O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) surpreendeu os sindicatos de professores com o anúncio de uma revisão do modelo de gestão das escolas, a ser discutido e negociado já nas próximas semanas. Esta notícia foi revelada na última quinta-feira, durante uma reunião entre o MECI e representantes dos sindicatos, marcando o início de uma nova fase de negociações que deverá culminar no primeiro trimestre de 2025.
Ministério da Educação surpreende sindicatos com novo modelo de gestão das escolas. Negociações começam já nas próximas semanas
Mudanças na eleição dos diretores
Entre as questões que serão discutidas, destaca-se a eleição dos diretores das escolas, um tema que há muito gera descontentamento entre os professores. Atualmente, os diretores são eleitos por um conselho geral, que inclui não só professores, mas também representantes da comunidade escolar, pais, autarquias e elementos externos à escola. No entanto, muitos professores preferem que o processo de eleição seja restrito ao corpo docente.
Rui Cardoso, diretor do Agrupamento de Escolas de Viso, em Viseu, expressa esta preocupação: “Os professores querem que o diretor volte a ser eleito apenas pelos professores, mas o Governo deverá manter o conselho geral.” Cardoso acredita que, mesmo que o modelo de eleição por conselho geral seja mantido, poderão surgir mudanças na constituição da equipa de gestão. “Penso que a mudança poderá passar pela eleição de uma equipa de quatro elementos, e não apenas do diretor”, acrescentou.
Outros temas em negociação
Além do modelo de gestão escolar, estão previstas revisões ao Estatuto da Carreira Docente e à Mobilidade por Doença, matérias que também deverão ser discutidas nos próximos meses. O MECI comprometeu-se a apresentar uma proposta de diploma sobre o regime de habilitação para a docência, onde se deverá incluir o valor dos subsídios a pagar aos estagiários que lecionem. Esta é uma questão sensível para os sindicatos, que defendem uma remuneração adequada para os futuros docentes.
Os diretores das escolas recebem atualmente um subsídio, que pode ir até 750€, dependendo da dimensão da instituição que lideram. Este valor, no entanto, não é atualizado desde 2008, o que tem suscitado críticas de que não reflete as responsabilidades e desafios inerentes à função.
Rui Cardoso acredita que, para tornar o cargo de diretor mais atrativo e aumentar o número de candidatos qualificados, o Governo deverá equiparar os diretores das escolas aos dirigentes da função pública, que auferem salários mais elevados. “Se o objetivo é atrair mais candidatos à liderança das escolas, é necessário melhorar as condições remuneratórias e o reconhecimento do cargo”, defende Cardoso.
A reunião entre o MECI e os sindicatos foi conduzida por Pedro Dantas da Cunha, secretário de Estado da Administração e Inovação Educativa. O encontro marcou o início de um processo de negociação que poderá trazer mudanças significativas ao panorama da gestão escolar em Portugal. Os próximos meses serão decisivos para determinar o futuro das escolas e dos profissionais que nelas atuam, com foco na melhoria das condições de trabalho e na adaptação dos modelos de gestão às realidades atuais.




16 comentários
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Tudo o que seja dar mais poder a uma personagem muitas vezes ditadora e abusiva “O Diretor” vai no mau caminho. E, pelos vistos, com o aumento salarial, o que se pretende é aumentar o poder do “diretor”.
Infelizmente, começa a parecer que tudo o que o PSD quer mudar na educação, acaba por prejudicar ainda mais o ambiente escolar e sobretudo é contra os interesses dos professores.
FDP.
Tudo muito bem, e a medicina do trabalho, para quando?
Já está a ser usada em muitas escolas, nomeadamente para os professores escolherem os níveis, número de turmas e em que dias e horas querem trabalhar.
Não concordo com Rui cardoso, quando diz que para atrair candidatos tem de se lhes aumentar o salário. Candidatos não faltam , infelizmente muito fracos, são eles que decidem sobre a avaliação de desempenho, que na minha opinião devia ser publicada. Tudo o que se comenta sobre o assunto descredibiliza a Direção e instituições.
Rui Cardoso quer encher o tacho até este vazar.
Eu continuo a reiterar e fá-lo-ei até abandonar a profissão: O DIRETOR e a sua equipa devem ser ELEITOS PELOS SEUS PARES, POR TODOS OS DOCENTES!
Desde que se alterou esse direito que tínhamos, o ambiente nas escolas piorou em virtude de alguns “pacóvios diretores e afins” acharem que têm o rei na barriga e abusam do poder que lhes é dado. A maioria dos elementos do Conselho Geral são comprados com uma excelente classificação na ADD e assim segue caminho a CORRUPÇÃO!
VAMOS LUTAR PARA QUE ACABAR DEFINITIVAMENTE COM OS TACHOS INSTALADOS ANTES DE GANHEM FERRUGEM!
@Ângela. Subscrevo tudo o que diz . Em mais de uma dezena de agrupamentos por onde passei, o que se diz sobre quem teve excelente ou muito bom é de bradar aos céus. Percebo, por que razão, muitos dos docentes já não levam a sério a profissão. Os prejudicados são sempre os alunos.
Coitadinhas das crianças…
Concordo plenamente. O Diretor deve ser eleito por todos os Docente.
Concordo plenamente com a colega. Acrescento que todos os diretores devem ter formação em Administração Escolar e Administração Educacional.
O NOVO MINISTRO DA EDUCAÇÃO começou com bonitas palavras, mas continua a pensar que as escolas só têm docentes (professores). Então e os não docentes? são os assistentes operacionais, assistentes técnicos, psicólogos, técnicos superiores, Técnicos da Fala, Da língua Gestual e outros, não precisam valorizados e respeitados? Quando faltam nas escolas os docentes já não aulas porquê? se são fundamentais, porque são esquecidos? depois admiram-se quando estão de baixa médica e mudam para outros serviços.. ze toy
As escolas não são só professores! Dos técnicos superiores não se ouve falar.
Vinculos precarios, com concursos anuais, sem possibilidade de mobilidade.
Avaliados pelo SIADAP com cotas para as avaliações e consequentemente para a sua progressão.
Então? Os não docentes ficam de fora na eleição do Diretor?
Os directores já têm demasiado poder, o que se traduz em prepotência e favoritismos.
Os donos deste blog só querem saber do guito e do poder infinito
Os professores podem fazê-lo preenchendo o inquérito de auscultação que está no site da fenprof!!! São os sindicatos que levam para as negócios as nossas propostas. Assim o ministério não pode dizer que as propostas do sindicato não são as propostas dos professores. Colegas, vamos deixar de andar atrás do prejuízo.
Valorização salrial do cargo de diretor? Ok!
E a valorização salarial dos professores que exercem os cargos de direcção de turma, de coordenador de departamento e de coordenador de áreas disdiciplinares? Nada!?
Todos os cargos devem ter uma!
O que aconteceu aos professores da norma travão que o ministro disse que ia ver caso a caso??
Onde estão? O que aconteceu? Porque é que ninguém fala nisso?
Há relatos de professores que no ano passado eram contratados, não aparecem colocados em nenhuma lista e que em setembro apareceram milagrosamente em quadros de escola.
E apareceram em escolas para onde na MI houve professores mais graduados que concorram para vincular e não conseguiram.
Serão esses casos?
Se são? Como conseguiram ultrapassarem docentes mais graduados?