O ministro da Educação garante que, apesar dos mais de dois mil horários ainda por preencher, “a disponibilidade que existe ainda de professores permitirá cobrir estas necessidades”.
Excelente. É tranquilizador saber que os professores estão disponíveis.
O problema é que, pelos vistos, estão disponíveis em algum sítio que as escolas ainda não descobriram.
Porque há uma pergunta muito simples que continua sem resposta: se há professores disponíveis, porque é que os horários colocados pelas escolas continuam por validar na plataforma SIGRHE desde o dia 2 de setembro?
Estamos a 8 de setembro.
E a coisa melhora ainda mais: a RR3, que permitirá colocar professores nesses horários, só será publicada no dia 11.
Portanto, façamos as contas. As escolas identificaram necessidades. Colocaram horários. Os horários aguardam validação. A bolsa de recrutamento só sai dia 11. E, entretanto, o ministro garante que há professores disponíveis.
É uma espécie de milagre administrativo: os professores existem, os horários existem, as necessidades existem, mas ninguém consegue juntá-los.
Talvez a solução seja mais simples do que parece. Em vez de dizer que “a disponibilidade que existe permitirá cobrir estas necessidades”, alguém no Ministério podia experimentar validar os horários.
É que nas escolas não se ensina com disponibilidade ministerial. Ensina-se com professores dentro das salas de aula.
Mas há sempre uma vantagem: quando a RR3 sair a 11 de setembro, já ninguém poderá dizer que o Ministério se atrasou. Afinal, o ano letivo é que começou antes.
E depois ainda há quem se admire quando se diz que o problema da falta de professores não é apenas saber quantos professores existem. É também saber se o Ministério consegue, a tempo, pô-los onde são precisos.
Mas isso, aparentemente, é pedir demasiado.





8 comentários
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Uma pergunta… as escolas só conseguem identificar as necessidades em Setembro? será que os senhores diretores não sabem, com a excepção dos anos letivos de mudança ciclo, que todas as outras necessidades são estáveis ao longo do ano?
A gestão de uma escola pode ser dinâmica mas não é assim tão dinâmica como querem fazer parecer.
Como é possível uma direção regional não conseguir fazer uma análise temporal das necessidades temporárias dos seus QZPs… isto é elementar.
Não sabe mesmo do que diz, pois não? Não conhece mesmo a realidade da elaboração de horários, pois não? Não sabe que já não existe nenhum estrutura regional, pois não?
É assim a vida…
Qual realidade… aquela em que a professora X que manda mais que o diretor faz força para ficar com a sexta feira livre todos os anos… conheço muito bem essa realidade…
Agora não existe, mas quando existia também nada se fazia… por exemplo, a colega consegue saber quantos docentes existem a trabalhar numa dada escola? Porque razão as escolas ou agrupamentos não enviam esses dados todos os anos. Sabe porque que isso não acontece… é que assim iria colocar em causa a gestão danosa de alguns diretores dos seus recursos humanos, e se calhar não recebiam o seu excelente.
Isto é estúpido.
Os diretores podiam dar essas horas como extra aos colegas. mas as coisas estão feitas é para as horas serem dadas aos amigos.
As trocas de favores nas escolas são uma desgraça.
Bem vindos a uma profissão de gente desonesta.
Imagine-se se o Ministro fosse do PS!
O sr. ministro até é capaz de ter alguma razão. Existem os professores, o problema é que esses professores que existem, não é nos locais que o sr. ministro queria que existissem.
Mas então já não foi dado o apoio á deslocação? E se os professores estão no local errado quem foi que permitiu a abertura de vagas nesse local?