O poder, quando é mal usado, tem um sabor frio. Não se mede pelo que se constrói, mas pelo que destrói: reputações, confiança e dignidade. Há quem o use para ferir, manipular a verdade, para tornar a mentira realidade. Pergunto-me muitas vezes que prazer encontra quem segue esse caminho… Que ganho há em tentar esmagar um colega, em distorcer o que é evidente, em humilhar e dominar?
E depois estão os que observam. Que veem, sabem, mas escolhem não agir. Alguns passam ao lado, indiferentes, como se nada lhes dissesse respeito. Outros, pior ainda, decidem apoiar quem abusa, ajudando a perpetuar injustiças, compactuando com mentiras, colaborando com a perseguição. O silêncio e a cumplicidade transformam-se em armas poderosas, que fortalecem o opressor e prolongam o sofrimento e a injustiça.
Mas nem tudo se perde. No meio do medo, da mentira e da conveniência, há quem resiste, não se curva, não desiste, mesmo quando está só, porque sabe que a verdade e a razão estão do seu lado. A coragem é ausência de medo, é decidir agir, permanecer firme, defender o que é justo, mesmo quando é difícil e não se tem apoio dos pares.
A escola não pode ser apenas um lugar de transmissão de conhecimentos. Deve ser um espaço de valores, de exemplo, de cidadania e de resiliência. Cada gesto, escolha, silêncio, cumplicidade, transmite uma lição invisível, mas real. A responsabilidade é de todos nós: o que toleramos, defendemos, compactuamos, molda o ambiente que deixamos aos que aprendem conosco.
No fim, ser educador é, sobretudo, viver aquilo que se ensina. É ter coragem quando é mais fácil silenciar. É resistir quando tudo parece inclinar-se para o erro. E confiar que, mesmo no meio de injustiças e cumplicidades, a integridade, a verdade e a razão continuam a existir, e que é nelas que reside a esperança de uma escola justa e humana.
José Pereira da Silva




4 comentários
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Infelizmente essa é a realidade na maioria das escolas. A maioria dos professores não se manifesta por medo. Caso o faça sofre retaliações que a lei contornada à medida abafa.
Muito difícil nestes dias de suposta democracia, poder exercer a sua opinião com a devida consciência do dever cumprido sem ser maniatado.😥
Oh. meu Deus, tanta poesia! Mais um discurso estéril e melífluo! Enfim…
Ohh lambisgoia, se não fosse estar segura da posição de privilegiada, eras mais humilde e talvez assim conseguia ver a importância da poesia e não desvalorizar e zombar de quem escreveu este texto e com razão. Esperamos que não seja docente. Mal empregados dinheiros públicos para pagar gente com tal retardamento mental.
Os professores sempre foram cobardes.
Medrosos e interesseiros.
Não prestam para nada. O que aconteceu há dois anos foi uma exceção à regra da cobardia e do compadrio e amiguismo.
Uma profissão de mer da feita por gente de mer da.