RESOLUÇÃO: Negociação da Revisão do Estatuto da Carreira Docente

O Secretariado Nacional da Federação Nacional da Educação (FNE), reunido em Lisboa no dia 7 de novembro de 2025, analisou e debateu a proposta de protocolo negocial apresentado pelo MECI na reunião realizada no dia 6 de novembro de 2025, que dará início ao processo negocial relativo à revisão do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, considerando a relevância deste tema para o futuro da profissão docente e para a qualidade do sistema educativo.

RESOLUÇÃO: Negociação da Revisão do Estatuto da Carreira Docente

A FNE recorda que a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD) constitui uma exigência há muito colocada aos sucessivos Governos, face à necessidade de corrigir injustiças acumuladas, valorizar devidamente a profissão docente, garantir a sua atratividade e melhorar as condições de trabalho.

Neste contexto, o Secretariado Nacional da FNE:

Reafirma a urgência da abertura de um processo negocial efetivo, abrangente e calendarizado, que envolva o conjunto das matérias estruturantes da carreira docente, assegurando uma participação séria e consequente das organizações sindicais representativas dos Professores e Educadores.

– Defende que a revisão do ECD deve garantir:
A contabilização integral o tempo de serviço prestado para efeitos de posicionamento na carreira, garantindo condições não discriminatórias de progressão (ultrapassagens) na carreira;
A eliminação das vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões, garantindo a sua não substituição por outros mecanismos injustos que visem limitar e/ou criar constrangimentos na progressão em carreira;
A valorização salarial global da carreira, que permita recuperar poder de compra e alinhar o rendimento de todos os docentes com a responsabilidade e a exigência profissional, adotando um estatuto remuneratório justo, que valorize a função social e educativa dos docentes e salvaguarde, pelo menos, a equiparação ao topo da carreira técnica superior da Administração Pública;
Medidas compensatórias para os docentes que não usufruíram da recuperação total ou parcial do tempo de serviço congelado;
A revisão do modelo de avaliação de desempenho docente, garantindo a sua função formativa, de melhoria de práticas e não penalizador;
A melhoria das condições de trabalho e de bem-estar, respeitando os limites legais do tempo de trabalho, definindo com clareza a distinção entre componente letiva e não letiva, e reduzindo a componente letiva dos docentes em fim de carreira;
A redução da carga burocrática e da pressão administrativa, devolvendo tempo para o essencial: o processo de ensino-aprendizagem;
A criação de mecanismos de renovação geracional, capazes de atrair novos profissionais e assegurar a sustentabilidade do nosso sistema educativo;
A garantia da contratação de docentes em horários completos, para combater a precariedade e a instabilidade nas escolas, devendo ser assegurado o respeito pela graduação profissional;
Medidas eficazes para garantir tolerância zero à indisciplina e à violência em contexto escolar;
A revisão do quadro legal das habilitações para a docência, assegurando uma formação inicial exigente e adequada;
A criação de condições específicas de aposentação sem penalizações, reconhecendo o especial desgaste do trabalho docente, bem como desbloquear o acesso à pré-reforma;
A defesa da profissionalidade docente.

Reitera que o processo de revisão do ECD deve resultar de um diálogo responsável, assente no respeito mútuo e na procura de soluções concretas, evitando decisões unilaterais e garantindo compromissos de médio e longo prazo que promovam a estabilidade e a confiança no sistema
educativo.
Apela ao Governo para que assuma este processo como uma prioridade política nacional, reconhecendo que a valorização da carreira docente é condição essencial para o sucesso educativo, para a coesão social e para o desenvolvimento do país.

O Secretariado Nacional da FNE reafirma a sua total disponibilidade para participar de forma construtiva nas negociações, com propostas realistas e sustentáveis, mas também com firmeza na defesa dos direitos e da dignidade profissional dos educadores e professores.

Lisboa, 7 de novembro de 2025
O Secretariado Nacional da FNE

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5 comentários

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    • Mic on 8 de Novembro de 2025 at 10:39
    • Responder

    “• A redução da carga burocrática e da pressão administrativa, devolvendo tempo para o essencial: o processo de ensino-aprendizagem;”

    …e à família e ao lazer do profissional, que os fins de semana inteiros passados de volta de avaliações e de preparação de reuniões de avaliação intercalar rídículas, de final de semestre/período, produção de relatórios para CPCJ, Tribunal, Serviços Prisionais, etc, porque é tudo para ontem, são incontáveis!

    “• Medidas eficazes para garantir tolerância zero à indisciplina e à violência em contexto escolar;”

    No meu tempo de aluno, e ainda de início de carreira, chumbava-se, com efeitos imediatos, quando se ultrapassava o limite legal de faltas, ao contrário da benevolência institucionalizada e contraproducente dos dias de hoje.

    “• A criação de condições específicas de aposentação sem penalizações, reconhecendo o especial desgaste do trabalho docente, bem como desbloquear o acesso à pré-reforma;”

    Que volte a possibilidade, que foi roubada, de se pedir a pré-reforma aos 30 anos de serviço e 55 de idade (ao menos….aos 60…caramba!). Que a questão de se a pensão ao final do mês é, ou não, suficiente seja uma decisão pessoal e não extrapessoal.

    • Zabka on 8 de Novembro de 2025 at 10:51
    • Responder

    Tanta exigência para acabar a baixar as calcinhas ao sr sonsinho

    • 🤮 on 8 de Novembro de 2025 at 13:54
    • Responder

    Nem uma palavra sobre as ditaduras (modelo de gestão) em que se transformaram as escolas!!!!
    Vigaristas. Vendidos.

    • Ana on 8 de Novembro de 2025 at 14:04
    • Responder

    Nao falam sobre os diretores das escolas : acabar com a forma como é eleito. Serem os professores da mesma escola a votar!

      • Pedro on 8 de Novembro de 2025 at 23:00
      • Responder

      CONCORDO PLENAMENTE!
      OS/AS DIRETORES SÃO UNS VENDIDOS, ATRIBUINDO AS QUOTAS A QUEM LHE DÁ GRAXA OU OUTRAS TIPOLOGIAS DE NECESSIDADES…
      TEM DE SE COLOCAR, DE VEZ, O DEDO NA FERIDA: EM VIRTUDE DESTA AVALIAÇÃO DOCENTE QUE NÃO PASSA DE UMA FALÁCIA, CORRUPÇÃO CONTRA QUEM EFETIVAMENTE TRABALHA, PORQUE AS QUOTAS SÃO ATRIBUIDAS AOS SHOW-OFF, NÃO INTERESSA PREPARAR AULAS, BASTA FAZER UNS CREPES, UMAS BANDEIROLAS E ABANAR O CU NOS CORREDORES… NEM QUE LEVEM BOFETADAS DOS ALUNOS…

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