Ontem estive na Manifestação em Lisboa, contra a crise da habitação… Andei por lá cerca de quatro horas e fiz todo o percurso desde o Largo de Camões até ao Rossio… Durante esse tempo, não vi qualquer desacato; vi muita diversidade social, vi milhares de pessoas animadas, mas ordeiras e pacíficas, entre muitos jovens, idosos e crianças…
Cheguei a casa cansada, que os cinquenta e seis anitos da “Segunda Idade” já não perdoam, mas satisfeita… Hoje, pela manhã, fiquei a saber que, em Lisboa e no Porto, ocorreram, outra vez, injustificadas cargas policiais sobre manifestantes ordeiros e pacíficos…
Cheguei a casa satisfeita por, de alguma forma, ter exteriorizado a minha indignação face à actuação do Governo vigente, em particular contra a acção governativa do embevecido e deslumbrado Ministro da Administração Interna…
Ministro da Administração Interna que, ainda há poucos dias, a propósito da discussão sobre o Orçamento de Estado 2027, atirou com esta “pérola discursiva” no Parlamento:
– “Acho que todos os dias é absolutamente notória a força que a Administração Interna tem e que eu tenho.” (SIC Notícias, em 30 de Outubro de 2026)…
Em resumo, um Ministro que tutela a Polícia e que manifesta, frequentemente, reacções típicas de um narcisista patológico, com necessidade constante de apregoar a força que acredita ter, veio hoje afirmar que as decisões e as acções da PSP, no sentido de se fazer cumprir a Lei, não dependem de uma decisão política:
– “… mal seria se num País tivesse de haver uma decisão política para se fazer cumprir a lei…” (Jornal Correio da Manhã, em 1 de Novembro de 2026)…
Por outras palavras, infere-se que o Ministro que institucionalmente tutela a referida entidade policial não teve nada a ver as cargas policiais ocorridas na passada madrugada em Lisboa e no Porto…
Ou seja, o anterior é o mesmo que afirmar que as forças policiais podem agir sem controlo e sem subordinação à Tutela, até nas situações mais escrutinadas e de elevado risco para o equilíbrio social, como têm sido algumas reacções às acampadas…
Das duas, uma: ou o Ministro mentiu e ocultou que a ordem para as cargas policiais foi dada por si e/ou com o seu conhecimento e anuência; ou as forças policiais agiram sem qualquer ordem de comando superior, sem qualquer controle da Tutela…
De uma forma ou de outra, estaremos sempre na presença de dois cenários gravíssimos num Estado que se diz Democrático e de Direito…
Tudo isto vindo de um Ministro que, no caso das acampadas, afirma que “a Lei é para cumprir” (Jornal Expresso, em 25 de Outubro de 2026), mas que noutras situações tem vindo a perorar pela informalidade de alguns procedimentos, talvez até ao arrepio da Lei, com o objectivo de tentar justificar muitas das suas decisões, diga-se, perfeitamente injustificáveis… Tudo isto vindo de um Ministro que, em várias ocasiões, tem agido como se o próprio fosse a Lei…
Na verdade, mais parece que o país se encontra refém do Ministro Luís Neves, que tem vindo a pôr e a dispôr da Lei conforme lhe dá mais jeito, sem que o 1º Ministro se mostre capaz de contrariar aquilo que parece ser um aproveitamento completamente insensato de uma Lei obsoleta de 1974, gizada para um contexto revolucionário…
Luís Montenegro, com uma atitude que revela teimosia, nada inteligente, tem dado palco à vaidade e ao narcisismo de um Ministro, em vez de acautelar a resolução dos problemas prementes e graves do país, como é o da habitação…
Afinal, quem é que manda no Governo deste país?
Será o 1º Ministro ou a vaidade do Ministro da Administração Interna?
Chegámos ao ponto muitíssimo perigoso em que facilmente se resvalará, se é que já não se resvalou, para a instrumentalização de forças policiais por um Ministro sedento de protagonismo e de pretenso brilhantismo…
Paula Dias









1 comentário
Como ainda ninguém, neste país, se manifestou e exigiu a demissão do Sr. Ministro Luís Neves é que eu não consigo compreender.