O Defeito é Dos Pregadores e Dos Ouvintes

O DEFEITO É DOS PREGADORES E DOS OUVINTES

 

 

Preguemos aos peixes!

 “Vos estis sal terrae” (“Vós sois o sal da Terra”),

“para iniciar o seu sermão. Segundo Cristo, os pregadores eram o “sal da terra” porque, tal como o sal impede que os alimentos se corrompam, também os pregadores tinham a missão de impedir a corrupção na Terra. Contudo, como a terra estava corrupta, havendo tantos pregadores, o defeito só poderia ser dos pregadores, que podiam não pregar a verdadeira doutrina ou, pregando-a, praticar acções em desacordo com essa doutrina ou, por outro lado o defeito poderia ser dos ouvintes, que não queriam receber a doutrina dos pregadores e preferiam antes seguir as suas acções do que as suas palavras.

Sendo o defeito dos pregadores, a solução seria seguir o conselho de Cristo e expulsá-los, mas, sendo o defeito dos ouvintes, poder-se-ia tomar a resolução de Santo António, quando pregava em Arimino e, não sendo ouvido pelos homens, resolveu mudar de auditório e pregar aos peixes, que o ouviram com atenção”.

Vamos de um modo muito sucinto lembrar o que os partidos políticos dizem das reivindicações dos professores:

CDS-PP diz que posições dos sindicatos são “bons pontos de partida” para negociar.

“A deputada do CDS-PP Ana Rita Bessa defendeu hoje que as posições dos sindicatos de professores são “bons pontos de partida, aceitáveis”, para uma negociação, expressando compreensão pelo protesto dos docentes.

“À partida, as posições que os sindicatos estabelecem de uma convergência – consoante os sindicatos, a dois, quatro ou dez anos -, parecem-nos ser bons pontos de partida, aceitáveis, para uma negociação”, defendeu a deputada centrista, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Ana Rita Bessa falava enquanto decorria a manifestação de professores em frente à Assembleia da República, em dia de greve nacional convocada por todos os sindicatos do setor para coincidir com a discussão na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2018 na Educação.

“É preciso haver negociação, é preciso incluir os professores, é preciso fazê-lo com gradualismo e com critérios, mas o que não pode acontecer é que os professores sejam deixados de fora do conjunto dos funcionários da administração pública”, defendeu.

O CDS argumentou que “o Governo ignorou os professores no Orçamento do Estado, ignorou o seu tempo de serviço, ignora muitos professores que, por esta razão, não vão conseguir chegar aos patamares de carreira relativamente aos quais tinham legítima expectativa de vir a alcançar”.

PCP, BE e PEV apoiam luta dos docentes!

“O PCP, o BE e o PEV manifestaram hoje apoio aos professores que se concentraram em frente à Assembleia da República, em dia de greve nacional, para exigir a contagem do tempo de serviço.

“Não podemos ignorar quem constrói a escola pública”, disse aos jornalistas a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, junto aos manifestantes. Para o Bloco, “não é aceitável ignorar a carreira dos professores”.

A dirigente do Bloco considerou justa a luta dos docentes e lembrou que questionou no parlamento o primeiro-ministro, António Costa, sobre o descongelamento da carreira docente.

Catarina Martins defendeu que o Ministério da Educação tem de encontrar uma solução para os professores não serem penalizados no tempo de serviço.

“Não haja dúvida de que sem luta não se conseguem alcançar objetivos e a luta que os professores estão hoje aqui a travar é um contributo importantíssimo para que a solução para esse problema avance”, defendeu o líder parlamentar do PCP ao falar aos jornalistas ao fundo das escadarias, onde se concentraram os professores.

O PCP, garantiu, apresentará a proposta necessária para garantir a contagem do tempo de serviço para os professores e para todos os trabalhadores da Administração Pública que se encontram na mesma situação dos docentes e que “correm o risco de ver tempo de trabalho deitado fora”.

“Isso é inadmissível”, declarou.

A deputada Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista Os Verdes, manifestou “total solidariedade” para com os professores e defendeu que o congelamento das carreiras “nunca deveria ter existido”.

“O que os professores reclamam é justiça, que o seu tempo de serviço não seja apagado”, disse.

PSD acusa Costa de “falta de vergonha” sobre congelamento de carreiras!

“O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, acusou hoje o primeiro-ministro de “falta de vergonha” na questão do congelamento da progressão das carreiras dos professores, por ter alegadamente imputado responsabilidades ao anterior governo.

“Este é um padrão recorrente de falta de vergonha do doutor António Costa. E quero dizê-lo com estas letras todas e desta forma: quem congelou a progressão das carreiras foi o Governo do engenheiro Sócrates. Quem levou o país à pré-bancarrota foi o Governo do engenheiro Sócrates, onde o Dr. António Costa foi número dois na altura e durante muito tempo, de resto durante todo o consulado do engenheiro Sócrates, foi número dois no Partido Socialista”, disse Hugo Soares aos jornalistas, à margem de uma visita ao pinhal de Leiria.

“Se o Dr. António Costa tem vergonha de ter estado com o engenheiro Sócrates, quer no partido, enquanto dirigente e número dois, quer no Governo, então o Dr. António Costa que o assuma. Agora, o que ele deve também é ter vergonha de constantemente não assumir as suas responsabilidades”, acrescentou o líder parlamentar do PSD.

Hugo Soares disse que o Governo “anuncia todos os dias que virou a página da austeridade” e que o país é hoje “absolutamente sustentável”, com “crescimento esmagador, que já não há qualquer tipo de problema de consolidação das finanças públicas”.

O PS admitiu que “não é possível reconhecer o tempo todo de serviço” no descongelamento de carreiras e pede um “mecanismo suficientemente dilatado no tempo”, tendo o Governo adiantado que está a negociar “nesse sentido”.

E esteve mesmo! No dia 18 de madrugada chegou a um acordo de princípio com os sindicatos!

Sendo o defeito dos pregadores, a solução seria seguir o conselho de Cristo e expulsá-los, mas, sendo o defeito dos ouvintes, poder-se-ia tomar a resolução de Santo António, quando pregava em Arimino e, não sendo ouvido pelos homens, resolveu mudar de auditório e pregar aos peixes, que o ouviram com atenção”.

 

João Ferrer

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2 comentários

    • José Bernardo on 19 de Novembro de 2017 at 17:18
    • Responder

    …vivemos o tempo dos PALRADORES!

    • Ant on 19 de Novembro de 2017 at 20:21
    • Responder

    Devo ser um péssimo ouvinte, é que “ouço” (leio) no memorando de entendimento (faz lembrar a troica) que ficou acordado que se irá inserir os colegas que efetivaram em 2011 na carreira. Eu efetivei em 2003 e trabalho desde 2000, tenho dezasseis anos e 10 meses de serviço mas estou e pelo que li no ponto “III” do acordo que apenas se destina aos que efetivaram após 2011. Não subi de escalão em 2004 porque com a alteração da legislação para os escalões da Maria de Lurdes Rodrigues, era obrigado a ficar 4 anos no 1º escalão e não havia inserções para ninguém. Agora o sindicato acorda a coisa para os que entraram na VE e os outros que se lixem. Mais uma ultrapassagem, até no escalão. Esta gente que está nos sindicatos tem que deixar de nos representar e pronto, não pensam em todos, só pensam nos que chegam de novo com normas inventadas à medida e de legalidade duvidosa.

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