O Inquérito nacional, promovido pelo Movimento de Professores em Monodocência (MPM) e pela plataforma MetaPROF, recolheu 7072 respostas e traça um retrato preocupante de exaustão, falta de reconhecimento e desigualdade estrutural no regime de trabalho.
O Movimento de Professores em Monodocência (MPM), em colaboração com a plataforma MetaPROF, apresenta hoje o Relatório Nacional sobre Monodocência 2026, o maior levantamento realizado em Portugal sobre as condições de trabalho dos educadores de infância e professores do 1.o Ciclo do Ensino Básico.
O estudo reuniu 7072 respostas válidas de docentes dos grupos de recrutamento 100 (Educação Pré-Escolar) e 110 (1.o Ciclo do Ensino Básico), recolhidas entre 27 de fevereiro e 4 de março de 2026, revelando um retrato consistente de desgaste profissional, falta de reconhecimento e desigualdade estrutural no regime de monodocência.
Entre os dados mais marcantes, 86% dos participantes afirmam que a monodocência é vivida como uma profissão de desgaste rápido, enquanto 72% consideram insuficientes os recursos humanos disponíveis nas escolas. O estudo revela ainda que os docentes acumulam, em média, 6,8 horas semanais de trabalho extra não reconhecido nem remunerado e quase metade dos inquiridos admite ponderar abandonar a profissão “algumas vezes” ou “frequentemente”.
Segundo Luísa Brandão, administradora do MPM, “este relatório dá voz a milhares de profissionais que enfrentam uma sobrecarga muito acima do razoável, acumulando funções pedagógicas, emocionais, administrativas e assistenciais. A monodocência continua invisível e em profunda desigualdade face aos restantes ciclos de ensino.”
Também Paula Costa Gomes, do mesmo Movimento, alerta para a total falta de atratividade destes grupos de recrutamento: “não existe atualmente qualquer atratividade para captar novos candidatos para a educação pré-escolar e para o 1.o ciclo. Esta realidade, somada à rutura no número de docentes, já visível de norte a sul do país, deve constituir uma prioridade política urgente, sob pena de a muito curto prazo não existirem educadores e professores em número suficiente para assegurar as aprendizagens das
crianças.”
O relatório evidencia igualmente o envelhecimento da profissão, com 73,5% dos inquiridos a terem mais de 20 anos de serviço. Entre os principais fatores de desgaste apontados destacam-se a acumulação de múltiplas funções pedagógicas e assistenciais, o aumento da burocracia e a indisciplina em contexto escolar.
A análise de sentimento das respostas abertas reforça este diagnóstico: 98% dos comentários relativos aos problemas da profissão apresentam tom negativo, confirmando um clima generalizado de insatisfação e exaustão.
Face aos resultados, o relatório apresenta um conjunto de recomendações, entre as quais se destacam:
● Revisão urgente do Estatuto da Carreira Docente, garantindo equidade para os grupos 100 e 110;
● Equiparação da componente letiva e reduções letivas aos restantes ciclos de ensino ou, em alternativa, criação de um regime especial de aposentação que reconheça o elevado desgaste associado à monodocência;
● Redução do número de alunos por turma;
● Constituição de um grupo de trabalho nacional com o objetivo de simplificar processos burocráticos e repensar o atual modelo organizacional das escolas.
O Relatório Nacional sobre Monodocência 2026, que inclui gráficos, análise qualitativa e
propostas de intervenção, encontra-se disponível em: www.metaprof.pt




2 comentários
Embora não me inclua nesse(s) grupo(s) de recrutamento, sou totalmente solidária com os colegas. As suas reivindicações são totalmente legítimas.
Não se preocupes Luluzinha….o super F vai fundir tudo. E ficaremos todos solidários uns com os outros na desgraça chamada enducação.