Nas escolas, durante anos, fomos dando demasiado poder ao suporte e demasiado pouco à substância…
A meu ver, confundiu-se muitas vezes apresentação com aprendizagem, slide com pensamento e aspeto visual com qualidade pedagógica.
E o resultado ainda se vê com frequência: sessões longas, excesso de informação no ecrã, pouca arquitetura da mensagem, pouca ligação humana e quase nenhuma memória do que realmente interessava.
Uma boa apresentação em contexto escolar não se mede primeiro pelo design.
Mede-se pela clareza da ideia, pela ordem do raciocínio, pela escolha dos exemplos, pela força da narrativa e pela presença de quem fala. O centro não está no ecrã. Está na capacidade de tornar uma mensagem compreensível, viva e útil.
Ainda há dias, numa palestra para pais em Abrantes, pensei exatamente nisto.
No fim, o que fica nas pessoas raramente é o diapositivo bonito. O que fica é a ideia que entrou, o exemplo que fez sentido, a frase que organizou o pensamento. É isso que interessa.
Primeiro pensa-se. Primeiro arruma-se a ideia. Primeiro decide-se o que vale mesmo a pena dizer. Só depois faz sentido desenhar seja o que for.
Na minha opinião, a escola não precisa de apresentações mais vistosas.
Precisa de comunicação mais clara, mais viva e mais respeitadora da inteligência de quem ouve. Precisa de menos dependência do ecrã e de mais confiança na força de uma ideia bem construída.
Há pouco tempo, numa formação de professores online, voltei a encontrar o mesmo padrão: quanto mais carregada estava a apresentação, menos espaço havia para pensar.
O problema nunca foi o PowerPoint. O problema começa quando os slides deixam de servir a mensagem e passam a substituí-la. Nessa altura, a comunicação perde oxigénio. A sala continua presente fisicamente, mas a atenção já saiu pela porta.
Ao longo dos anos, em contextos muito diferentes, tenho visto a mesma verdade: uma mensagem clara, bem encadeada e bem entregue prende muito mais do que cinquenta slides cheios de texto.
Um bom professor, com uma folha em branco e pensamento organizado, continua a valer mais do que um mau comunicador armado com animações, esquemas e efeitos.
O resto, muitas vezes, é só pretensão de profundidade.
Há dias, numa formação para professores no Gavião, dizia precisamente isso: quando o pensamento está limpo, o suporte ajuda. Quando o pensamento está confuso, o suporte apenas disfarça. E disfarça mal.
E há ainda outro ponto, que digo com todo o respeito por quem organiza encontros, formações e seminários: também cansa ver contextos que gastam demasiado tempo antes de chegar ao essencial.
Apresentações intermináveis de oradores, currículos lidos como se fossem atas notariais, listas de cargos, agradecimentos em excesso, introduções que se arrastam e roubam energia à sala.
Tudo isso desgasta. Tudo isso afasta.
Tudo isso enfraquece a mensagem antes de ela começar.
Comunicar bem também é saber poupar o tempo dos outros!
Em educação, isso é uma forma de respeito. Porque quando a forma começa a ocupar o lugar da substância, já não estamos a ajudar ninguém a pensar melhor. Estamos apenas a encher o tempo com uma aparência de importância.
A boa comunicação não serve para impressionar a sala por uns minutos. Serve para deixar uma ideia viva o suficiente para continuar a trabalhar dentro da pessoa depois de tudo acabar.




4 comentários
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quem e este palhaço que acha perceber de educação….mais um que vive dos subsídios do estado? que nunca esteve numa sala de aula das escolas mais problemáticas? da aulas em sítios em que os pobres comem umas coisas e os ricos outras? cada post escrito por. está personagem só da vômitos ….tenham paciência e digo que venha dar aulas as minhas turmas que as teorias dele morrem logo nos primeiros 5 minutos
Cobra da banha ou banha da cobra, só compra quem quer!?
Hoje não faltam especialistas em educação, comunicação, motivação e afins. Mandam umas postas para o ar e atiram umas tretas em estrangeiro para as plateias modernas. Sinceramente, estou a borrifar-me para esta gentinha supérflua e inútil. Purga precisa-se!
Para comunicar bem, não é só necessário um orador e uma mensagem, mas também tempo.
E tempo é o que o professor não tem: não tem tempo para pensar e organizar-se mentalmente, pois tem sempre mil e uma m€rd1c3s “inadiáveis” para fazer e quando é DT ainda pior. Além de passar um tempo sem fim na escola em “banco de urgência”, a cumprir horário e sem condições de trabalho.
O professor não tem tempo para motivar, pois os programas extensos não esperam e, quando há exames à espera no final do ano, a matéria tem de ser dada no (pouco) tempo que tem. E se é DT, ainda tem de dispensar tempo para coisas burocráticas: recados e recadinhos, disto e daquilo, inquéritos e outras coisas “inadiáveis”.
Depois, um powerpoint não é mau só porque é um powerpoint (algo que se tornou moda considerar), mas um guião para os alunos tirarem apontamentos e organizarem as aprendizagens, complementando o manual com a explicação de sala de aula.
Finalmente, há muita gente a opinar profissionalmente sobre política, ensino e aspetos sociais, onde é válido o dito e o seu contrário, assim ganhando a vidinha. Quando o debate se torna mais exigente em termos de conhecimento sobre o assunto em causa e balbuciam incoerências, acusam os visados de rigidez intelectual, num ataque pessoal que é sempre a sua melhor defesa…
Amanhã, sem professores (com powerpoint ou sem ele) vejamos quem culpam… Nesse momento, até darão alvíssaras pelas sebentas de antanho.