Da Reunião de Hoje ME/FENPROF

Ministério da Educação quer impor regras que prejudicam, gravemente, os professores

 

 

Em relação à progressão aos 5.º e 7.º escalões da carreira pretende deixar à discricionariedade das Finanças a progressão na carreira docente.

Quanto aos concursos, não só recusa resolver problemas que persistem no atual regime, como pretende avançar com um concurso interno antecipado inútil para os propósitos anunciados.

 

 – Progressão aos 5.º e 7.º escalões

. A ausência de uma percentagem mínima para qualquer um dos casos (previsto no acordo de princípios de 2010), deixa à discricionariedade dos governos, em particular, das finanças, em cada ano, a decisão sobre o número de vagas. Daí poderá resultar a não abertura de qualquer vaga para progressão, como acontece, por exemplo, com as vagas das licenças sabáticas e de equiparação a bolseiro. O ME recusa mesmo prever na Portaria a aprovar a obrigatoriedade de negociação anual das vagas.

. O ME pretende atribuir uma bonificação que não tem qualquer efeito prático a quem ficar retido nos 4.º e 6.º escalões, por falta de vagas. A FENPROF considera que a única forma de compensar a retenção será deduzir esse tempo nos escalões seguintes, eventualmente, 1 ano por cada escalão. Esta será, também, a única forma de não fazer aumentar a duração da carreia, que já está em 34 anos. O ME recusa esta possibilidade.

. Não há qualquer norma transitória para quem aguarda, há 7 anos, pela saída desta portaria. Para a FENPROF, estes docentes deverão progredir, excecionalmente, aos 5.º e 7.º escalões, sob pena de muitos perderem, de imediato, ainda mais do que os 9 anos, 4 meses e 2 dias de todos os outros.

 

– Concurso interno antecipado

. Sempre que se realizou um concurso interno antecipado foi-lhe associada uma Mobilidade Interna, nos exatos termos em que a prevê o regime geral de concursos. Da primeira vez em que isso era indispensável (o ME admite que este concurso interno antecipado se destina a mitigar a insatisfação pelo que aconteceu no início do ano), o ME decide alterar a forma como a Mobilidade Interna decorrerá, na prática, anulando o efeito pretendido com a antecipação. A manter-se esta posição do ME, estaremos perante um logro.

 

. Entende, ainda, a FENPROF que as alterações ao regime de concursos deverão ir além da antecipação do concurso interno. É necessário corrigir outros aspetos, tais como:

 

  • Definição de regras objetivas para a abertura de lugares, de acordo com necessidades reais das escolas;
  • Prioridade única para todos os docentes de todos os quadros, tanto no concurso interno, como na mobilidade interna;
  • Redução da área geográfica dos QZP;
  • Vinculação aos 3 anos de serviço, no respeito pelas normas previstas no código de trabalho (possibilidade de interrupção não superior a 1/3 da duração do contrato anterior) e considerando completos, para este efeito, todos os horários acima de 20 horas;
  • Acesso de todos a todas as vagas colocadas a concurso, ou seja, quando há concurso externo para vinculação, as vagas abertas não podem deixar de ser antes colocadas no concurso interno.

 

Outras matérias estiveram também em discussão nesta reunião negocial, a saber:

 

– Regime de concursos para docentes de Música e Dança

Independentemente de alguns aspetos relativos ao regime, que a FENPROF ainda espera que sejam melhorados, o problema maior é que o ME, apesar do compromisso que assumiu, não prevê um concurso de integração extraordinário, pelo que alguns docentes com muitos anos de serviço poderão ficar de fora, sendo ultrapassados por outros. O ME diz estar convicto que não, mas sem garantir.

 

– Concurso de integração extraordinária para docentes de técnicas especiais

O problema, neste caso, é inverso, pois o projeto do ME não prevê um regime de concursos para o futuro, que, entre outros aspetos, inclua uma norma de vinculação dinâmica. Assim, poder-se-á estar a resolver um problema imediato, mas sem resolver a questão de fundo, o que significa que o problema voltará a colocar-se mais tarde.

 

Face ao que aconteceu nesta reunião, a FENPROF decidiu divulgar, no final, a Carta Aberta sobre concursos, que se anexa. Decidiu, ainda, convocar, para o próximo dia 6 de dezembro, um Plenário Nacional de Professores, descentralizado por vinte e uma (21) localidades (informação, também, em anexo). Na sequência desse Plenário Nacional poderão vir a ser desencadeadas formas de luta, com vista à alteração das posições que, intransigentemente, estão a tentar ser impostas pelo Governo.

 

O Secretariado Nacional

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8 comentários

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    • Américo Alves on 1 de Dezembro de 2017 at 0:07
    • Responder

    Estes entraves que o ME coloca à passagem do 2º para o 3º, do 4º para o 5º e do 6º para 7º escalão provam que as alterações à carreira feita em 2010 foram um logro. A carreira ficou desfeita nesse ano.
    Mas, na altura, os sindicatos aceitaram isso.
    Hoje, os sindicatos não podem tentar esconder essa verdade atrás dos 9 anos de congelamento. Ninguém vai nessa conversa. Não cola.
    Quem está a meio da carreira, vai sempre ficar com a ideia que essa derrota sindical de 2010 foi atenuada pelo acrescento do 10º escalão à carreira.
    Um escalão extra.
    Parece um escalão bom porque corresponde a um índice superior ao maior que existia antes, mas só é bom para aqueles que estão do 7º escalão para cima.
    Para esses a carreira ficou melhor em 2010.
    Os outros (que são o grosso da pirâmide e o ME bem sabe disso) nunca lá chegarão.
    Os professores não estão nada contentes com os sindicatos. É o que ouço todos os dias.

      • mario silva on 1 de Dezembro de 2017 at 1:02
      • Responder

      Exatamente. E acrescente-se que o dinheiro que poderia ser aplicado nas progressões, foi para outras paragens e já não retorna; portanto, esse grosso tem de meter na cabecinha que parou definitivamente de progredir.,

    • Lope on 1 de Dezembro de 2017 at 9:48
    • Responder

    E sobre o regime especial de aposentação nada? É bom ter os mais velhos a pagar quotas para os sindicatos, não é. É muito por causa dessa ganância que hoje estamos como estamos. Sim, é mentira! O País não tem recursos para suportar 130 mil docentes no sistema com a Carreira como está desenhada. Ainda por cima com uma grande fatia de professores no penúltimo escalão da actual Carreira. Mentiram! O melhor teria sido um regime especial como têm outros profissionais. Teria sido melhor para os que saiam e melhor para quem ficava. Assim tramámo-nos todos.

    • Fábio Menezes on 1 de Dezembro de 2017 at 9:52
    • Responder

    A somar à injustiça do (re)congelamento-dando-a-ideia-de-descongelamento, ainda há a injustiça de a mobilidade interna em 2018 ser ao gosto do freguês. Nesta altura do jogo: ME-1, sindicatos-0. Seria bom que os sindicatos alterassem o marcador.

    • CJ on 1 de Dezembro de 2017 at 12:08
    • Responder

    Compromisso = vigarice. Pior, todos os que o assinaram, sabiam. Aproveitaram-se do nosso dia de greve para chegarem, eles, ao décimo escalão. Escrevi algo idêntico no dia de mais uma traição dos sindicatos, a que agora chamaram compromisso.

  1. Claro que desconvocar a greve só para permitir que o PCP e o BE pudessem aprovar o orçamento do PS ia dar nisto. Em janeiro virá um acordo qualquer, sendo bom ou mau os sindicatos dirão que foi uma vitória como fazem ano após ano. Vergonhoso.

    • Bruno on 1 de Dezembro de 2017 at 14:51
    • Responder

    Quanto aos concursos é claro que o MEC não pode alterar as prioridades em relação ao ano anterior, iria causar uma anarquia idêntica à criada com a desregulação da vinculação na carreira docente em 2013 (concursos extraordinários).
    No dia em que a FENPROF e a FNE conseguirem que no CI os QZP e QE voltem a concorrer em igualdade, o MEC perde automaticamente o motivo que tem vindo a alegar para poder abrir concursos extraordinários, o de que esses docentes entram para QZP e nos CI (vinculações a QE e QA) concorrem numa prioridade diferente.
    Caso alterem as regras, quem impede que os colegas de QE que quiseram concorrer na MI para quadros próximos da sua zona, quadros esses ocupados agora por QZPs em plurianualidade, sintam que foram lesados porque essas vagas não são agora colocadas a concurso com as novas normas solicitadas pelos sindicatos.
    A solução mais simples, a meu ver, seria acabar de vez com a figura de QZP, obrigar já neste concurso a que as escolas abrissem vagas de QE em número idêntico à dos docentes que as ocupam. Quem quiser concorrer concorre, se está em QZP e não concorreu à vaga de QE aberta na escola em que foi colocado na MI em 2017, correr o risco de ser colocado em horário zero (risco que sempre existiu).
    Se um QZP pode ocupar uma vaga de 8 horas três anos seguidos, essa vaga deve ser considerada permanente e ser disponibilizada no CI ou não? Não cola dizer que os QZP podem concorrer na MI para horários de 8 horas e que para o CI esses horários não contam,

      • Júlia on 1 de Dezembro de 2017 at 18:04
      • Responder

      Se abrisses essas vagas em qa sem ter em conta necessidades permanentes da escolas que não são aferidas por um horario completo num ano depois terias muitos milhares de qa em horário 0? Pensa antes de propor soluções inúteis

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