Dois jovens punidos por organizarem assembleia de alunos no bar da escola

Dois estudantes do 10.º ano da Escola Secundária de Sampaio, em Sesimbra, foram alvo de procedimento disciplinar pela direção por terem organizado uma assembleia de alunos no bar sem autorização e por recolha de imagens dentro do recinto escolar.
Afonso Calixto e Filipa Negrini, os estudantes em causa, consideram que a direção da escola assumiu “uma postura hostil e de intimidação” face à iniciativa dos alunos “em promover uma reunião geral e uma concentração à porta da escola”. A direção contrapõe e afirma que os alunos não aceitaram o local e hora propostos por esta para a realização da reunião. Viriato Rodrigues, diretor do Agrupamento de Escolas Sampaio, aponta ainda para “uma instrumentalização por parte de um dos alunos para fins partidários da JCP e não do interesse da escola”.
Perante a decisão, ambos recorreram da medida disciplinar que dizem ser “a limpeza do recinto escolar ou a suspensão de três dias”. Viriato Rodrigues afirma que não há lugar à limpeza de escola. “Há sim a integração dos alunos no Projeto Eco Escolas para a sensibilização ambiental na recolha do lixo ou, em caso de não aceitação, a suspensão como consequência”.
Os dois jovens recorreram da punição e Filipa Negrini espera que a direção volte atrás na decisão. “O que fizemos foi em prol dos alunos”, justifica. Afonso Calixto, o estudante visado como tendo agido em nome da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), nega qualquer instrumentalização dos colegas para fins partidários. “Nunca obrigámos ninguém a nada, esse argumento é falso. A ação que levámos a cabo está incluída no Movimento Voz ao Estudante, não no PCP”, afirma.
Exigência ao Governo
Os dois decidiram organizar uma Reunião Geral de Alunos porque, de acordo com Afonso e Filipa, “era preciso dar voz aos alunos para debater os problemas da escola”. Afonso refere que na preparação, “a direção não permitiu que esta reunião fosse realizada, mesmo tendo sido apresentadas as assinaturas de estudantes previstas para que tal acontecesse”. Viriato Rodrigues conta uma versão diferente. “Queriam realizar a reunião no refeitório numa hora em que ia impedir o normal funcionamento das instalações e propusemos outro local e horário, mas ainda assim, realizaram-na”.
A hora proposta pela direção seria a de saída pelas 17 horas, mas os estudantes não quiseram e realizaram a reunião no dia 25 de fevereiro perto das 10 horas no bar da escola. Foram debatidos os problemas que a escola tem e propostas soluções, como a construção de um novo pavilhão que não existe, a contratação de assistentes operacionais e professores, a renovação das coberturas das instalações, a falta de transportes públicos e também a forma como são realizados os exames nacionais. Foi ainda convocada uma concentração à porta da escola, que decorreu dia 27 de março.
As propostas foram transmitidas à direção e, de acordo com Viriato Rodrigues, “foi proposto aos alunos reunir com a Câmara Municipal de Sesimbra para encontrar soluções para os problemas levantados, mas não quiseram”. Afonso Calixto considera que “a exigência é para o Governo em aumentar as verbas ao município no âmbito da transferência de competências na Educação. A câmara não tem capacidade para resolver o que queríamos”, concluiu.




9 comentários
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Não terá faltado aí uma dose adequada de bom senso das partes?
Parece-me que a falta de senso foi da parte dos alunos.
A escola validou a reunião, direito dos alunos.
Os alunos decidiram o palco em que queriam atuar com as condições que entenderam.
Lição de cidadania.
Há repercussões.
Sugestão: tinham reunido no local e hora disponibilizado pela escola, Reuniam com a Câmara em questão e manifestavam-se frente ao Ministério da Educação.
Ficavam todos satisfeitos, mas teria dado mais trabalho aos alunos.
Incumprimento da lei tem penalização.
Ui, ui!!! Um diretor a falar de comportamentos pidescos nas escolas….!!!!
Esses comunas acham que tem de ser tudo à maneira deles. Não estão bem, que vão estudar para Cuba ou para a Coreia do Norte. Lá deixam-nos fazer reuniões no gulag local. O 25 de Abril fez-se para estarmos á vontade, não à vontadinha. Isto não é tudo nosso.
Não haverá uma direção naturalmente ultrapassada e um conselho geral também naturalmente esquecido, quando são os alunos a acusar a premência da discussão aberta e desinteressada deste género de assuntos? Se quem conhece o meio e deteta marasmos age desta forma, mobilizando os pares para serem discutidas formas ágeis de intervenção, de que podem servir 30 aulas de Cidadania, vezes mais umas tantas, replicadas nos assuntos que um conselho pedagógico fez ecoar porque sim? E quem tem medo da intervenção dos alunos, tem de perceber que estes assuntos devem ser tratados por antecipação ajustada e não de forma curativa, porque os alunos, que queremos agentes críticos construtivos não estão à parte (embora nem sempre os estejamos a formar para a boa intervenção cívica, porque as instruções dos gabinetes de meia dúzia frequentemente o impedem).
Estes alunos do PCP têm o meu aplauso.👏👏👏 No horário permitido pela escola ou no que eles escolheram.
Com o marasmo que se vive nas escolas entre alunos.
Com a ignorância que a maior parte revela, só sabem organizar bailes de finalistas ultrapassados, com a falta de iniciativa de cidadania jovem, estes jovens estão muito a frentex dos outros.
Nisto o PCP é e sempre foi bom. No meu tempo de liceu também.
Têm uma escola de jovens. Sabem pensar, redigir, e falar. E comunicar em público.
Eu não sou nem nunca fui do PCP nos meus tempos de jovem.
Mas dou lhes os parabéns. E essa direção devia era aproveitarmos e não dar lhes castigos.
Até os castigos eles sabem enquadrar.
Grande lição para os adultos 😉
As propostas foram transmitidas à direção e, de acordo com Viriato Rodrigues, “foi proposto aos alunos reunir com a Câmara Municipal de Sesimbra para encontrar soluções para os problemas levantados, mas não quiseram”. Afonso Calixto considera que “a exigência é para o Governo em aumentar as verbas ao município no âmbito da transferência de competências na Educação. A câmara não tem capacidade para resolver o que queríamos”, concluiu.
Adivinhem lá qual a cor da câmara?
Ia lá o jovem militante da JCP incomodar o camarada presidente da câmara…
Será que qurm critica leu o artigo?
Segundo o texto, a escola autorizou a reunião mas a uma hora diferente de modo a não impedir a utilização do refeitório. Claro que ficar na escola depois das aulas já é demasiado para o nível de empenho dos meninos…
Quanto a essa história do PCP, é precisa muita credulidade para achar que não tem nada a ver. Nem vale a pena comentar.
Há muito que a democracia morreu nas escolas. Os professores sabem-no bem. Era uma questão de tempo os alunos vivenciarem estas situações. Cá vamos cantando e rindo…