trabalho dos servidores do estado sao 35h e não 10h nem 14h .
É até uma vervonha escrever tal desiderato num Fórum.
Trabalhar 10h… e ganhar 1800 euros ou mais é Vergonhoso.Estimada colega tenha juizo e vergonha
Tem que se juntar à convenção dos masoquistas. Estão lá a sentir falta dos seus desideratos.
Seu Justiceiro:
Você tem de entender que há profissões diferenciadas.
Então, porque não diz que o professor do ensino superior também tem de ter as 35 horas de castigo?
Você é um daqueles que deve andar na escola a gostar de encher pneus de trator.
Você ainda não chegou ao estádio de desenvolvimento completo de saber entender as coisas.
Concordo com cotas.
Nao concordo com SADD.
CONCORDO COM COTAS ATRAVÉS DE EXAMES NO 5 E 7 ESCALÕES.
Concordo com cotas.
Nao concordo com SADD.
CONCORDO COM COTAS ATRAVÉS DE EXAMES NO 5 E 7 ESCALÕES.
Então e o tempo de serviço roubado aos que estão no topo da carreira?Ficam fora do”acordo” e os sindicatos caladinhos?
Vamos ver o que diz a Provedoria de Justiça!
vou preparar a vaselina
Carreira diferenciada, já
Os docentes NÃO são todos iguais , porra ( seja nas habilitações académicas e outras, seja no conteúdo funcional) . Dispenso-me de dar um exemplo. Igualar o que é gritantemente desigual é uma aberração – só em Portugal !!
Aliás, a maldita carreira é tão aberrante que – para chegar ao topo – não é necessário estudar nem sequer ser professor !!( veja-se o caso do sr. nogueira ) .
Dificilmente a graduação vai ser pelo grau de qualificações do docente pois a maioria dos decisores foram formados e têm licenciaturas (antes de Bolonha) e julgam pretensiosamente suas licenciaturas com mais valor que mestrados ou doutoramentos. E a saga da graduação da contagem de tempo de serviço vai continuar, então vimos nas Escolas, licenciados a receber mais do que quem tem doutoramento e ficam à frente nas listas de ordenação de quem possui mais qualificações só porque têm mais tempo de serviço só porque tiveram a sorte de nunca conhecer desemprego. Uma boa mensagem para dizer aos mais novos «não vale a pena queimar as pestanas em estudar mestrados ou doutoramentos »e depois falam na Valorização e Qualidade do Ensino. Surreal!
Nao tem lógica excluir do acordo os professores que estão no topo da carreira, roubando-lhes tempo de serviço.
O tempo de serviço nao utilizado pelos professores que se encontram nos escalões superiores deve ser descontado na idade para entrar na reforma.
Que pena e vergonha continuar a não ser falado na diferenciação, tão penalizadora da monodocencia!!!