Só Quem Não Conhece a Realidade Actual do Ensino Poderá Estranhar Esta Exigência

E quando se chega ao ponto de exigir que um docente faça vigilância a um recreio repleto de “berraria” após o dia inteiro numa sala com uma turma é porque não compreende que determinadas pausas são necessárias para o professor libertar-se um pouco desse stress causado dentro da sala de aula.

 

 

Federação Nacional de Educação quer stress na lista de doenças profissionais

 

 

big_1449327171_3586_FNE_1810

 

Campanha Nacional da Saúde serviu para lançar inquérito segundo o qual quase um quarto dos professores já passou por situações de stress.

 

 

A Campanha da Saúde, que terminou este sábado, revelou situações de stress agudo nas escolas. A Federação Nacional de Educação (FNE) diz que quase um quarto dos professores já passou por situações de stress e quer que o stress seja incluído na lista de doenças profissionais.

Em comunicado, a plataforma sindical anuncia que no decorrer da campanha lançou um inquérito a professores. Recolheu 223 questionários validados: “Cerca de um quarto (23,3%) revelou que no seu percurso profissional já experienciou situações agudas de stress profissional”.

Apesar de 17,4% dizer que desconhece os factores de risco, a FNE aponta para as turmas grandes, a elevada carga horária, as alterações permanentes na organização do sistema educativo, a incerteza profissional, a indisciplina, a burocracia, a competição, o mau relacionamento profissional e a excessiva extensão dos programas.

De acordo com a FNE, metade dos inquiridos revelou já ter faltado ao serviço por causa de lesões musculo-esqueléticas e quase todos (95%) afirmaram que os respectivos problemas de saúde estão frequentemente relacionados com as condições de trabalho.

A partir destes dados, a FNE exige ao actual Governo que a lista nacional de doenças profissionais seja actualizada e passe a incluir o stress, que haja prevenção centrada nas doenças profissionais e que todos os trabalhadores tenham direito a uma entrevista médica gratuita por ano.

No entender da FNE, todas as escolas deveriam ter delegados de saúde e segurança no trabalho. Deveria haver uma estreita colaboração entre escolas, centros de saúde e hospitais deveria ser criada uma base de dados confidencial de trabalhadores da educação, com historial de lesões ou doenças profissionais.

A Campanha Nacional da Saúde decorreu durante sete meses com a realização de sessões temáticas por todo o país e ilhas autónomas com o objectivo de sensibilizar os professores para algumas das questões “críticas” para estes profissionais, entre o stress, as perturbações músculo-esqueléticas e a voz.

 

 

Mais informações no site da FNE:

 

Sete meses depois a FNE está em condições de apresentar um caderno reivindicativo que permita uma evolução positiva nos atuais mecanismos de proteção na saúde para os trabalhadores da Educação a saber:

  • Um novo paradigma de prevenção, que impeça que os profissionais da educação atinjam níveis graves das doenças profissionais.
  • A atualização da lista nacional de doenças profissionais, tendo em conta a realidade nacional atual e nomeadamente incluindo o stress;
  • Inclusão no setor público do regime de Medicina do Trabalho já existente no setor privado (consulta médica periódica anual).
  • A eleição de representantes de Saúde e Segurança no Trabalho em cada agrupamento ou escola não agrupada.
  • O direito a uma formação contínua em Saúde e Segurança no Trabalho para todos os profissionais da educação.
  • A inclusão de pais e alunos na promoção de uma verdadeira cultura de Saúde e Segurança na comunidade escolar.
  • A necessidade de uma estreita colaboração entre as escolas, os Centros de Saúde e os hospitais.
  • A criação de uma base de dados não nominal de lesões e doenças profissionais de trabalhadores da educação, para efeitos estatísticos e de prevenção.
  • A prestação de consultoria jurídica e técnica aos profissionais da educação e às lideranças escolares sobre a execução da avaliação de risco nas escolas.
  • A inclusão da Saúde e Segurança no Trabalho na formação inicial dos professores.
  • O fortalecimento dos programas nacionais de saúde e segurança nas escolas.
  • A promoção do intercâmbio de boas práticas à escala nacional e internacional.

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2015/12/so-quem-nao-conhece-a-realidade-actual-do-ensino-podera-estranhar-esta-exigencia/

7 comentários

1 ping

Passar directamente para o formulário dos comentários,

    • Zé Morgado on 6 de Dezembro de 2015 at 17:48
    • Responder

    É mesmo, Arlindo (…) “Na verdade, os dados só podem surpreender quem não conhece o universo das escolas, como acontece com boa parte dos opinadores que pululam pela comunicação social perorando sobre educação e sobre os professores. Aliás, esta situação verifica-se noutros países, sendo que para além dos professores, os profissionais de saúde e de apoios sociais também integram os grupos profissionais mais sujeitos a stress e burnout.”
    (…) http://atentainquietude.blogspot.pt/2015/12/professor-uma-profissao-de-risco.html

      • Pois on 8 de Dezembro de 2015 at 14:57
      • Responder

      Não se esqueça que estes gajos assinaram com o crato a diminuição os salários, aumento dos alunos por turma, congelamento da carreira, aumento da carga horária e eliminação das reduções?

    • filipa on 6 de Dezembro de 2015 at 20:22
    • Responder

    Representantes da saúde e segurança no trabalho em cada escola?!… Para quê?! Mais tachos…

    • Cat Janine on 6 de Dezembro de 2015 at 22:09
    • Responder

    Ficou a faltar o enquadramento, tal como acontecem aos funcionários de Estabelecimento Prisionais, do estatuto de “Profissão de Risco” — o que implica um abono de acordo com o índice salarial — uma vez que todos nós sabemos que todos os dias estamos sujeitos aos mais diversos tipos de riscos físicos e psicológicos, quer por parte dos alunos quer por parte de familiares dos aluno.

    • Do Contra on 6 de Dezembro de 2015 at 22:56
    • Responder

    As grandes preocupações da FNE…

    • Pois on 8 de Dezembro de 2015 at 14:55
    • Responder

    A FNE esteve calada anos. Agora, toca a reclamar, por causa do stress! LOL!

    Onde estavam estes gajos quando se baixaram os salários, aumentaram os alunos por turma, congelaram a carreira, aumentou a carga horária e eliminaram as reduções?!?

    Já sei… estavam em reunião com o crato a assinar por baixo estas medidas…

    Já estou com stress só de os ouvir.

  1. […] É mesmo, Arlindo (…) "Na verdade, os dados só podem surpreender quem não conhece o universo das escolas, como acontece com boa parte dos opinadores que pululam pela comunicação social perorando sobre educação e sobre os professores.  […]

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Blog DeAr Lindo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading