A mais de dois meses para o Natal, já há luzes e enfeites alusivos a essa época festiva nas principais superfícies comerciais…
Claro que os objectivos mercantis e o consumismo típico das celebrações natalícias não serão alheios a esta extemporânea publicitação do Natal, mas se, por momentos, nos alhearmos desse facto, acabaremos por constatar que a sofreguidão da vida está espelhada nessa despropositada antecipação…
As luzes de Natal expostas com tanta antecedência acabam por ser o espelho do que se passa em tantos contextos pessoais e profissionais:
– Devoram-se os dias sem os saborear, sem os apreciar; corre-se desenfreadamente, muitas vezes, sem se saber para onde e com que finalidades… A voracidade que se vive em cada dia, pejada de automatismos comportamentais, aprisiona num círculo vicioso, praticamente impossível de quebrar…
– O trabalho nas escolas não é diferente do anterior; abundam as tarefas insanas; há muitas lutas contra “moinhos de vento”; há muitas corridas sem meta à vista; há muitos caminhos que se percorrem sem destino conhecido; há muitas “rodas de hamster” dentro de “gaiolas” de censura; há, enfim, uma corrida incessante, sem consciência, sem senso e sem pensamento crítico…
– Vive-se numa alucinação constante, muitas vezes em sobrecarga de estímulos, que “embriaga” de ansiedade e de inquietude…
Não tenho nada contra as luzes de Natal… Gosto de luzes de Natal, mas a seu tempo, no tempo certo;nunca a mais de dois meses antes do Dia de Natal…
Não quero olhar para as luzes de Natal e ver nelas apenas a constatação de que a vida se transformou numa sofreguidão ou na incapacidade de saber esperar pelo tempo certo das coisas…
Até porque, nessas circunstâncias, todas as bondades típicas do Natal (Esperança, Paz e Amor) tendem a soar a falsidade e a hipocrisia…
Estarei sozinha neste pensamento?
Paula Dias








