“Sou professor há 16 anos, mas é como se estivesse no primeiro ano da carreira”

“Sou professor há 16 anos, mas é como se estivesse no primeiro ano da carreira”

(…)

“Fomos vítimas de bullying por parte dos sucessivos governos”

“Estou no quadro desde 2005, estou vinculado desde esse ano. Mas, de lá para cá, o meu salário não subiu nem um cêntimo. Até desceu, por causa dos cortes”, comenta com o Observador José Carlos Gouveia, 37 anos, professor do 1.º ciclo e de Educação Física em Penafiel.

“Mantenho-me no primeiro escalão, como se estivesse no primeiro ano de carreira. Um colega que inicie agora as funções vai ganhar exatamente o mesmo que eu. Não tive nenhum tipo de benefício, mesmo estando no quadro há 12 anos e dando aulas há 16”, lamenta.

José Carlos distingue-se dos restantes manifestantes porque, em vez de uma bandeira sindical, traz uma grande cartolina onde relata a sua situação. “Professor há… um mês = 1º escalão; 16 anos = 1º escalão”, lê-se no cartaz.

O professor de Educação Física lamenta que as pessoas se “esqueçam de que os professores não levam uma vida cor-de-rosa”, e sublinha: “Nós não somos professores universitários ou catedráticos que ganham seis mil euros por mês. Levamos para casa mil e poucos euros por mês e podemos acabar a trabalhar a centenas de quilómetros de casa.”

José Carlos Gouveia é professor em Penafiel, mas a sua zona pedagógica estende-se até Viana do Castelo. Isto significa que um professor de Penafiel pode acabar colocado em Viana do Castelo. “Estamos a falar de mais de 100 quilómetros, com autoestradas, para ir trabalhar todos os dias. Ou então teria de arranjar lá uma casa. E os mil euros ficavam pelo caminho, só em combustível e portagens ou então numa casa”, destaca.

O professor acusa os sucessivos governos, “desde Maria de Lurdes Rodrigues até ao atual ministro”, de fazer “bullying” sobre os professores, e diz ter esperança de que o atual Governo “possa entender a realidade desta profissão”. José Carlos defende, por isso, “uma reorganização da forma de progressão nas carreiras”, mas diz que anúncios “vagos”, como classifica a informação avançada esta manhã pela secretária de Estado adjunta e da Educação de recuperar o tempo de serviço dos professores, são “para tapar os olhos” e exige medidas concretas.

Também Nancy Rafael, 41 anos, professora de Informática em Abrantes, veio de propósito a Lisboa para se juntar ao protesto. Conta que é professora há 16 anos, mas que ainda está no primeiro escalão. “Em condições normais, estaria no terceiro ou no quarto”, comenta.

Com uns óculos escuros onde se lê “hoje a aula é na rua”, Nancy Rafael diz ter vindo a Lisboa porque tem “esperança” numa decisão positiva por parte do Governo. “Ficar em casa é que não”, sublinha.

“Pelo menos para o segundo escalão tenho de ir já, mas o justo é subir para o escalão a que teria direito em condições normais, contando todo o meu tempo de serviço”, exige, acusando o Governo de querer “mandar areia para os olhos das pessoas” com promessas pouco concretas.

“É uma forma de nos calar, mas têm de vir com propostas concretas, é isso que exigimos”, afirma Nancy Rafael. (…)

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17 comentários

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    • ana afonso on 17 de Novembro de 2017 at 8:53
    • Responder

    Eu também tenho 16 anos de serviço, QZP desde 2004 e neste momento QA e estou no 1º escalão. Mas, mais grave por um dia que estou nesta situação.

      • Recurso on 17 de Novembro de 2017 at 9:40
      • Responder

      Mas não tem tempo de serviço antes do ano letivo 2004/05? É que eu estou na mesma situação, mas só comecei efetivamente a trabalhar no ano 2004/05 (como estagiário, contando na altura o tempo para futura integração na carreira), vinculei em 2009 e desde 2011 apenas me falta 1 dia para mudar de escalão.

        • ana afonso on 17 de Novembro de 2017 at 9:58
        • Responder

        Eu comecei a trabalhar em 2001 tem a certeza da sua situação

        Em 17/11/2017 9:41 da manhã, “Disqus” escreveu:

          • Recurso on 17 de Novembro de 2017 at 10:30

          Certeza absoluta. 363 dias em 2004/2005, 366 dias em 2008 (ano civil), 365 dias em 2009 (ano civil) e 365 dias em 2010 (ano civil). Falta assim 1 dia para progredir para o 2º escalão, isto já confirmado (há uns anos atrás) pela DRE.
          Olhe que o tempo enquanto contratada também tem de contar para progressão, tal como vai acontecer aos que entraram desde 2013 e agora vão ser reposicionados.

          • Vanda Cachapa on 17 de Novembro de 2017 at 21:23

          E o ano probatório? Vínculei em 2005 mas um ano foi probatório só progredi ao índice 167 no início de 2007. Eu também comecei em 2001.

          • Recurso on 17 de Novembro de 2017 at 23:57

          O período probatório foi realizado enquanto contratado. Tal foi reconhecido logo na entrada para os quadros, tal como agora acontece.

          • Vanda Cachapa on 18 de Novembro de 2017 at 11:17

          Não no meu caso, eu quando entrei não fui logo reposicionada no índice 167, foi a DREL que me reposicionou, num ofício que me foi enviado pois o Agrupamento onde estava manteve-me tempo a mais no 151, dizendo que por causa do congelamento eu não poderia mudar de índice.

    • torradeira on 17 de Novembro de 2017 at 10:07
    • Responder

    Mal por mal têm sorte, estão no 1º escalão, mas nos quadros. Eu sou contratado há 16 anos, já andei pelo Ribatejo, Alentejo profundo e Algarve, este ano “regressei a casa”. De vez em quando lá vem um horário incompleto que estraga tudo ou então um temporário. Além disso, o salário não são 1000€. As pessoas querem alarmar, mas nem sabem como. Eu sou contratado e recebo quase 1200€ se for um horário completo (com 2 dependentes – 2 filhas, uma delas bebé de apenas 10 mesinhos e as quais tive que deixar com a mãe para poder ter um horário, nem que fosse longe, longe, longe).

    Lutar sim, mas ao menos ponham dados corretos e situações mais desumanas, não tipos que deram 4 anos de aulas e vincularam…

      • Lurdes on 17 de Novembro de 2017 at 10:45
      • Responder

      Tenho 22 anos de serviço. Sou QZP desde o ano letivo 2000/ 2001. Estou no 3º escalão e o meu salário é 1273,47€.

        • Cristina on 17 de Novembro de 2017 at 11:20
        • Responder

        Tenho 22 de tempo de serviço e trabalho há 25 anos e estou no 1º escalão. Entrei em QZP em 2014 CEE…. Será que é desta!!! Reposicionada já!!!! Como milhares de colegas nesta situação!!!…

          • Vanda Cachapa on 18 de Novembro de 2017 at 11:33

          Sim, vai ser desta 🙂 merecidamente

        • Caluda on 17 de Novembro de 2017 at 19:20
        • Responder

        Porque é que diz que está no 3º escalão? Não sabe que ser do quadro é crime?
        Se houver qualquer coisinha é para os ex-contratados que vincularam este ano.
        Os sindicatos vão dizer-lhe que está muito bem na vida e que tenha pena de quem só entrou para o quadro agora.No ponto de vista sindical está no quadro há 17 anos.Ainda acaba mais longe de casa e com o salário mínimo.(Se há tanta gente que vive com o mesmo)

  1. Pois, eu sou professor há 23 e ainda não consegui sequer contabilizar 365 dias de serviço num único ano… independentemente da justiça da luta que agora está “em cima da mesa”!
    O mais engraçado (sim que isto para mim já me dá vontade de rir) destas lutas todas dos professores é que, a questão dos contratados, não é só muito mais injusta que todas as outras, como é mesmo uma questão nojenta e vergonhosa… mas alguém se importa com isso?! Alguém está disposto a lutar por aquela meia dúzia de miseráveis escorraçados? Ninguém, cada um defende os seus direitos, os outros que se amanhem… muitos dos professores dos quadros nem sabem bem a situação em que estão muitos dos colegas com quem trabalham todos os dias, ouviram apenas umas coisas, mas como não os afeta…
    Mas esta questão, de um estado, pertencente à UE, que reiterada, descarada e vergonhosamente contrata profissionais, ao longo de 15, 20 30 anos, sem os passar aos quadros devia envergonhar todos os portugueses, sim todos eles têm culpa, obviamente que uns mais que outros, mas se as pessoas se indignassem realmente com a situação, não havia governo que não resolvesse o assunto… até porque os custos dessa resolução são muito inferiores aos que são necessários para considerar os 9 anos no descongelamento das carreiras!
    Feliz ou infelizmente, para o bem e para o mal, muito provavelmente vou fazer toda a minha carreira como contratado… deviam ter todos vergonha!

    PS: Ainda bem que para mim isso não é um incómodo grande, mas eu sou uma exceção! 😉

  2. Ou seja, este título não deixa de me fazer sorrir… o meu título seria, “sou professor há 23 anos e é como se ainda nem tivesse começado”! :))))

    • Vanda Cachapa on 18 de Novembro de 2017 at 11:22
    • Responder

    Estou à espera que acautelem a situação de TODOS os que se encontram no 1°

    • Vanda Cachapa on 18 de Novembro de 2017 at 11:28
    • Responder

    Também me encontro nessa situação. Vejo que o compromisso da reunião de ontem refere os colegas do 1 escalão retidos no mesmo desde 2011. Eu estou retida aí desde 2005 e outros colegas desde 2004, pois já nessa altura, devido ao primeiro congelamento, nunca progredimos.

    • José Bernardo on 19 de Novembro de 2017 at 17:26
    • Responder

    …o pior deles foi o exelso doutor crato, mais conhecido como o carrasco da reforma curricular, deus o tenha!…

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