O Colégio Moderno é caro e não duvido que têm currículos carregados de cidadania e direitos humanos.
Mas os seus meninos deram uma coça a um refugiado na noite lisboeta.
A tradição de as classes possidentes andarem na rua, à noite, a bater em pobres e gente sem poder é velha em Lisboa.
Houve pelo menos um rei que o fazia com os seus amigalhaços (D.Afonso VI). Andava nas ruas a bater e insultar os passantes.
De que serve ser uma aristocracia sem afirmarem o seu poder impune?
Mas, nas aulas, nos seus exames e testes e trabalhos de pesquisa, devem papaguear a declaração dos direitos humanos, de trás para a frente, e até devem saber detalhes ínfimos da História da ONU ou sobre tratados sobre refugiados.
É como muitos beatos, que sabem a catequese de pernas para o ar, mas não praticam porque uma coisa é marrar outra é realmente praticar.
E este é um problema clássico da educação para os direitos humanos: se for só teórica, lançada à terra no meio social do privilégio ou racismo ou discriminação endémica é perder tempo.
O Colégio Moderno tem direito a beneficiar da tolerância, face aos maus alunos que produziu, como qualquer outra escola: as lições podem ter sido dadas, mas foram recebidas?
O ambiente social e familiar de elitismo e privilégio não se combate só com escola….
E os pais que pagam (como os que não pagam) não gostam muito quando os professores percebem o mau resultado da suas opções sociais e familiares que geram meliantes e agressores.
Tem pai que é cego, já dizia o cómico.
E a cegueira passa por nem perceberem como fabricam estes comportamentos.
Andou tudo excitado com a série da Netflix, mas a mensagem passou mal.
Mas o Colégio e qualquer outra escola pode sempre perguntar em metáfora: se um médico receitar um xarope eficaz, mas o doente de tosse o diluir em água e não funcionar, quem tem culpa?



