Não é preciso muito para se conseguir colocar Professores contra Professores…
Na verdade, e ao longo dos últimos anos, tem sido, até, muito fácil colocar Professores contra Professores…
Como se não bastassem as muitas tentativas de “envenenamento” da opinião pública contra os Professores,regularmente realizadas por algumas “eminências pardas”, a propósito das mais variadas temáticas (salário, férias…), eis que, entre os próprios Professores, se criou o hábito de entoarcríticas, muitas delas em tom delatório, dirigidas aos seus pares…
Fazem-se muitas críticas, levantam-se muitas suspeitas, proferem-se muitas acusações, mas quase sempre vagas e indeterminadas… De resto, entre Professores, a delação é quase sempre genérica e raramente se concretiza ou oficializa…
Em muitas situações, em que prevalecem as acusações não fundamentadas, genéricas e imprecisas, o principal resultado acaba por ser, inevitavelmente, um contributo significativo para o denegrimento, para a difamação e para o descréditogeral da própria Classe Docente…
Dir-se-ia que para isso bastaria a acção de terceiros, mas afinal parece que não basta:
– Uma parte significativa dos próprios Professores cai muito facilmente na armadilha da “denúncia”, sem ser verdadeira denúncia…
– Quantas “denúncias oficiosas” acabam por ser formalizadas?
E existirão prevaricadores dentro da Classe Docente? Provavelmente, existirão… De resto, como em todas as profissões…
Mas se alguém tem conhecimento factual disso, que o denuncie pelos canais formais, apresentando queixas devidamente fundamentadas…
Enquanto se continuarem a “atirar acusações genéricas para o ar”, enquanto não se materializarem denúncias, nenhuma delas será para levar a sério, nem para ser tida em consequente consideração…
Mas, no final, o que transparece é, inevitavelmente, isto:
– Os Professores acabam por ser, muitas vezes, os seus próprios “carrascos”…
– Os Professores acabam por ser, muitas vezes, os seus próprios “carrascos” porque muito facilmente se deixam enredar em guerras fratricidas, cujo resultado mais óbvio acaba por ser a divisão insanável e permanente da Classe Docente…
– Entre os Professores, haverá sempre quem rejubile com a “desgraça alheia”, de forma expressa ou encapotada… “Se eu estou bem, os outros que lutem”…
– Entre os Professores, corre-se quase sempre atrás dos prejuízos, sobretudo porque, em momentos decisivos, alguém acabará por inevitavelmente resignar e aceitar eventuaisimposições, mesmo as mais delirantes, acabando por alinhar com as mesmas…
Sem rodeios, é mesmo muito fácil colocar Professores contra Professores…
Às vezes, o lema que parece dominar é este:
– Todos contra todos…
Todos contra todos e, no fim, ninguém se entende, instala-se a confusão, ora se censura uns ou outros ou aqueloutros e, sobretudo, nunca se perde a oportunidade de pelejar contra alguma parte do grupo de pares…
É muito mais fácil canalizar e dirigir a frustração e a insatisfação para o grupo de pares do que lutar em uníssono por resolver os principais problemas que afectam a Classe Docente…
E lá se vão adiando as lutas difíceis…
Pelo caminho, vão-se aceitando algumas “migalhas”…
Pelo caminho, vão-se aceitando alguns “pratos de lentilhas”, por vezes, até, servidos com certos requintes de malvadez…
A maior fragilidade da Classe Docente parece ser uma gritante ausência de coesão…
Espera-se sempre que outros façam aquilo que a maioria dos Professores não é capaz de fazer: defender os seus interesses e lutar afincadamente por eles…
Outros que façam, outros que acabem com aquilo que a maioria dos Professores não é capaz de fazer…
Outros, outros, outros… Sempre outros…
A Classe Docente parece acreditar que os resultados desejados por si aparecerão sem custos e sem sacrifícios dos próprios, atribuindo a outros a responsabilidade por uma “solução mágica” dos seus problemas, esperando pela vinda de um qualquer “Redentor”, uma espécie de “D. Sebastião” ou de um “Mahdi” que a salve…
Obviamente, também há dentro da Classe Docente muitos Professores que não cedem à resignação e que todos os dias, pela sua voz, vão lutando por melhores condições de trabalho, muitas vezes com custos pessoais, mas em momentos decisivos até esses correm o risco sério de acabar por ficar sozinhos…
Quando a luta “aquece”, costuma dar-se o estranho“fenómeno” da deserção…
Que contributo efectivo tem dado a maioria dos professores para acabar com os males de que recorrentemente se queixa?
“Quem não luta pelo futuro que quer, tem que aceitar o futuro que vier”…
(Roubado da Internet, de autor desconhecido).
Paula Dias




20 comentários
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Muito óbvio.
Assim é.
Por esse motivo foi muito fácil á Maria de Lurdes Rodrigues fazer o que fez.
Na altura andavam alguns colegas contentes porque iam ser Professores Titulares.
A ADD é outra forma de colocar uns contra os outros.
Desvinculei-me da FENPROF, já há muitos anos atrás, após uma reunião em que percebi que defendiam os interesses de um grupo restrito de professores, mas não os interesses de TODOS os professores.
O episódio mais recente foi a RTS.
A FENPROF não assinou o acordo que veio beneficiar de pelo menos mais de 80% dos professores.
Os restantes, que estão já no topo da carreira. por um lado ficaram com dor de cotovelo porque viram que os outros colegas poderiam finalmente chegar e muito eventualmente um dia ao escalão onde eles já estão. Por estes o acordo não seria assinado não se importando com a carreira dos colegas que estavam em escalões inferiores. Desde que eles estivessem bem.
O mesmo acontece nos concursos, desde que fiquem perto de casa, querem lá saber dos outros.
Além de serem invejosos, uma grande parte são também cobardes, (ou será covardes?)
Nas reuniões de avaliação têm medo de dar a nota justa ao aluno com medo do EE, do diretor, da DREN, etc.
Assim é a classe docente.
“Os restantes, que estão já no topo da carreira. por um lado ficaram com dor de cotovelo porque viram que os outros colegas poderiam finalmente chegar e muito eventualmente um dia ao escalão onde eles já estão.”
Isto é falso e mais uma prova daquilo que diz o texto.
Corrija-se para: Os restantes, quase no topo da carreira ou a dois escalões dele ficaram injustiçados porque levaram com valentes cortes na carreira contributiva para efeitos de reforma e nem neles se pensou , nem na velhice e no cansaço que carregam.
Quando as ovelhas obedecem ao pastor os “valores” arruínam-se, o pensamento único instala-se e alinham todos numa só “inteligência” artificial.
Assiste-se desde há 20 anos a esta parte à prostituição profissional.
O Sr. que escreveu este artigo, ou está cego ou ainda não entendeu que a justiça em Portugal ou não existe ou não é célere a dar frutos. Por essa razão, a comunicação social encarrega- se de esplotar as situações. O próprio ME já se pronunciou sobre o Destacamento Estatutário, sobre o recurso à Mobilidade por Doença … Falta a ADD, altere- se a legislação , afixem- se as avaliações …, o susto vai ser tremendo em alguns Agrupamentos .
Quem escreveu este artigo foi uma Senhora e chama-se Paula Dias… Se é para “atirar ao alvo” esteja à vontade, mas, e já agora, atire ao alvo certo, que outros não têm que ser censurados por algo que não fizeram…
De qualquer forma, muito grata pela sua opinião.
Paula Dias
Já atirei /” atiramos ” ao ” alvo certo”, mas como lhe disse, a justiça em Portugal é muito lenta, os advogados e tribunais muito caros. Resultados da inspeção não se conhecem. Por essa razão, neste momento , confio muito mais na comunicação social.
Não é apenas na classe docente mas um truísmo da natureza humana. Quem lê e estuda história, é um processo que ficou registado no adágio “dividir para reinar”. Em todas as classes profissionais e sociais esse comportamento é comum. Na classe docente, essas “criticas, suspeitas, acusações” são informalmente usadas na ADD para selecionar os “méritos”, e por isso, se percebe a utilização de cada um do que diz o adágio “Mais vale cair em graça do que ser engraçado”…
Quem não é colaboracionista nesse tipo de atitude, vive ostracizado, com condições laborais e remuneratórias piores (que se repercutirão no futuro na sua aposentação). E dentro do mesmo estilo de sinceridade, o divisionismo é anulado quando há um prejuizo transversal a todos(as) porque há interesse comum, mas a a satisfação para uma determinada quantidade resulta numa união temporária.
Como disse uma personagem de um filme de ficção cientifica, “welcome to the real world”, traduzido na expressão popular tuga “é a vida”…
” espoletar”, assim é que é .
Adonde espoleta a Maria?
O STOP anda muito caladinho…porque
Pois, o gajo quer ser pressedente da república dos alpinistas!
O próprio ministério, na altura estava o ps no poleiro, atirou muita lenha para esta fogueira, com a VD (vinculação dinâmica, mais exactamente vinculação desonesta), por causa desta houve muitas ultrapassagens que favoreceram docentes, muitos vindo das escolas privadas, deixando para trás os que contribuiram realmente para o ensino público. O ambiente nas escolas onde estão alguns VDs, nos respetivos grupos disciplinares, não deve ser muito bom, sobretudo em grupos dificeis, como filosofia e artes, onde houve ultrapassagens flagrantes.
A Paula já ouviu dizer que ” em casa onde não há pão todos razão e ninguém tem razão ” ? Na classe docente em Portugal é assim. Há quem faça pouco e há quem não queira fazer mesmo nada.
Instalaram-se nas suas sete quintas e por ali ficam a apanhar banhos de sol ” daqui não saio e daqui ninguém me tira “.
Claro que isso não pode correr bem, infinitamente.
Não se apoquente, Paula, pois a classe docente não é diferente das demais classes sociais ; toda a gente quer trabalhar pouco e ganhar muito.
Os portugueses são preguiçosos por natureza.
Outra falsidade! Os portugueses não são preguiçosos. São dos trabalhadores mais apreciados no mundo. Quem os governa é que pertence à clique dos mais oportunistas do mundo e ainda por cima um oportunismo polichinelo sem grande sofisticação. Labrego e à ladrão carteirista!
BB ou é diretor (carteirista) ou daqueles portuguesitos parolos que trabalham para multinacionais e se acham ricos ao ponto de dizerem repetidamente” a minha empresa”. Pode sempre ser o Zenal Bava ou o Granadeiro sob disfarce!
Concordo plenamente
Francisco
A denúncia é um direito e ao mesmo tempo um dever, quer seja entre e contra docentes quer seja num outro contexto de vida. Na realidade, quem denúncia está sempre sujeito a represálias e quem prevarica “arranja” sempre formas de justificar que “não foi intencional”, que foi um “arrufo entre colegas”, enfim “todos” se juntam para auxiliar os prevaricadores. É muito penoso expor uma situação, várias situações em que comprovadamente há uma intencionalidade em prejudicar alguém, sobretudo se essa pessoa tiver um olhar “diferente sobre a coisa”. Nunca tinha passado por uma situação de bullying, de assédio, mas tive a certeza do que me estavam a fazer e identifiquei de imediato as razões, o quem e o porquê. Depois, o processo é penoso, porque num agrupamento de escolas não sabemos ao certo quem é “confiável” ou quem é “suricata”, as relações de proximidade entre docentes e até de pessoal não docente (quer assistentes quer pais e Encarregados de Educação), os interesses envolvidos, enfim…é um momento de solidão e de introspeção. Temos a noção plena de que nenhuma direção quer este tipo de problemas, sobretudo se a própria direção estiver envolvida. Depois, pedimos ajuda a todas as entidades que são responsáveis pela regulação destas situações. Seguem-se os pareceres e as alegações…e, entretanto “quem é forte” vai-se mantendo “vivo”, quem é mais frágil pergunta-se “qual é o sentido da minha existência, da profissão que exerço, dos valores que veiculo, da dedicação, do serviço…?”. As perguntas são interiorizadas e mentalmente vamos “visitando” todas as situações de “crueldade” e procurando a justificação para o que aconteceu.
Então e esta?!
A diretora é quem me avalia, até ao momento não vi qualquer ficha de avaliação que ela fez. Atibuiu-me um Bom. Não sou estúpida, nem baldas, nem incompetente, os alunos gostam das minhas aulas e eu também gosto daquilo que ensino , a figurinha/ona deu-me 6,5. Porquê? É ela que me paga o ordenado?
Acresce que na minha vida quer como aluna, quer como profissional nunca tive uma classificação tão baixa.
O que é isto? Eu sei o que é. O que fariam se fosse convosco?
Se está disposta a um conflito permanente, reclame às instâncias devidas, Se considera que o beneficio não compensa o prejuizo, “engula o sapo” e siga em frente, trabalhando em função da classificação que teve.