Síntese da Reunião do ME com Directores (5 Fevereiro)

DA REUNIÃO DE DIRECTORES com o MINISTRO DA EDUCAÇÃO

(acompanhado pelo Secretário de Estado da Educação) 5 de FEV

 

 

A política educativa do governo assenta em dois pilares fundamentais e que se interligam: sucesso escolar e melhoria das aprendizagens.

 

Além dessa preocupação estão na agenda ministerial:
– Programa de reutilização e redução de custos dos manuais escolares;
– Simplex 2016 aplicado à Educação para desburocratizar procedimentos;
– Aposta na Educação Pré-Escolar, numa perspetiva de intervenção precoce, com alargamento e universalização até aos 3 anos de idade;
– Aprendizagem ao longo da vida.

A Escola deverá centrar-se nos processos, melhorando o trabalho na sala de aula por oposição à crença nos exames. É nessa perspetiva que se apresenta o modelo integrado de avaliação externa no Ensino Básico, cujas linhas fundamentais foram assim enumeradas:
– Considerar que aferição e exames (provas finais) têm um tempo próprio;
– Intervir atempadamente;
– Restituir a informação às escolas (às famílias e aos alunos também…);
– Combater o estreitamento curricular;
– Passar as provas para o final do ano letivo.

O Ministro defendeu o modelo argumentando designadamente:

– É necessário tirar das escolas o treino para os exames, pois o que importa para o sucesso efetivo é o desenvolvimento das competências;
– A Escola deverá ser inclusiva e não seletiva;
– Os estudos internacionais demonstram que nesta fase (ao longo do Ensino Básico) a avaliação formativa é mais eficaz do que os exames e que estes só devem surgir numa fase mais avançada (9.º ano);
– É urgente que os docentes utilizem o seu tempo para o desenvovimento das aprendizagens e não (como já tinha referido) para o treino dos exames;
– É necessário corrigir tudo o que estava mal…

Anunciou (já se sabia) o fim da BCE (Bolsa de Contratação de Escola), tendo em conta que um docente demora em média 21 dias a ser colocado, encontrando-se uma solução melhor.

Reafirmou (insistiu) que o foco vai estar na Escola, nas aprendizagens e no sucesso escolar.

 

Depois de um primeiro período de questões, a equipa ministerial referiu:
– O calendário escolar mantém-se;
– Os testes intermédios acabam,concentrando os recursos nas aferições;
– O processo normativo (legislativo) está em curso;
– As escolas TEIP vão continuar, mas será revisto o processo de avaliação;
– Os Vocacionais vão acabar (oposição ao modelo dual), mas é necessário concluir os de continuidade;
– O despacho de organização do ano letivo está a ser trabalhado, terá uma leitura mais simples e pretende-se publicá-lo mais cedo, uma vez que há a intenção de antecipar sucessivamente a aprovação das turmas e a colocação de professores;
– O referido despacho flexibiliza o crédito e dá mais autonomia às escolas, embora dê prioridade à componente pedagógica;
– Havendo recursos nas escolas abre-se a possibilidade de desdobramentos noutras disciplinas que não as CN e FQ;
– Embora haja preocupação com a formação inicial de professores, há uma preocupação ainda maior com a formação contínua, sendo imperativo fazer convergir os recursos disponíveis para obter a melhoria das aprendizagens;
– Ainda no despacho de organização do ano letivo será valorizado o trabalho do diretor de turma, muito para além do papel burocrático;
– A avaliação externa das escolas (incluindo a avaliação dos TEIP) deverá centra-se nos processos e não nos resultados;

 

Após segunda ronda de questões, a equipa referiu:
– As metas conduziram a uma atomização do currículo, com cada disciplina por si, criando uma “manta de retalhos”;
– No novo modelo há mais exigência para as escolas, aumentando a exigência para cada um dos professores na sala de aula;
– Haverá um mapeamento das intervenções da Parque Escolar que continuará com a manutenção, esperando-se a conclusão de 18 escolas nos próximos 3 anos (8 das quais ainda este ano), agilizando-se outras intervenções pontuais em articulação com os municípios e a DGESTE;
– Contraria-se a ideia de disciplinas estruturantes (estreitamento do currículo) valorizando-se as expressões, apostando no ensino artístico e no desporto na Escola (não só a Educação Física e o Desp. Escolar, mas também o desporto de lazer para a comunidade potenciando as infraestruturas desportivas);
– Apostar na educação para a cidadania (ed. global, ed. sexual, ed. cívica) numa perspetiva transversal;
– Melhorar apoio para alunos NEE e para outros alunos com necessidades específicas;
– Depois do fim dos exames do 4.º ano, não era possível esperar pelo início do próximo ano para mudar o modelo e criar um modelo integrado de avaliação externa;
– Aposta-se num “Serviço Nacional de Educação” em que o sucesso escolar vai necessariamente acontecer;
– O currículo é presentemente uma “manta de retalhos” (programas sem metas, metas sem programas, metas desajustadas, entre muitas outras incongruências), sendo importante definir um perfil de saída que neste momento não existe;
– O perfil de saída do Ensino Básico deverá considerar a criação de uma predisposição para a aprendizagem ao longo da vida;
– Necessário olhar para o currículo como um todo;
– O debate não será apressado, mas pretende envolver os professores;
– Vão ser divulgadas (atualizadas) as opções curriculares para a Educação Pré-Escolar;
– Há uma particular preocupação com as transições de ciclo;
– Necessário estudar a rede da formação de adultos que foi colocada em causa e depois reposta de modo desarticulado (efeitos do estudo ainda não se vão refletir no próximo ano letivo);
– As AECs estão escolarizadas e não deviam estar;
– Há uma preocupação com as expressões no 1.º ciclo, pretendendo-se inovar em matéria de aferição nesta área.

 

MG

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2016/02/sintese-da-reuniao-do-me-com-directores-5-fevereiro/

14 comentários

Passar directamente para o formulário dos comentários,

    • Rufino on 9 de Fevereiro de 2016 at 23:16
    • Responder

    O NOJO das ESCOLAS TEIP (digo, dos ANTROS) é para continuar?

    Já percebi a razão. É para incentivar a economia através de uma maior dinâmica no comercio de droga e estágios em bares de alterne.

    Os marmanjos e marmanjas que lá andam com 17, 18 e 19 anos agradecem.

      • João da Ega on 10 de Fevereiro de 2016 at 10:56
      • Responder

      “Os marmanjos e marmanjas” têm escolaridade obrigatória até aos 18 anos, em escolas TEIP, com autonomia ou outras… Não é apanágio das TEIP.

        • Rufino on 10 de Fevereiro de 2016 at 13:29
        • Responder

        A obrigatoriedade não significa fazer da Escola um “Asilo de Delinquentes”.

        A Escola tem um custo para os contribuintes muito elevado para que possa existir esbanjamento de dinheiros públicos. A Escola é para preparar os jovens para a vida em sociedade e não para servir de “asilo de delinquentes”.

        É sabido que as Escolas TEIP são autênticos Asilos de Delinquentes. Como deve saber nestas “escolas” temos tudo menos alunos que desejem aprender a ser “gente”, com raríssimas excepções (que apenas confirmam a regra). Temos alunos com 18, 19 e 20 anos….por acaso sabe?

        Podemos colocar a escolaridade obrigatória nos 30 anos (devido aos níveis de desemprego) e alargar o “albergue” chamado “Escola TEIP”.

          • João da Ega on 10 de Fevereiro de 2016 at 17:34

          Oh se sei… Já os tive na minha sala, com 22 e 23 anos!… E por saber do que falo e por conhecer várias escolas TEIP é que não entendo a sua definição de escola TEIP…

          • Rufino on 10 de Fevereiro de 2016 at 20:24

          E que tal eram esses alunas(os) que diz ter na sua sala de aulas?

          Estou certo que são mentes brilhantes.

          Eu sou professor numa escola TEIP vão vários anos. A partir do momento que nos foi colocado esse carimbo….é uma bandalheira para cumprir as METAS. Sabe o que é isso?

          Eu explico. O que é preciso é alunos (quantos mais melhor, se não podem fechar o Albergue), sucesso, e uma suposta ausência de indisciplina.

          E a Escola cumpre as METAS para que os fundos do POCH continuem a fluir.

          • João da Ega on 10 de Fevereiro de 2016 at 23:19

          Também leciono em escolas TEIP há vários anos. E não consigo entender essa generalização… Nem todos nascem num berço de ouro, numa família estruturada, num ambiente calmo…
          De repente parece que todos os males do ensino se devem às escolas TEIP… Pensamento redutor…

          Os fundos POPH já existiam antes das metas…

          • Rufino on 11 de Fevereiro de 2016 at 10:55

          Prefiro que os meus IMPOSTOS vão para o Grupo GPS e para colégios com contrato de associação a subsidiar ANTROS de delinquentes como o são as ESCOLAS TEIP.

          Aliás, isto de ESCOLAS TEIP é a maior VERGONHA que o Sistema de Ensino Público possui.

          Causa-me estranheza que ainda não tenha saído nos jornais uma reportagem que mostre aos CONTRIBUINTES se o dinheiro dos IMPOSTOS, aplicado nestes ASILOS, está a servir para alguma coisa!

          • João da Ega on 11 de Fevereiro de 2016 at 11:30

          Pois eu prefiro que os meus impostos ajudem a construir uma escola pública de qualidade. É para isso que trabalho todos os dias.

          Sorria e seja feliz!

          • Rufino on 11 de Fevereiro de 2016 at 15:29

          O Camarada João prefere um ESTADO esbanjador em algo sem retorno.

          Sim! O dinheiro aplicado no sistema educativo deve ter retorno.

          Garanto-lhe que as ESCOLAS TEIP também originam esse retorno através de MARGINALIDADE, TRÁFICO DE DROGA, BARES DE ALTERNE, ASSALTOS…

          Se é isto que deseja seja feliz na sua TEIP

    • Manuela Pataca on 10 de Fevereiro de 2016 at 9:32
    • Responder

    Nada de novo. Palavra de ordem: desfazer (o que está em vigor e o que quer que seja que se queria construir).

    • PL on 10 de Fevereiro de 2016 at 11:29
    • Responder

    GOSTO:

    “– Contraria-se a ideia de disciplinas estruturantes (estreitamento do currículo) valorizando-se as expressões, apostando no ensino artístico e no desporto na Escola…”

    Os alunos (e professores) estão fartos da exagerada carga horária de Matemática! Só justificada pelo facto do anterior ministro ser da área da Matemática…

    Notícia do PÚBLICO:

    “No 1.º, 2.º e 3.º ciclos, Portugal ocupa primeiro lugar no tempo dedicado à Matemática”

    “Muita Matemática – Outra das conclusões indica que, no conjunto de países e no 1.º, 2.º e 3.º ciclos, Portugal ocupa o primeiro lugar no tempo dedicado à Matemática, quer em termos absolutos (1729 horas), quer na percentagem (20,4%) que ocupa nos currículos.”

    http://www.op-edu.eu/media/revista-imprensa/revista-imprensa-2014-11-06-publico-pp10.pdf

    • lena on 10 de Fevereiro de 2016 at 22:17
    • Responder

    As escolas TEiP tornaram-se num estigma para quem as frequenta.Os alunos não tem acesso a um ensino condigno do século XXI num pais com classificação de europeu..A frequência duma escola TEiP com as linhas pedagógicas de orientação atuais é um insulto a quem não tem possibilidades de ir para outras,Falam do famigerado grupoGps, mas as escolas tinham algum rigor pedagógico e didático.

      • xxx on 10 de Fevereiro de 2016 at 22:42
      • Responder

      Só que o grupo GPS localiza-se ao pé de muitas escolas públicas de ótima qualidade, logo o seu argumento cai por terra.

    • estrela on 12 de Fevereiro de 2016 at 16:15
    • Responder

    Muita maldade há contra as escolas TEiP.Inveja pura e simples da qualidade de ensino aí praticada, é isso.As escolas TEIP são um elite, sabemos que sim e depois? Nas outras escola cumpre-se o currículi, problemas dessas escolas.Felizmente as TEIP dão o currículo que cada comunidade necessita.As escolas TEIP são como os restaurantes
    de luxo: menú á la carte.As escolas ranhosas é que são como as tabernas a patroa é que pões os pretos do dia.
    A má vontade contra as escolas TEIP ultrapassa todos os limites, por isso é que os malandros acabaram comas Bolsas de contratação de escola.Admitir o professor certo para os alunos, o que os diretores se matavam a inventar critérios. O trablhão que dá esta escolha, mas difícil que caçar lêndeas em cabeleiras de piolhosos conhecidos pela falta de asseio.
    As escolas rascas a obedecerem ao Ministério da Educação, que ordena os professores numa lista que nem sequer respeita a ordem alfabética…

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Blog DeAr Lindo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading