… porque está a preparar o maior ataque surpresa a este governo.
Uma grande manifestação no dia da aprovação do Orçamento de Estado para 2017.
Uma grande marcha colorida em defesa das condições de trabalho dos professores e do seu descongelamento da carreira.
Uma enorme greve contra a municipalização e a gestão das escolas.
Tenham calma.
O eclipse de Mário Nogueira
O silêncio e a mudança de tom do ex-mediático sindicalista Mário Nogueira é, para os professores e diretores, cada vez mais evidente.
Nem todo o silêncio é bom e há silêncios que são ensurdecedores. É o caso do silêncio de Mário Nogueira, o secretário-geral da Fenprof, que durante o último ano não fez críticas nem agendou protestos contra medidas adotadas, ou não, pelo Ministério da Educação.
Uma mudança de comportamento que salta à vista dos professores ouvidos pelo SOL e que é comentada entre os corredores das escolas, onde se recordam os protestos de grande dimensão organizados pela Fenprof durante a tutela de Maria de Lurdes Rodrigues e de Nuno Crato.
«Ele está afeto ao PCP que está a sustentar o Governo e, mesmo que queira, não pode dizer mal do Ministério da Educação senão terá problemas com o partido», diz o presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima.
A opinião é partilhada pelo professor e especialista em Educação, Paulo Guinote, para quem Mário Nogueira «é um quadro disciplinado do PCP» e que por isso «nunca poria em causa a estabilidade da gerigonça».
O professor salienta ainda que «pela primeira vez, nos últimos 15 anos, a Fenprof está a apostar na estratégia de negociação e congelou a confrontação nas ruas».
E isso nota-se, aliás, no tom e na frequência dos comunicados da Fenprof. O ministro Tiago Brandão Rodrigues tinha acabado de chegar à 5 de Outubro, aos 50 dias de mandato, e a Fenprof enviou um comunicado às redações a fazer um «balanço positivo» da ação governativa. «É como se o Ministério da Educação tivesse realizado obras de saneamento básico, aliás mais do que indispensáveis… A nova equipa ministerial limpou o entulho. Agora, há que partir para as medidas de fundo», salientou no documento o secretário-geral da Fenprof.
«Não me lembro de terem feito isso com nenhum ministro», frisa Filinto Lima.
E este é apenas um dos exemplos da mudança de tom no discurso da Fenprof. Mas há outros. Este Governo já desenhou dois Orçamentos do Estado e «não há qualquer palavra de descongelamento da carreira» dos professores, salienta Paulo Guinote lembrando que esta era uma das principais reivindicações dos sindicatos. Agora «deixou de ser uma prioridade». Aquilo que «há três ou quatro anos seriam medidas inaceitáveis e tidas como ataque à classe, neste momento são alvo de negociação», acrescenta o professor.




