O novo ministro da Educação tem à sua frente uma bifurcação: Continua a fazer tudo como os seus antecessores, fazendo-se rodear de tecnocratas conhecedores de tudo o que à Educação diz respeito, ignorando os professores.
Ou cria uma comissão de consultores constituída por professores com serviço efetivo prestado dentro das salas de aula. Provenientes de todos os distritos, verdadeiramente conhecedores dos problemas mais graves de que a educação padece. “Assessores “que conhec…em o País Real, que vivem dentro dele, que conhecem a Escola por dentro e por fora.
Se optar pela primeira, não esperem grandes avanços. Quando muito, mais medidas avulsas.
Se optar pela segunda, duvido muito, fiquem certos que é desta que os problemas da Educação em Portugal iniciam o caminho da procura da solução mais correcta. A que melhor servirá os alunos, os pais, os professores e a sociedade.
10/02/2016
Miguel Moreira




9 comentários
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…Com que então só os professores efectivos é que conhecem a realidade educativa e como tal é que são “adequados” para assessores…Com certeza que neste país há dois tipos de vivências para dois tipos de professores, os contratados não podem escolher horários nem turmas e calha-lhes quase sempre as turma ditas “complicadas” de dar em louco qualquer um…enquanto os “efectivos” na generalidade tem horários e turmas a preceito..
O artigo não faz referência à “categoria” do professor. Não afirma que tem que ser do Quadro de Escola ou Agrupamento, pode perfeitamente, e com toda a legitimidade, ser Contratado. Para mim os professores são todos iguais. O termo efetivo, tal como é aplicado (professores com serviço efetivo prestado dentro das salas de aula.) é um adjectivo com significado de “real” de “realizado”, não de estável ou permanente.
Qual é o medo de dizer que um professor efetivo é diferente de um contratado… Um médico efetivo não é diferente de um contratado? Um advogado efetivo não é diferente de um contratado? Porque é que os contratados na educação terão de ser diferentes?
Já fui contratado e sou dos quadros, conheço bem as duas realidades e claro que são muito diferentes…
Outra questão é a passagem de contratado a quadros. Nunca deveria ser feita por idade ou por critérios que não valorizam a qualidade… Deveria ser o mérito a ditar as regras e, infelizmente, somos mais uma vez únicos na exigência de ter a idade como regra para passar aos quadros…
Explique-me qual é a diferença entre um contratado e um professor do quadro, se não for pedir muito ….
Sou contratada e a única diferença que vejo é quando chega o dia 23; mais nestes últimos 15 anos tenho visto os contratados a darem o litro e os do quadro a meterem as suas baixas (por esta razão têm de existir sempre contratados para as substituições:
Desculpem-me os colegas do quadro que não pertencem ao grupo que referi, há boa gente em todo o lado.
Muito gostam os professores do tacho, mas não de dar aulas.Gostam de ocupar cargos perpétuos nas autarquias/gostavam porque felizmente o Sócrates arremeteu forte e feio contra os professores, bem haja o homem), no parlamento e por aí fora.Curiosamente há poucos médicos na política e os licenciados em Medecina tem uma craveira inteletual muito acima da média dos professores.
Além de estares errado em relação aos médicos, eles estão infiltrados em todos os lados, acho que até faz muita falta existirem professores em cargos importantes. Se os professores ficarem fechados nas salas de aula, serão administrados por gente que nada percebe da situação.
Ora ai está uma verdadeira IDIOTICE, considerar os médicos sempre acima de todos. Como se fossem os melhores do mundo. HAja paciência para tanta IDIOTICE!!!!
Para que possam chegar a médicos passam primeiro pela sala dos professores. Tal como qualquer outro profissional. O professor afinal está na base de preparação de todos os restantes profissionais.
Quando será que esta sociedade olha para os professores e lhes dá a devida importância?
Mas também deixo uma mensagem aos colegas de profissão, sim sou professora e tenho muito orgulho nisso.
Não me revejo em nenhuma das criticas que surgem sobre as faltas, os atestados médicos ou da falta de empenho e trabalho por parte dos professores do quadro.
Ser PROFESSORA é uma profissão para mim a tempo inteiro, como deve ser a atividade profissional de alguém.
Seria bom que os pais pensassem que dentro de uma sala de aula temos mais de vinte alunos, idênticos aos seus filhos, que tanto tentam “silenciar” quando estão em casa. Pensem como são os filhos em casa quando estão com amigos, nas suas inimagináveis estratégias para as travessuras e multipliquem por 6 ou 7.
Os alunos são capazes do melhor do mundo, quando querem, mas também conseguem levar o mais santo dos santos ao limite.
Se os pais que fazem uma festa de anos aos filhos, ao fim de duas ou três horas de brincadeiras estão cansados, pensem como será estar os dias consecutivos a lidar com jovens em crescimento e será que não ficariam cansados/doentes ao fim de algum tempo?
Sim, porque também temos professores que na realidade atingem o limite, perante o trabalho exaustivo de preparar aulas, lidar com as burocracias da escola, com as exigências das direções escolares, e a tentativa de ter uma vida familiar normal.
Os professores também têm direito a ter uma vida familiar, que fica sempre prejudicada perante a carga de trabalhos muito superior ás 40 h.
Pensemos em como melhorar a nossa escola, alcançar o sucesso dos nossos alunos e no bem estar de todos. As criticas “vota abaixo” não trazem beneficios a ninguém.
Concordo em absoluto com o Miguel Urge ouvir os professores, especialista, sindicatos. Decidir em função dos tecnocratas do Ministério, desconhecedores da realidade escolar, será um erro. Todos os ministros seguiram esse modelo – e todos tomaram medidas a avulso, algumas muito graves para o ensino. Espero que este Ministro esteja mais atento à realidade.