CARTA ABERTA DE UM PROFESSOR EM DACL
Eu, Alberto Miranda, professor do grupo 240, estando no meu décimo nono ano como docente, neste ano letivo 2012/2013, fiquei pela primeira vez numa situação de horário zero no Agrupamento a que faço parte do quadro (Agrupamento situado no concelho de Vila Nova de Gaia).
Relativamente à situação de professor de DACL, passo a descrever duas situações de forte injustiça:
1º-Neste ano letivo (2012/2013) já é a terceira escola que estou a lecionar;
2º-Como professor do quadro de um Agrupamento a que pertence ao chamado “Grande Porto” sou automaticamente obrigado a concorrer na Bolsa de Recrutamento às escolas dos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Maia, Valongo e Gondomar (acontece uma situação semelhante aos colegas da “Grande Lisboa”), mas por exemplo se eu fosse professor em DACL numa escola do concelho de Espinho só era obrigado a concorrer às escolas desse concelho. Portanto, estamos perante situação de desigualdade de tratamento entre colegas, isto é, corretamente todos os professores deveriam concorrer ao mesmo número de escolas ou concelhos na Bolsa de Recrutamento;
3º- Sendo um professor que está entre os primeiros na Bolsa de Recrutamento, no grupo 240, quando entro na dita Bolsa, sou imediatamente colocado numa escola, mas os colegas que se encontram nos últimos lugares da lista estão numa situação de maior “estabilidade”….Possivelmente haverá professores que ainda não foram colocados em nenhuma escola apesar de estarem com horário zero. Não deveria ser rotativo a colocação de professores? Pergunto se há alguma vantagem em ser colocado numa escola na Bolsa de Recrutamento (o tempo de serviço não conta de igual forma independentemente se está colocado na bolsa de Recrutamento ou não?).
Concluindo, sinto um enorme desgaste profissional com tudo o que se tem passado (e não relatei as situações vergonhosas que aconteceram comigo desde o inicio deste ano letivo) desde noites mal dormidas a uma ansiedade sobre o meu futuro profissional.
Alberto Miranda
6 de fevereiro de 2013




5 comentários
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Estou solidário, mas pelo menos vai trabalhando. Já nós, enfim… o remédio é mesmo seguir o conselho do passos e emigrar…
Também sou professora em DACL, mas tive a sorte de concorrer a uma escola onde fiquei colocada para todo o ano lectivo. A minha esperança é que o facto de ter apostado em deslocar-me e ter horário longe da escola a cujo quadro pertenço possa ser positivo em futuras colocações, caso não obtenha colocação no quadro de outra escola no concurso que supostamente decorrerá este ano.
Como eu o entendo Alberto!! Estou exatamente na mesma situação…é muito desgastante.
Desde o início do ano letivo já tive 5 horários diferentes…os dos colegas que vou substituir + os que me atribuem enquanto fico à espera de nova colocação.
Motivação? Zero
Boa sorte
Só quem sente na pele estas situações é que consegue avaliar! E as pessoas que nos rodeiam, que sentem as nossas angústias! E se falarmos em todas as injustiças nas colocações, de que eu, por exemplo tenho sido vítima… difícil é aguentar…
Tudo faz parte da vida! e nós contratados que “vamos” todos os anos para outras escolas sem saber como ficar quem são os colegas, os alunos, o diretos, … tantas angustias que pareçe impossivel gente de 30 e tais 40 e tais ainda não se habituaram a viver com o sufoco na garganta, a angustia de deixar os filhos e avançar… é isso que provavelmente sente este ano, pois nós sentimos já há muitos anos, doí muito no coração, se doí. Mas deixe que lhe digue, quando a luta é com os contratados, os do quadro sentam-se e olham para nós com despreso e arrogância ” somos os criaditos, sem experiência faz -lhes bem aprender”, mas quando a luta é com os do quadro Aì sim, é a revolta geral até necessitam dos “criaditos” para fazer mais força e lutarmos juntos. Pois, meu caro a roda gira e a fila avança ontem nós e hoje são os do quadro. Temos pena! é a vida!!