Enquanto a memória não me falhar:
– Muito dificilmente me esquecerei da obstinação de Passos Coelho durante a vigência da Troika que, de resto, levou o Governo liderado por si muito além das medidas de contenção orçamental exigidas por essa entidade, deixando a maior parte do país a “pão e água”. Os Funcionários Públicos não esquecerão, por certo, o “esplendor” de todas as suas malvadezas. Eu não esqueço;
– Muito dificilmente me esquecerei da Manifestação do dia 15 de Setembro de 2012, uma das maiores ocorridas em Portugal desde o 25 de Abril de 1974, contra a ignóbil proposta do Governo liderado por Passos Coelho, relativa à TSU (Taxa Social Única), que previa agravar de 11% para 18% os descontos dos trabalhadores e aliviar os dos empregadores, com uma descida de 23,75% para 18%.
– Muito dificilmente me esquecerei do protagonismo que Passos Coelho e André Ventura tiveram na apresentação do livro “Identidade e Família”, cuja visão de família e do papel da mulher aí difundida repudio;
– Muito dificilmente me esquecerei que André Ventura tinha Passos Coelho como o seu preferido, em termos de candidato presidencial, nas últimas eleições para a Presidência da República…
Quatro motivos que me parecem mais do que suficientes para considerar Passos Coelho como uma putativa “persona non grata” ou como um “activo tóxico” do PSD. Espero, portanto, que se mantenha muito longe dos principais cargos da República…
Não tenho qualquer dúvida de que Passos Coelho será visto como um “activo tóxico” do PSD, pelo menos para uma parte significativa dos cidadãos que viveram o tempo da Troika, em particular os Funcionários Públicos. Por isso, não creio que, para grande parte dos portugueses, Passos Coelho possa, alguma vez, ser visto como uma espécie de “redentor”, “salvador da Pátria” ou como um desejado D. Sebastião. Muito pelo contrário, acredito que poderá ser visto como uma ameaça ao equilíbrio social, que ainda vai havendo.
No passado dia 11 de Outubro, Pedro Passos Coelho concedeu uma entrevista à SIC Notícias, onde, entre outros, defendeu a existência de um entendimento parlamentar entre o PSD/CDS, o Chega e a Iniciativa Liberal… O antigo 1º Ministro também aproveitou essa ocasião para elogiar o líder do Chega, garantindo, ainda, que não está a preparar qualquer candidatura, sem, contudo, excluir essa possibilidade no futuro…
Como sabemos, em política, muitas vezes, o que parece é… No caso de Passos Coelho é por demais evidente a sua intenção de, num futuro próximo, sair da sombra e regressar como candidato a 1º Ministro, mesmo que o próprio não o tenha assumido publicamente…
“Os abutres pairam por aí”, Luís Montenegro que se cuide, ainda que também não mereça melhor sina, dado o seu pobre desempenho enquanto 1º Ministro, em particular no que respeita à imoralidade de manter um Ministro da Educação envolto em inúmeras e graves trapalhadas, assim como um Ministro da Administração Interna, enleado nas mais variadas suspeitas… Em qualquer país verdadeiramente desenvolvido, esses dois Ministros já teriam sido exonerados de funções há muito…
Se Passos Coelho regressar, prevê-se, desde logo, a intenção de operar uma viragem potencialmente catastrófica à Direita no PSD, do meu ponto de vista, altamente censurável, de resto, contrária à própria ideologia Social-Democracia original, inequivocamente de Centro-Esquerda…
Além do anterior, uma putativa aliança com uma agremiação de indivíduos muito propensa à falta de seriedade, frequentemente envolvida nas mais variadas palhaçadas e trapaceiras, sem qualquer pudor em levar a dramatização e a vitimização ao hemiciclo, mas também fora dele, descredibilizará ainda mais a Democracia, ao mesmo tempo que a colocará em iminente risco…
A ser assim, Passos Coelho bem poderá ficar com este vergonhoso epíteto:
– O coveiro da Democracia…
Se o PSD se deixar enredar por uma futura liderança de Passos Coelho, acabará por cometer “arakiri” político… Sobre isso, não tenho qualquer dúvida…
Depois não se queixem…
E para aqueles que considerem que este assunto não deveria aqui ser debatido, por não caber no âmbito de um Blog de Educação, talvez não fosse má ideia revisitarem o conceito de Educação e reavivar o respectivo significado…
(Nota: Contribuí, com o meu voto, para a vitória do PSD de Passos Coelho contra o PS da criatura aberrante e abjecta José Sócrates. Mas, depois de tudo o que se seguiu a essa eleição, espero convictamente que Passos Coelho permaneça o mais longe possível dos principais cargos da República).
Paula Dias








2 comentários
Concordo plenamente com o texto. Personagem limitada no pensamento e no arumentário, com desejo ardente de privatizar tudo e todos. Um Trump à portuguesa, que mentiu descaradamente ao povo e que se pudesse enviava os funcionários públicos para a fogueira. Uma personagem terrível que está a ser levada ao colo como se fosse o D. Sebastião. Ainda não entendi uma coisa: afinal, que fez este indivíduo por Portugal, para merecer tal dedicação?
Plenamente de acordo!