Perante um problema grave e absolutamente inédito, como o que neste momento afecta a classificação dos Exames Nacionais, parece que os pais desapareceram, desconhecendo-se o seu paradeiro…
Reina um silêncio confrangedor e incompreensível dos pais desaparecidos em parte incerta…
Silêncio confrangedor e incompreensível, tendo sobretudo em consideração que os principais prejudicados serão sempre os seus próprios filhos, se o problema em causa, entretanto, não se resolver… E tudo leva a crer que será praticamente impossível que seja resolvido em tempo útil, desrespeitando-se, assim, pelo menos, todos ao prazos previamente definidos…
Em resumo, e apesar do expectável impacto negativo que a classificação digital dos exames nacionais terá nos alunos no presente ano lectivo, parece que as Associações de Pais que compõem a CONFAP não manifestaram preocupação relevante sobre tal assunto, conforme declarou Mariana Carvalho no passado dia 30 de Junho à TSF… Alegadamente, até essa data a referida Confederação não tinha recebido “qualquer queixa efectiva”…
Estranha-se sobremaneira o anterior, desde logo porque a presente despreocupação, face a algo efectivamente grave para os alunos, não é nada condicente com a intolerância manifestada noutros tempos, não muito distantes, por exemplo em relação a greves na Educação:
– Em 5 de Setembro de 2023, a mesma Presidente da CONFAP garantiu à Rádio Renascença, de forma peremptória, até iminentemente arrogante, que “não vai aceitar greves nas escolas como as que marcaram o ano letivo anterior”…
Estamos assim perante duas atitudes da Presidente da CONFAP que não poderão deixar de serem vistas como contrastantes entre si, sem coerência e sem critérios claros…
A não ser que o eventual prejuízo dos alunos só seja alegado, e visto como relevante, quando se trata da existência de greves nas escolas…
De resto, o habitual na situação de fecho de escolas passa por, estridentemente, apontar as “aprendizagens perdidas” por motivo de greves, de preferência usando todos os meios de Comunicação Social ao dispor para divulgar tamanhas inquietações…
Ao contrário do anterior, neste momento parece que as Associações de Pais convivem muito bem com todo o caos e incerteza gerados pela classificação digital dos exames nacionais e que, pelo menos até agora, esse não é um assunto que as preocupe…
No fim de tudo isto, fica-se com a sensação de que a credibilidade da CONFAP já terá tido melhores dias, à semelhança do que também se passa com o próprio Ministro da Educação…
Paula Dias




9 comentários
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A Confap já emitiu um comunicado.
É ver na página.
Está tudo bem e recomenda-se.
Sou um EE muito preocupado. Essa escumalha representa apenas a conta bancária onde recebe o dinheiro com que o governo os compra.
Os pais estão à espera do dia 14 de julho. Se após pedirem a consulta de provas acharem que há erros, lapsos, etc. vão chover pedidos de reapreciações e aí sim, os pais vão por a boca no trombone.Mas se o problema é do software de que adianta o alargamento do prazo? Éste modelo já chumbou e foi um erro do primeiro ministro logo após uma semana de erros e atrasos não terminar com a digitalização e avançar para o papel.
A experiência piloto com os exames da Filosofia no ano passado não foi uma amostra representativa do universo de provas para classificar para além de ter dado erros. Este depois de rever o software poderiam este ano avançar com Português e uma ou outra disciplina e não este universo gigante de quase todos os exames.
Esta de apontarem o dedo aos pais é muito boa! Faz-me lembrar aquele que culpava os agrafos!
É EE? Se não fôr, então cale-se!🤐
Você é que perdeu uma bela oportunidade para calar-se.
Salvo seja, ainda vivemos numa democracia e tenho direito à livre opinião.
Para além disso, se é que importa, sou professor e encarregado de educação.
Os pais vão aparecer a pedir as provas na secretaria e reapreciações. Aí, falaremos.
Até lá, seremos barulho de fundo.
Dizer o quê? Que é tudo uma corja de incompetentes? Que o ano passado filosofia deu problemas e TODA a gente se calou!!!!! Que a correção das provas ensaio correu mal e toda a gente se calou!!!!!! Mas estavam à espera de quê? Milagres????
A maior parte dos pais ignora o que se está a passar. O ministro culpa os agrafos e os qr codes, enquanto aoeduqa e ao jne mais parece que um gato lhes comeu a língua. E a imprensa mais parece a porta-voz do governo, em vez de colocar questões. Anda tudo distraído com os desgraçados da Venezuela, a onda de calor na Europa e o mundial de futebol. E agora os fogos e a seleção que ganhou…
Se a realidade dos factos (uma trapalhada sem par) vem ao de cima, é óbvio que vão haver pedidos de consulta e de reapreciação a torto e a direito. Da minha parte já avisei os meus alunos que irei verificar, assim que os resultados forem publicados, se a nota obtida é legítima ou não. Mas as direcções das escolas deveriam estar neste momento a preparar-se para o efeito, garantindo a todos os alunos, sem exceção, uma cópia integral dos seus exames, pois é mais que evidente que o ministro enganou-se redondamente quando afirmou que nenhum aluno será prejudicado. Melhor do que ninguém, o ministro sabe que neste momento não há condições para o poder garantir (basta ver o metaprof.pt) e daí talvez o motivo pelo qual anda a evitar aparições públicas, pois isso seria assumir a gravidade e seriedade da situação.
PS. As provas não são corrigidas, mas sim classificadas.
Concordando genericamente, queria acrescentar:
1.o trabalho de correção de exames NÃO É “tarefa normal da função dos professores”;
2.corrigir os exames de acesso é da responsabilidade das universidades em qualquer país do mundo.
3.Assim, não sendo pago, cabe no conceito de ESCRAVATURA.
4.a tarefa extenuante da correção, na fase mais cansativa de um ano de trabalho também ele de arrasar é, enfim,…
5.a incerteza sobre os novos procedimentos a adotar neste novo processo é um acréscimo “bem vindo” a todo o stress
6.só falta saber se nos tiram as férias…
J L Fernandes