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Mar 09 2026
Amanhã termina o apuramento de vagas ao concurso interno de 2026 e para poder antecipar as vagas que serão abertas para este concurso criei este formulário para que sejam indicadas pelas escolas as vagas solicitadas na plataforma SIGRHE.
Bem sei que não terei a totalidade de vagas de todas as escolas, mas se a amostra for suficiente já sou capaz de perceber por aproximação o número de vagas em concurso.
Agradeço a vossa ajuda na divulgação deste formulário.
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Mar 09 2026
No seu discurso de tomada de posse como Presidente da República, António José Seguro falou de quase tudo o que costuma caber na liturgia presidencial: coesão social, desigualdades, necessidade de diálogo político, estabilidade institucional e até a promessa solene de representar “todos os portugueses”. Foi um discurso correto, equilibrado e cuidadosamente calibrado para não criar inimigos no primeiro dia de mandato. O problema é que, no meio de tanta prudência, houve uma ausência particularmente ruidosa: a educação.
Não é que o tema tenha sido frontalmente rejeitado ou criticado. Pior do que isso. Foi tratado como se costuma tratar aquilo que toda a gente diz ser importante mas que raramente entra na lista das prioridades reais. A educação apareceu diluída na habitual enumeração de valores genéricos sobre oportunidades, futuro e desenvolvimento do país. Palavras que cabem bem em qualquer discurso institucional, mas que também servem perfeitamente para não dizer nada de concreto.
É curioso porque a escola pública portuguesa atravessa um dos momentos mais delicados das últimas décadas. Falta de professores em várias regiões, envelhecimento acelerado da classe docente, precariedade persistente no ensino superior e desigualdades educativas que continuam a marcar profundamente o território. Não são problemas novos, mas são problemas cada vez mais visíveis. Ainda assim, no momento simbólico em que um novo Presidente define o tom do mandato, a educação acabou remetida para aquele espaço confortável onde vivem as ideias consensuais e politicamente inofensivas.
A tradição presidencial portuguesa ajuda a explicar esta prudência. Desde Mário Soares até Marcelo Rebelo de Sousa, passando por Aníbal Cavaco Silva, os discursos de posse raramente entram em terreno programático. O Presidente fala do país em termos amplos e deixa as políticas concretas para o Governo. É uma interpretação legítima do cargo, mas que tem um efeito curioso: a educação surge sempre como um valor moral absoluto e quase nunca como um problema político real.
O resultado é uma espécie de consenso vazio. Toda a gente concorda que a educação é fundamental. Toda a gente elogia os professores e o papel das escolas. Toda a gente afirma que o conhecimento é o futuro do país. Mas quando chega o momento de falar seriamente sobre o sistema educativo, a conversa evapora-se em abstrações.
No discurso de António José Seguro essa dinâmica repetiu-se com precisão quase académica. O Presidente apresentou um retrato geral de um país que precisa de combater desigualdades e reforçar oportunidades, mas evitou qualquer referência direta às tensões concretas do sistema educativo. Não houve uma palavra sobre a crise no recrutamento de professores, sobre o estado do ensino superior ou sobre o papel da ciência e da investigação no desenvolvimento nacional. Para um país que tantas vezes proclama que o seu maior recurso é o capital humano, a ausência é, no mínimo, curiosa.
Talvez seja apenas estratégia. Os discursos de posse são exercícios de equilíbrio e raramente momentos de confronto. Ainda assim, fica a sensação de que, numa época em que a educação deveria ocupar o centro do debate público, ela continua a ser tratada como cenário e não como protagonista.
No primeiro dia de mandato presidencial falou-se do país, da democracia, da esperança e da responsabilidade coletiva. Tudo temas importantes e respeitáveis. Mas, no meio de tantas palavras sobre o futuro, ficou a impressão de que uma das ferramentas mais decisivas para construí-lo ficou estranhamente fora da conversa.
De educação, afinal, o Presidente não falou
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Mar 09 2026
A situação terá sido comunicada à CPCJ e ao Tribunal de Família e Menores de Lisboa.
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Mar 09 2026
Sou um orgulhoso pai de três filhos… de 23, 19 e 11 anos.
E há coisas na vida que não cabem bem em palavras…
O orgulho que sinto neles é uma delas.
Orgulho pela forma como cresceram… pela forma como pensam… pela maneira como, com falhas normais de quem está a crescer e a viver, foram aprendendo a estar no mundo com dignidade.
Mas há uma coisa, em concreto, que gosto mesmo de partilhar… porque hoje percebo cada vez mais o valor que isso tem.
Em todos estes anos de escola… nunca ouvi os meus filhos, diretamente a mim, entrarem naquela conversa fácil de dizer mal de um professor… de se queixarem por sistema… de alimentarem a crítica pequena, repetida, quase recreativa.
Nunca lhes dei essa abertura. Nunca achei saudável transformar a figura do professor numa espécie de alvo fácil para descarregar frustrações do dia.
É verdade que, aqui e ali, fui ouvindo pequenos desabafos… coisas soltas… comentários indiretos… um incómodo aqui, outro ali… como é normal. Mas nunca dei a isso uma importância exagerada. Nunca alimentei. Nunca peguei numa frase solta para fazer dela um drama. E isso, acredito, conta muito.
Claro que também reconheço uma coisa, talvez isto tenha a ver, em parte, com a sorte que tive.
A sorte nos professores que os meus filhos encontraram. E também, sem dúvida, com a sorte enorme que tenho na minha parceira de vida, no meu amor, na minha mulher… que me ajuda a educá-los assim: com responsabilidade, com critério, sem cultivar a queixinha, sem transformar qualquer desconforto num caso.
Isto não significa, evidentemente, calar problemas sérios! Não significa ensinar os filhos a engolir injustiças. Não significa submissão cega. Nada disso.
Os meus filhos sabem defender-se. E eu tenho a certeza de que, se houver um problema grave, real, importante… eles falam.
Falam porque sabem que serão escutados. Falam porque sabem que há uma diferença entre uma situação séria e a conversa banal de dizer mal por dizer mal.
E talvez seja precisamente aqui que está um ponto decisivo da educação… Um dos mais decisivos.
Quando uma criança ou um adolescente vive em carência afetiva… quando os pais trabalham demais… quando os avós estão longe… quando a casa vive em correria… quando as prioridades dos adultos estão trocadas… às vezes basta ela perceber uma coisa: que falar mal da escola ou de um professor acende imediatamente a atenção dos pais.
Os olhos levantam-se logo.
O tom muda. Há foco. Há escuta. Há energia. E a criança, muitas vezes sem maldade consciente, percebe que encontrou ali um filão, uma mina emocional… uma forma de captar presença, interesse, ligação.
E é aí que começam, por vezes, a crescer histórias… versões… ampliações… narrativas que não nascem necessariamente da gravidade do problema, mas da recompensa invisível que o problema dá. Atenção. Intensidade. Centralidade.
Eu sempre tentei fugir disso. Não por desvalorizar os meus filhos. Precisamente pelo contrário. Porque os levo a sério. Porque quero que cresçam com sentido de proporção. Porque quero que saibam distinguir o que é injustiça do que é incómodo… o que é gravidade do que é frustração… o que é um problema verdadeiro do que é apenas a vida a ensinar que nem tudo corre como queremos.
Talvez por isso… ou também por isso… nunca deixei que a escola fosse apresentada cá em casa como inimiga. E nunca permiti que um professor fosse reduzido, sem mais, à caricatura de um vilão só porque corrigiu, exigiu, contrariou ou não agradou.
Os meus filhos não são perfeitos, eu também não,…a nossa família também não. Mas há uma coisa em que acredito: uma casa que ensina respeito pelos professores está a proteger qualquer coisa de muito valioso na alma da criança… a noção de limite… de realidade… de autoridade séria… e até de gratidão.
Porque educar também é isto… não dar palco a tudo. Não transformar cada desconforto num espetáculo. E não deixar que a necessidade de atenção dos filhos se alimente à custa da erosão do respeito pelos adultos que os ajudam a crescer.
No fundo… muitas histórias sobre “maus professores” começam menos na escola do que na fome emocional com que certas crianças chegam a casa. E isso custa ouvir, mas custa ainda mais viver as consequências.
Alfredo Leite
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Mar 09 2026
Nos últimos dias instalou-se uma pequena tempestade mediática porque algumas escolas receberam influenciadores digitais. A notícia levou o Ministério da Educação a criar um grupo de trabalho para produzir orientações que permitam aos diretores travar atividades “contrárias aos fins educativos”.
Confesso que olho para tudo isto com alguma perplexidade.
Não porque o tema não seja importante. É. Mas porque parece que estamos a olhar para o sítio errado.
A discussão pública tem girado em torno do que acontece dentro da escola: quem entra, quem fala, quem faz uma palestra ou aparece num auditório durante uma hora.
Mas a verdade é bem mais incómoda.
Pior do que ter influencers nas escolas é tê-los em casa. Nos quartos dos vossos filhos.
E esses não entram por convite do diretor.
Entram pela porta que muitos pais deixaram escancarada: o telemóvel.
Sempre que surge um problema com jovens, há um reflexo automático: culpar a escola.
Se os alunos dizem disparates, a escola falhou.
Se repetem ideias misóginas, a escola falhou.
Se seguem personagens duvidosas nas redes sociais, a escola falhou.
Entretanto, em casa, um adolescente pode passar quatro, cinco ou seis horas por dia mergulhado em plataformas como TikTok, Instagram ou YouTube — sem qualquer supervisão adulta.
Mas aparentemente o grande risco educativo é um convidado que entra numa escola durante 50 minutos.
Um influencer convidado para uma escola fala uma vez.
Um influencer nas redes sociais fala todos os dias.
Fala às duas da manhã.
Fala durante o jantar.
Fala quando os pais pensam que os filhos estão “a estudar no quarto”.
E fala de tudo: sexo, dinheiro fácil, humilhação pública, misoginia, exibicionismo, desafios absurdos e uma cultura permanente de espetáculo.
Não há projeto educativo.
Não há conselho pedagógico.
Não há regulamento interno.
Há apenas algoritmo.
Há um facto pouco elegante que raramente entra nestas discussões: para muitos adultos, o telemóvel tornou-se o novo babysitter digital.
É cómodo.
O filho está quieto.
Está no quarto.
Não faz perguntas.
Não interrompe.
E portanto está tudo bem.
Ou pelo menos parece.
Porque enquanto os pais descansam com a ilusão de tranquilidade doméstica, os filhos estão a receber uma torrente diária de conteúdos que nenhuma escola autorizaria.
Nenhuma.
Há aqui uma certa hipocrisia social.
Alguns pais ficam indignados se um influenciador aparecer numa escola.
Mas não fazem ideia de quem os filhos seguem, de que vídeos veem, de que discursos repetem ou de que ideias absorvem.
E quando finalmente descobrem, a culpa volta a ser… da escola.
A escola tem responsabilidades, evidentemente. Mas a educação dos jovens não se resume ao horário escolar.
Os pais continuam a ser os principais reguladores do ambiente cultural em que os filhos crescem.
Isso implica coisas pouco populares: saber que aplicações os filhos usam, conhecer os conteúdos que seguem, definir limites de tempo, conversar sobre o que veem e, imagine-se, dizer “não” de vez em quando.
Sim, dá trabalho.
Mas educar sempre deu.
Podemos criar todos os grupos de trabalho que quisermos. Podemos escrever orientações, circulares e recomendações.
Mas enquanto milhares de adolescentes tiverem influencers a viver permanentemente nos seus telemóveis, a discussão sobre quem fala numa escola durante uma hora é quase pitoresca.
O verdadeiro debate não é “que influencers entram na escola”.
É outro.
Que influencers vivem dentro da casa de cada família — e ninguém parece estar muito preocupado com isso.
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Mar 09 2026
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Mar 09 2026
“Sexualizar crianças tem riscos. Vejo constantemente vídeos gravados por pais e mães que acham engraçado ver as suas filhas a fazer coreografias eróticas copiadas de vídeos no YouTube.”
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