Clicando na imagem abaixo terão acesso a um mapa interativo onde é feito um exercício de análise, para tentar perceber como e onde se encontrarão as 10700 vagas. Não serão os valores exatos, mas acredito que não estejam muito longe da realidade.
Para isso foram considerados os horários ANUAIS (completos e incompletos acima de 15 horas) (até à RR3).
Em cada concelho, são apresentadas as vagas por grupo de recrutamento.
O surgimento destas vagas não representa um ato de boa-fé do ministério, mas uma necessidade absoluta e estas alterações a meio do jogo, depois dos professores fazerem o concurso, são sempre geradoras de injustiças.
Porque não ter como único critério os 1095 dias prestados no ensino público para poder concorrer a estas vagas? É que há pessoas que arriscaram o completo anual para entrarem ao abrigo da norma-travão e neste momento ainda não estão colocadas…
O Ministro da Educação acha que esta onda de protestos se deve a um plano de um qualquer sindicato e que os professores são mentecaptos incapazes de perceber o que se passa no terreno. Pela primeira vez desde há muito tempo, vejo um movimento real, com professores reais (aqueles que trabalham mesmo com alunos), cansados de esperar por uma mudança que nunca chega. Assistimos durante os últimos 15 anos a uma degradação sem precedentes da escola pública de onde muitos saíram desiludidos.
Como o Ministro não valoriza as palavras dos professores, talvez os números seguintes clarifiquem o que se passa no terreno e sirvam para entender o abismo que temos pela frente. Estes números deviam estar bem presentes na mente de quem coordena os desígnios da Educação em Portugal.
Analisando as listas de professores por colocar, percebemos que as 13171 candidaturas correspondem a 9533 professores disponíveis. Desses, perto de 9100 estão distribuídos pelos grupos 100, 110, 260 e 620. Sobram perto de 400 professores para os restantes 30 grupos.
Olhando para estes professores por colocar e cruzando esses dados com o n.º de ordem do último colocado num horário completo, temos uma ideia bastante precisa do número real de professores disponíveis para cada QZP.
A conclusão é óbvia; não há professores! A região de Lisboa não tem professores disponíveis em praticamente nenhum grupo de recrutamento! E falo só de horários completos… para incompletos a coisa é ainda pior.
Nesta região, se eliminarmos da equação os grupos de Educação Pré-Escolar e Educação Física (100, 260 e 620), percebemos sobram cerca de 100 professores para mais de 30 grupos de recrutamento. Imagino a ginástica feita para preencher os horários que vão aparecendo.
Mas se o panorama é negro nessas zonas, o cenário não é muito melhor no restante país: na maioria dos grupos há meia dúzia de professores e até no QZP 1 há grupos onde não existe nenhum professor.
No quadro apresento os números dos QZP’s 1, 7 e 10, mas se clicarem na imagem terão acesso a um PDF com os números de todas as zonas.
E os pais/EE aceitam tranquilamente esta situação? Não seria a altura da CONFAP mostrar que se preocupa com o estado a que isto chegou? Os milhares de alunos sem professor não são uma preocupação destes dirigentes?
Esta situação verdadeiramente dramática não se pode separar das condições de trabalho dos professores: precariedade, fracos vencimentos, quotas na avaliação, vagas de acesso, falta de respeito, burocracia,… tenho amigos professores que abandonaram a profissão (alguns eram do quadro). Tenho a certeza que NENHUM deles pensa regressar!
A mudança necessária é gigantesca: inverter este cenário implica mostrar à sociedade que os professores são reconhecidos, valorizados e respeitados… com ações concretas e sem palmadinhas nas costas.
Estará o ministro João Costa preparado para este desafio?
Que grande exemplo de cidadania, de organização e de união. Ver inúmeras escolas fechadas, milhares de professores em greve é fruto da enorme onda de descontentamento que grassa entre os professores. Saibamos aproveitar este espírito para valorizar aquilo que somos e o que representamos! Parabéns!
As razões do descontentamento dos professores são vastas, profundas e gerais e os “remendos” que têm sido aplicados só agravam os problemas. Pais, alunos e professores têm de estar profundamente preocupados com tudo o que tem acontecido na Escola Pública.
Conseguiremos estar à altura da responsabilidade e evitar a hecatombe que se aproxima?
13 professores estão no seu 3º contrato.
Foram colocados 300 professores contratados na Reserva de recrutamento 13, distribuídos conforme a tabela seguinte:
Foram colocados 338 contratados na Reserva de Recrutamento 10, distribuídos de acordo com a tabela seguinte:
Estas colocações são quase todas a Norte. Para perceber onde andam os horários de Lisboa e Algarve devem procurar na plataforma de contratações de escola.
Este facto prova que as coisas em Lisboa e Algarve não serão resolvidas se as condições oferecidas aos professores não melhorarem. Basta fazer umas contas de somar (ou subtrair) para se perceber o porquê dos professores disponíveis não concorrerem para esses locais.
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Se analisarmos as colocações por QZP, percebemos que o QZP 7 não é aquele onde saem mais horários nas Reservas de Recrutamento e não é por falta de horários por preencher, mas sim por falta de candidatos a essas ofertas. Percebemos isso mesmo se olharmos para os horários em Contratação de Escola… a maioria é no QZP 7. Se os profissionalizados não concorreram para eles, parece-me óbvio deduzir que a maioria é ocupada por não profissionalizados.
Se filtrarmos os horários e considerarmos apenas os temporários e incompletos, percebemos, nessa região, que eles vão sendo ocupados quase exclusivamente no 1º ciclo e Educação Física, os grupos com mais candidatos por colocar.
O ministro conhece a situação dramática da falta professores a sul; sabe perfeitamente que o panorama se agrava a cada ano e acabará por alastrar a todo o país e a todos os grupos de recrutamento. A mudança de política já devia ter acontecido; a valorização da carreira docente, se tivesse começado há 5 anos seria tarde… estará à espera que o caos se instale para poder justificar a aplicação de medidas drásticas, sem grande contestação?
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Se analisarmos as colocações das Reservas de Recrutamento até hoje (RR5), percebemos que a % de candidatos colocados da 3.ª prioridade tem aumentado, atingindo hoje 55%.
Em praticamente todos os grupos de recrutamento, o número de candidatos em 3.ª prioridade é superior aos candidatos da 2.ª prioridade.
As listas de ordenação estão a esgotar-se e muitos dos candidatos não colocados não estão dispostos a concorrer para as zonas onde a carência é maior. Com ordenado de 1000 €, deixarão a família para gastar 400 € num quarto e 400 € em deslocações… não é com autonomia na contratação que as coisas ficarão melhores, pelo contrário: se os professores percebem que o seu “investimento” em tempo de serviço não serve para nada, restringirão ainda mais as suas opções, procurarão alternativas e veremos escolas a sul cada vez mais desertas de candidatos.
Se o Ministério da Educação quiser manter esta proposta de modelo de contratação/vinculação atabalhoada vai conseguir 2 coisas: afastar milhares de professores do ensino e unir novamente os QA, QZP e a quase totalidade dos contratados, bem à imagem daquilo que já aconteceu nos tempos da MLR.
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Os candidatos da 3ª prioridade são os docentes profissionalizados com menos de 365 dias de serviço nos últimos 6 anos escolares.
Como ocupam os lugares finais das listas de ordenação, analisar a sua colocação permite perceber e antecipar as carências de professores.
A tabela seguinte apresenta os 1472 professores da 3ª prioridade colocados em HORÁRIOS COMPLETOS E ANUAIS, até à RR3, distribuídos por QZP e Grupo de recrutamento. Destas 1472 colocações, 33 reúnem condições para vincular este ano ao abrigo da Norma Travão, o que acho estranho, mas mostra bem como as listas de ordenação estão cada vez mais curtas.
Pela análise da tabela confirma-se a dificuldade em recrutar professores de Informática por todo o país. O número reduzido de colocados não significa que haja pouca necessidade, mas apenas que a lista não tem professores disponíveis, estando as centenas de horários a ser ocupados por professores não profissionalizados.
Em muitos outros grupos, se nada for feito, acontecerá o mesmo.
No QZP 7 percebemos que nos grupos 110 (1º ciclo), 300 (Português), 500 (Matemática) e 510 (Física e Química), a lista de ordenação para determinadas zonas está a esgotar-se. Lembro que analisei apenas os colocados em horários completos e anuais, porque se falarmos de horários incompletos ou temporários a situação é MUITO PIOR!
Isto não se resolve com Contratação feita pelas Escolas, não se resolve com remendos… é imprescindível que os professores sejam reconhecidos; que a carreira seja melhorada; que se extingam os estorvos burocráticos das escolas. Só assim teremos uma pequena possibilidade de vermos jovens a querer ser professores!
Qualquer coisa que a tutela faça que não vá de encontro a estes princípios é atirar areia para os olhos dos portugueses!
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