Se há professores nas listras, coloquem-nos

O ministro da Educação garante que, apesar dos mais de dois mil horários ainda por preencher, “a disponibilidade que existe ainda de professores permitirá cobrir estas necessidades”.

Excelente. É tranquilizador saber que os professores estão disponíveis.

O problema é que, pelos vistos, estão disponíveis em algum sítio que as escolas ainda não descobriram.

Porque há uma pergunta muito simples que continua sem resposta: se há professores disponíveis, porque é que os horários colocados pelas escolas continuam por validar na plataforma SIGRHE desde o dia 2 de setembro?

Estamos a 8 de setembro.

E a coisa melhora ainda mais: a RR3, que permitirá colocar professores nesses horários, só será publicada no dia 11.

Portanto, façamos as contas. As escolas identificaram necessidades. Colocaram horários. Os horários aguardam validação. A bolsa de recrutamento só sai dia 11. E, entretanto, o ministro garante que há professores disponíveis.

É uma espécie de milagre administrativo: os professores existem, os horários existem, as necessidades existem, mas ninguém consegue juntá-los.

Talvez a solução seja mais simples do que parece. Em vez de dizer que “a disponibilidade que existe permitirá cobrir estas necessidades”, alguém no Ministério podia experimentar validar os horários.

É que nas escolas não se ensina com disponibilidade ministerial. Ensina-se com professores dentro das salas de aula.

Mas há sempre uma vantagem: quando a RR3 sair a 11 de setembro, já ninguém poderá dizer que o Ministério se atrasou. Afinal, o ano letivo é que começou antes.

E depois ainda há quem se admire quando se diz que o problema da falta de professores não é apenas saber quantos professores existem. É também saber se o Ministério consegue, a tempo, pô-los onde são precisos.

Mas isso, aparentemente, é pedir demasiado.

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8 comentários

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    • Joana Matias on 8 de Setembro de 2026 at 7:40
    • Responder

    Uma pergunta… as escolas só conseguem identificar as necessidades em Setembro? será que os senhores diretores não sabem, com a excepção dos anos letivos de mudança ciclo, que todas as outras necessidades são estáveis ao longo do ano?
    A gestão de uma escola pode ser dinâmica mas não é assim tão dinâmica como querem fazer parecer.
    Como é possível uma direção regional não conseguir fazer uma análise temporal das necessidades temporárias dos seus QZPs… isto é elementar.

      • Antifacho on 8 de Setembro de 2026 at 8:11
      • Responder

      Não sabe mesmo do que diz, pois não? Não conhece mesmo a realidade da elaboração de horários, pois não? Não sabe que já não existe nenhum estrutura regional, pois não?
      É assim a vida…

        • Joana Matias on 8 de Setembro de 2026 at 8:32
        • Responder

        Qual realidade… aquela em que a professora X que manda mais que o diretor faz força para ficar com a sexta feira livre todos os anos… conheço muito bem essa realidade…

        • Joana Matias on 8 de Setembro de 2026 at 8:35
        • Responder

        Agora não existe, mas quando existia também nada se fazia… por exemplo, a colega consegue saber quantos docentes existem a trabalhar numa dada escola? Porque razão as escolas ou agrupamentos não enviam esses dados todos os anos. Sabe porque que isso não acontece… é que assim iria colocar em causa a gestão danosa de alguns diretores dos seus recursos humanos, e se calhar não recebiam o seu excelente.

    • Anónimo on 8 de Setembro de 2026 at 7:47
    • Responder

    Isto é estúpido.
    Os diretores podiam dar essas horas como extra aos colegas. mas as coisas estão feitas é para as horas serem dadas aos amigos.
    As trocas de favores nas escolas são uma desgraça.
    Bem vindos a uma profissão de gente desonesta.

    • FrankieAT on 8 de Setembro de 2026 at 8:08
    • Responder

    Imagine-se se o Ministro fosse do PS!

    • ApacheDraco on 8 de Setembro de 2026 at 8:20
    • Responder

    O sr. ministro até é capaz de ter alguma razão. Existem os professores, o problema é que esses professores que existem, não é nos locais que o sr. ministro queria que existissem.

      • Joana Matias on 8 de Setembro de 2026 at 8:49
      • Responder

      Mas então já não foi dado o apoio á deslocação? E se os professores estão no local errado quem foi que permitiu a abertura de vagas nesse local?

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