14 de Março de 2026 archive

𝗚𝗼𝘃𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗱𝗼𝘀 𝗔𝗰̧𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗮𝘂𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮 𝗶𝗻𝗰𝗲𝗻𝘁𝗶𝘃𝗼𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗽𝗿𝗼𝗳𝗲𝘀𝘀𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗲𝗺 𝗶𝗹𝗵𝗮𝘀 𝗲 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗹𝗮𝘀 𝗰𝗮𝗿𝗲𝗻𝗰𝗶𝗮𝗱𝗮𝘀

 

Açores reforçam incentivos para fixar professores com medidas para atrair e fixar docentes nas ilhas mais carenciadas

500 € mensais de apoio à habitação

Até 6.000 € por ano letivo por docente

1 viagem aérea anual de ida e volta em território nacional

Compromisso mínimo de 3 anos na escola colocada

 

 

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Versão final da proposta sobre o 2º Tema da revisão do ECD

 

Nova proposta sobre o 2º Tema da revisão do ECD

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O problema do saldo demográfico dos Professores com uma projeção 2025–2035

Portugal vive uma transição demográfica silenciosa mas acelerada no seu corpo docente. Em 2025, reformaram-se 3.620 professores, o segundo valor mais alto da última década , e só entre Janeiro e Agosto desse ano saíram 2.054 docentes do sistema. Dois terços dos que hoje ensinam têm 50 ou mais anos , numa pirâmide etária invertida que torna inevitável uma vaga de aposentações sem precedente na próxima década.
O modelo aqui apresentado projecta entre 40.000 e 53.000 saídas até 2035, com pico entre 2028 e 2029. Do universo de 122.000 docentes activos em 2024/25, apenas 76.000 deverão permanecer em funções em 2034/35, uma perda de mais de um terço do corpo docente em dez anos. O problema agrava-se pelo lado da reposição: a escassez de professores acentuar-se-á entre 2026 e 2030, período em que as reservas de recrutamento ficarão em risco de se esgotar, e em 2031 praticamente todos os grupos de recrutamento estarão em défice estrutural. Este painel analisa a série histórica, os três cenários de projecção, o saldo demográfico e o efeito moderador, mas não resolutivo,  do suplemento de 750€ sobre o ritmo das saídas.​​​​​​​​​​​​​​​​

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Um stand do Chega na feira da educação – João André Costa

 

A Futurália, feira da educação a decorrer na FIL, é uma mistura entre o plástico das canetas promocionais e a ansiedade adolescente, como se cada stand fosse uma pequena promessa de futuro.

E basta olhar em redor para ter a engenharia aqui, a enfermagem ali, um curso de videojogos mais adiante, e os rapazes e raparigas a passearem entre as bancas com sacos cheios de prospectos como quem recolhe mapas de países para sempre por visitar.

E de repente, entre universidades, escolas profissionais e cursos de línguas, um stand do Chega.

Um partido político numa feira de educação é como um vendedor de tempestades numa feira agrícola.

Não é totalmente estranho, dirão alguns, a política também educa, também ensina, também promete e promove futuros.

Não obstante, no balcão, entre bandeiras e panfletos, aqui estão os cartazes contra a imigração mais a “grande substituição”, essa teoria conspirativa segundo a qual as elites pretendem substituir a população europeia por imigrantes vindos de outros países.

Mas eles são a elite…

A ideia, popularizada por Camus, é um dos pilares retóricos da extrema-direita europeia.

Imagino um rapaz de dezassete anos a parar ali, não porque acredita em teorias conspirativas, mas porque a frase é simples, directa, individual: alguém está a roubar-te o lugar. É uma explicação rápida para quem cresce num mundo onde as casas são caras, os salários são baixos, o custo de vida vai para além do impossível e o futuro não é senão um espelho embaciado.

Os jovens gostam de frases curtas.

Os adultos gostam cada vez mais de frases curtas.

A política tradicional oferece relatórios, estatísticas, planos estratégicos para 2040. A nova política oferece slogans capazes de caber num TikTok. Entre um gráfico e a indignação, o cérebro, extenuado, escolhe a indignação.

Assim, este stand numa feira de educação não é apenas uma curiosidade, é um sintoma.

E a feira da educação já não é um mercado de futuros, mas um mercado de medos.

E se a escola ensinou aqueles miúdos a resolver equações, a distinguir um advérbio de um predicado, ao mesmo tempo olvidou algo igualmente essencial: como lidar com o medo de quem se vê num repente dispensável.

E quando aparece alguém a dizer “a culpa não é tua, a culpa é deles”, a frase entra na cabeça como uma chave mestra numa fechadura.

Porque no populismo a pertença, e digam lá vocês qual o jovem a querer priorizar o conhecimento quando pertencer é tão ou mais importante.

É mais importante.

E um stand de um partido político não é uma licenciatura, é uma tribo.

As universidades prometem carreiras, a política promete identidade. Entre a incerteza e a certeza emocional, votamos nas emoções e pelas emoções.

Porque um discurso feito de simplificações numa feira de educação, é como um megafone numa biblioteca.

Faz barulho.

E os jovens, ainda a aprender a distinguir entre ruído e argumento, ficam ali a ouvir.

Talvez passem e riam, talvez ignorem, talvez um ou dois levem um folheto para casa.

Não há problema: a política habituou-se a trabalhar com pequenas probabilidades, bastando um punhado de conversões por dia para moldar uma geração inteira.

E assim nascem as sociedades. Esta sociedade.

Não com grandes revoluções, súbitas e sangrentas, mas com pequenas infiltrações, uma banca aqui, um discurso ali mais esta ideia a crescer como uma erva daninha entre as pedras da calçada.

E quando estes jovens chegarem aos trintas com as duas mãos cheias de nada, lembrar-se-ão daqueles cartazes e de quem, supostamente, roubou-lhes o futuro.

Resta uma pergunta: quem autorizou um stand do Chega numa feira da educação?

E neste texto a armadilha de sempre quando um partido político é mestre em propaganda: não interessa falar bem ou mal do Chega, conquanto se fale.

Mas quando o silêncio rima com consentimento, as palavras não são apenas canções, são armas, e é urgente lutar.

https://www.publico.pt/2026/03/12/sociedade/noticia/feira-educacao-acolhe-stand-chega-cartazes-antiimigracao-associados-teoria-substituicao-2167609

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