Diagnósticos há muitos, o que não há são soluções credíveis…

Em 9 de Dezembro passado, foram divulgados os resultados de um Estudo realizado pelo Observatório da Saúde Psicológica e do Bem-Estar, versando sobre a qualidade da Saúde Mental dos Alunos e dos Professores…

Os principais resultados desse Estudo parecem confirmaraquilo que se adivinhava há muito tempo:

A exposição aos telemóveis/ecrãs por parte dos Alunos parece assumir-se como uma dependência… Apesar de a Saúde Psicológica dos discentes ter, alegadamente, melhorado em relação a 2022, uma quarta parte dos mesmos refere alguns sintomas psicológicos preocupantes como irritação, nervosismo, perturbações relativas à higiene do sono e um nível de satisfação com a escola e com a vida que vai diminuindo ao longo dos anos (TVI Notícias, em 9 de Dezembro de 2024);

Metade dos Professores alega sintomas de mal-estar psicológico, entre os quais, nervosismo, tristeza, irritabilidade e dificuldades ao nível do sono, sendo que uma parte significativa dos mesmos refere que já experimentou perturbações psicológicas compatíveis com depressão, stress e ansiedade (TVI Notícias, em 9 de Dezembro de 2024)

Mas o dado mais curioso e sintomático deste Estudo, talvez seja este:

– Menos de 400 Professores mostraram-se disponíveis para avaliar o bem-estar e saúde psicológica (TVI Notícias, em 9 de Dezembro de 2024)

Decorrente do anterior dado numérico:

Os resultados deste Estudo relativos aos Professores serão fiáveis, tendo em consideração o tamanho da amostra e o número muito elevado de indivíduos que fazem parte do universo Docente? A amostra de menos de 400 indivíduos será realmente significativa?  

Segundo a TVI Notícias em 9 de Dezembro passado, os próprios autores deste Estudo apresentaram algumas reservas quanto aos dados disponibilizados…

E, agora, a pergunta obrigatória, que não pode deixar de se colocar:

– Porque motivo(s) tão poucos Professores se disponibilizaram para participar no referido Estudo?

Alvitram-se como possíveis explicações:

Muitos Professores estarão cansados de responder a frequentes Inquéritos/Questionários que diagnosticam muito bem os problemas existentes, mas que acabam por não ter qualquer repercussão ou efeito prático, em termos de resolução das contrariedades sentidas

Diagnósticos há muitos, soluções para os problemas tem havido poucas, portanto, para uma parte significativa da Classe Docente, não valerá a pena ter o trabalho de responder a mais um Inquérito/Questionário, que previsivelmente não terá consequências visíveis;

– Muitos Professores desistiram de “falar”, optando por ficar “calados”, conscientes de que, na verdade, têm sido muito pouco ouvidos ou, até mesmo, convictos de que ninguém os ouve…

Deixou de fazer sentidofalar”, depois de se verificar que, recorrentemente, não se registaram alterações significativas na realidade que rodeia os Professores

Se as opiniões dos Docentes não são tidas em consideração, no sentido de se procurarem as melhores soluções para os problemas por si apontados, o natural é que acabem por se abster…

Em resumo, os problemas são identificados, são bem diagnosticados, mas raramente se passa disso…

Diagnósticos há muitos, mas não soluções credíveis para os problemas identificados

Atacar os problemas na sua origem e adoptar medidas que tendencialmente os eliminem, não costuma fazer parte das medidas de política educativa há muitos anos

O actual Ministro da Educação também parece encaminhar-se para essa linha de actuação:

– Medidas estruturais que tornem a Carreira Docente efectivamente atractiva, como forma de combater a falta de Professores? Não há

Medidas concretas que aliviem o esgotamento físico, mental e emocional que afecta parte considerável da Classe Docente? Não há

– Medidas concretas que aliviem o volume astronómico de trabalho docente, frequentemente gerado por insanas tarefas burocráticas e administrativas que, na maior parte das vezes, não têm relação directa com a leccionação? Não há

– Medidas concretas que impeçam a eventual existência de lideranças autocráticas nas escolas? Não há

Então, afinal, o que é que há como soluções para os problemas?

Bom, existirá sempre a possibilidade de fazer medicação antidepressiva, ansiolítica, hipnótica e/ou sedativa por tempo indeterminado e contribuir, dessa forma, para o consumo desmesurado de psicofármacos em Portugal

Em alternativa, ou concomitantemente, também se poderão frequentar muitas Formações na área da Saúde Emocional, na ânsia de se adquirirem competências socioemocionais e no âmbito do autocuidado psicológico, que permitam aguentar o inferno em que se transformou a vida profissional de muitos milhares de Professores

A chatice é que uma e outra “solução” não passarão depaliativas…

Seja-se, ou não, Médico ou Psicólogo, há que dizê-lo com toda a frontalidade e honestidade:

São paliativas, na medida em que não resolvem os problemas, apenas permitem atenuá-los e adiar a sua resolução. Apenas isso.

Enquanto os problemas não forem debelados na sua origem, enquanto as causas dos problemas não forem eliminadas, tudo o resto serão paliativos…

Não se resolvem os problemas estruturais, de fundo, existentes na profissão docente, mas haverá sempre à disposição um comprimido pretensamente milagroso e/ou alguma “mentoria muito criativa, cujo lema, sarcasticamente, bem poderia ser este:

– Os problemas são nossos amigos, só temos que os conseguir compreender e aceitar!

Concluindo, diagnósticos há muitos, o que não há sãosoluções credíveis, que tenham como principal objectivo eliminar os problemas

Creio que os Professores estão cansados de diagnósticosacerca da sua Saúde Mental… O que querem são soluções concretas e credíveis para os problemas que os afectam…

E a formação inicial de Professores, assim como a formação ao longo da vida profissional, deve incluir a promoção de competências socioemocionais e de autocuidado psicológico?

Deve Deve, desde que não se crie a ilusão e a fantasia de que isso, por si mesmo, basta para resolver os problemas graves que impedem os Professores de se sentirem tranquilos, satisfeitos, focados na função de ensinar e de poderemdesfrutar de uma boa Saúde Mental…

Paula Dias

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/12/diagnosticos-ha-muitos-o-que-nao-ha-sao-solucoes-crediveis/

15 comentários

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    • Papa Francisco on 11 de Dezembro de 2024 at 8:27
    • Responder

    Não haverá outra forma do blog ser pago?
    Nem que fosse através da nossa subscrição mensal.
    Mas isto é impossível. Tanta tanta publicidade que só a custo consigo ler e escrever.
    Para além da irritação e do mal que faz estarmos a ser bombardeados ininterruptamente com anúncios.
    Tenho amigos que já nem querem ouvir falar do blog por causa da publicidade.
    Regressando ao texto da Paula Dias que é o que aqui me traz.
    Na verdade alguns profs não respondem por vergonha. Não querem verbalizar os problemas que têm. E que são muitos.
    Outros, como bem diz já estão cansados de responder a questionários.
    Outros,e todos nós, estamos fartos de ver os diagnósticos feitos e dos governantes não quererem saber disso para nada. Veja se o caso dos fogos, inundações .
    Arquivam. Engavetam. Passam a frente.
    Não atacam os problemas pela raíz. Paliativos. Deixa andar.
    Muitos problemas se adivinham na educação. Não quero ser catastrofista mas QQ dia a CASA cai.

      • Papa Pio V on 11 de Dezembro de 2024 at 23:22
      • Responder

      Irmão Papa Francisco?
      Daqui Papa Pio V.
      Utiliza um Adblock.
      Até à próxima!

        • Papa Francisco on 12 de Dezembro de 2024 at 12:44
        • Responder

        Obrigado, Pio. Irmão.🙏

    • carreira_docente_apelativa on 11 de Dezembro de 2024 at 9:19
    • Responder

    Medidas estruturais que tornem a Carreira Docente efectivamente atractiva, como forma de combater a falta de Professores? Não há…????
    Há sim! Já aqui deixei algumas pistas, que reproduzo infra:

    Há vários anos que defendo uma reforma disruptiva na carreira docente. Pese embora não seja o único determinante da atratividade de uma carreira profissional, a remuneração é sem dúvida um dos fatores que influenciam não só a escolha de uma profissão como também a perceção sobre o correspondente valor social.
    A estrutura remuneratória da carreia docente tem, como dizem os matemáticos, uma curva (linha de tendência) com a concavidade voltada para cima. Isso significa que a carreira não é atrativa para os jovens profissionais (embora fidelize quem está perto do último escalão). E não é atrativa para os jovens porque a valorização das primeiras cinco progressões na carreira é significativamente inferior à valorização das últimas quatro progressões. De facto, a média dos impulsos remuneratórios das cinco primeiras progressões ronda os 150 euros brutos e corresponde a metade da média dos impulsos remuneratórios das restantes quatro progressões, que se cifra nos 300 euros brutos. Ou seja, quem pretender ingressar na carreira necessitará de 22 anos de serviço (sem considerar outros constrangimentos) para atingir a média de remunerações da carreira (cerca de 2488 euros brutos).
    Assim, seria necessário, em primeiro lugar, inverter a concavidade da curva das remunerações. Depois, seria necessário aplicar, como também dizem os matemáticos, uma translação a essa curva, cujo vetor tenha sentido ascendente e módulo suficientemente apelativo, de forma a colocar a remuneração do 1º escalão em 2500 euros brutos (último escalão poderia atingir digamos os 4000 euros brutos, por exemplo). Dessa forma, ajustar-se-ia a remuneração dos jovens profissionais às exigências de início de vida.
    Paralelamente, seria de ajustar a progressão na carreira. E isso só pode ser feito de forma disruptiva caso se admita que a progressão só depende do tempo de serviço, sem qualquer outro requisito adicional. Todos deveriam poder atingir o topo da carreira só pelo decurso do tempo de serviço prestado (caso entrem na carreira em idade que lhes permita perrcorrer toda a carreira, obviamente), sem qq outro requisito. Terá é de haver incentivos para que se possa atingir o topo em menos tempo. Por exemplo, uma carreira com duração de 40 anos de serviço, cujo topo pode ser atingido por qualquer um pelo simples decurso do tempo. Quem se destaque na profissão poderia beneficiar de incentivos para atingir o topo de carreira em menos tempo. Pese embora, seja difícil definir as métricas para tais incentivos (tudo menos a atual avaliação de desempenho ou outro critério altamente subjetivo e dependente das vontades de alguns), tal tarefa não é certamente impossível. Uma forma poderia ser incentivar os docentes a produzir artigos científicos na área da educação que fossem publicados em revistas indexadas (escusado será dizer que essa atividade de investigação substituiria o trabalho não letivo ao abrigo do artigo 82º ECD, o qual seria extinto). Mas existem outras formas que poderiam complementar esta.

      • Papa Francisco 🌍 on 11 de Dezembro de 2024 at 11:00
      • Responder

      Concordo . Pela parte económica, a análise que faz da carreira parece me bem feita. E as medidas propostas também.
      Os jovens licenciados e quase todos com mestrado têm outras oportunidades de trabalho que nós professores + velhos não tínhamos. Mesmo que os trabalhos que aparecem sejam pouco estimulantes intelectualmente mas não lhes importa. Eles precisam de dinheiro , de arranjar uma casa , de constituír família.
      Para não falar da vida boa a que muitos se acostumaram na casa dos pais, que lhes permitiam viajar, etc.

      Quem é que quer andar de cavalinho para burro com uma mochila de livros e um computador às costas a apanhar transportes públicos para uma escola para lá do sol posto, ver testes de 200 alunos, aturar indisciplina e diretores ignorantes metidos a bestas ???? Ná. Ficam nas imobiliárias, hipermercados, Worten, Decathlon na vila + perto e à noite vão sair para bares, discotecas, etc. Não estão em casa a queimar pestanas.
      Como bem diz, a remuneração inicial da carreira está desajustada aos tempos atuais. E toda a carreira devia ser revista de acordo com as curvas que sugere.
      Escreva ao ministro. Como é economista talvez o ouça.
      Mas a carreira não é só dinheiro. A carreira porque muito longa, 40 e tal anos!!!, devia ter momentos de pausa para estudar cá e no estrangeiro, com licenças sabáticas. Para refletir, ler, escrever os tais papéis e books de que fala. E voltar depois + descansado e enriquecido. Haver momentos de pausa e de trabalho. 40 anos de trabalho seguido é obra! É de dar em doidos!
      O professor é um intelectual com autonomia . E foi por isso que escolhi esta carreira. Afinal tornei me num assalariado, pau para toda obra, desrespeitado nas mãos de diretores que nao querem saber do lugar que ocupo no grupo disciplinar, e atribuem serviço aos professores como prêmio ou castigo . É s da corte ou não és da côrte. Nada sabem de recursos humanos, apaixonam se pelo 1o que aparece na escola ( como alguém aqui dizia), não levam em linha de conta os conhecimentos, as formações, e aptidões que desenvolvemos e a experiência que entretanto adquirimos.
      Uma vergonha. Uma humilhação. O que se passa com as benesses que são dadas aos mais novos que aparecem nas escolas e a sobrecarga que é dada aos mais velhos, primeiros no grupo disciplinar.
      Uns são o supra sumo da barbatana porque cantam como uns cisnes, outros são lixo porque já não lhes apetece cantar de tanto levarem na cabeça. Amocha burro!

      O dinheiro é importante. Mas as condições de trabalho são igualmente importantes.
      E li que estas gerações novas, Z e etc, dão muita importância a isso. As empresas oferecem lhes pequeno almoço, fruta todo dia, café e chá, pausas, pagam o ginásio ou existe dentro da empresa , ioga,, etc, reuniões de trabalho fora da empresa em locais aprazíveis, etc. E algumas ainda distribuem prêmios e lucros aos seus colaboradores. Tenho jovens na família com estas condições de trabalho.
      Como é que os jovens hão de querer ser professores??? Só em parte time ou enquanto não arranjam algo melhor.
      A profissão de professor está condenada à extinção por desajuste da realidade económica e das condições de trabalho.
      Por enquanto é uma profissão de avós e tios de meia idade. Quando estes se reformarem que são + 5 ou 10 anos será constituída por assalariados em part time.
      Os outros países europeus ( pelo menos onde tenho ido ultimamente) estão com o mesmo problema. Não há professores. Os jovens não querem. Muito trabalho, poucas condições e pouco dinheiro. Os jovens querem viajar, correr mundo.
      Chamem lhes parvos!

        • carreira_docente_apelativa on 11 de Dezembro de 2024 at 12:17
        • Responder

        Obrigado pelo comentário. Os Ministros têm receio de implementar políticas educativas disruptivas. É a teoria do incrementalismo…muda-se um pouco agora, muda-se um pouco depois, umas vezes para melhor, outras para pior…ao bom estilo dos tapas buracos….remendos há muitos…reformas estruturantes com pés e cabeça é que não há. Já dizia o Medina Carreira que se apresentar a um Ministro uma medida simples e eficaz, ele vai desconfiar. Se lhe apresentar uma medida de implementação complicada (ao bom estilo da avaliação de desempenho docente, percebe o que eu quero dizer?), ele aceita de imediato. Enfim…coisas do processo de políticas públicas.
        Outra questão que me faz confusão na carreira docente (ensino não superior) é o desiquilíbrio do número de turmas que os docentes lecionam. Quem leciona disciplinas cuja carga curricular semanal é de dois tempos letivos pode ter a seu cargo 11 turmas, ou seja, qualquer coisa como cerca de 300 alunos. Por outro lado, pode haver docentes que apenas lecionem uma turma. Os motivos desta diferença residem essencialmente nas reduções da componente letiva por efeito da idade e do tempo de serviço (vulgarmente conhecidas como reduções ao abrigo do artigo 79º do ECD) e nas cargas curriculares semanais de cada disciplina. O serviço letivo atribuído a um professor (2º e 3º ciclos do ensino básico e ensino secundário) não é só uma função do número de turmas que ele vai lecionar. É antes uma função composta das variáveis “componente letiva que está obrigado a cumprir” e “carga curricular da disciplina que leciona”. De facto, todos os docentes com menos de 50 anos têm de assegurar uma componente letiva de 22 horas semanais (à qual acresce uma componente não letiva de 13 horas semanais). Já os docentes que completem 50 anos de idade (e 15 anos de serviço), 55 anos de idade (e 20 anos de serviço) ou 60 anos de idade (e 25 anos de serviço) vêm a respetiva componente letiva ser reduzida em 2, 4 e 8 horas letivas semanais, respetivamente, com o correspondente aumento da componente não letiva, de forma a totalizar as 35 horas de trabalho docente. Não de lembro de ter visto alguém tocar neste assunto. Talvez não seja um problema e sou eu que estou a ver mal a coisa.
        O desequilíbrio do número de turmas lecionadas por um professor já revela, por si só, alguma iniquidade, entre professores com mais e menos idade/tempo de serviço e mesmo entre professores com a mesma idade/tempo de serviço (basta que um lecione uma disciplina com carga curricular de 2 horas emanais, por exemplo, e o outro lecione uma disciplina com carga curricular de 4 horas semanais). No entanto, a julgar pela ausência de discussão, este tema parece ser pacífico entre os professores.
        Para equilibrar o número de turmas lecionadas por cada professor será necessário harmonizar primeiro as cargas curriculares semanais das disciplinas constantes dos planos de estudos. A possibilidade recentemente criada de dividir o ano letivo em semestres facilita esse desiderato. Contudo, será necessário reconstruir as matrizes curriculares dos vários cursos e anos de escolaridade para que se possa estabelecer uma relação direta (biunívoca) entre o ato de distribuição de serviço e o número de turmas que cada professor leciona, bem como equacionar a necessidade de manter as reduções da componente letiva por idade e tempo de serviço. Apesar de constar do ECD desde 1990, essa medida só veio a ganhar tradução prática em 2006 (“A redução da componente letiva do horário de trabalho a que o docente tenha direito determina o acréscimo correspondente da componente não letiva a nível de estabelecimento”). Ou seja, essa medida está na meia-idade, mas não se conhece qualquer estudo de comparação entre o antes e o depois. Acabar com as horas de componente não letiva (bem como com as que resultam da redução ao abrigo do artigo 79º ECD) e equilibrar o número de turmas lecionadas por cada docente seria um bom contributo, a par da melhoria salarial que defendi no outro comentário, seria um bom contributo para valorizar a carreira e atrair novos professores.

      • RT on 11 de Dezembro de 2024 at 11:25
      • Responder

      Pode ter razão, mas é uma razão com 20 anos que agora tende a desatualizar-se.
      Passo a explicar.
      Neste momento, o que se passa é que tudo é dado a quem chega agora à profissão (não necessariamente “mais novos”).
      Desde os melhores horários (na minha escola os professores da casa tendem a ficar com o pior), as melhores condições de lecionação, os melhores equipamentos, as “melhores” turmas, e, segundo o que se prepara, uma remuneração que, em comparação com o que sucedida há 10 anos atrás, é muito melhor.
      Quando entrei fiquei imediatamente congelado. Estive 6 anos à espera de ganhar pelo 1.º escalão, porque, até lá, uma certa ministra sinistra, não permitiu que quem acabasse o curso ganhasse pelo indice normal, não atualizando-o de “estagiário” para efetivo.
      Depois estive mais 7 anos à espera do descongelamento.
      Depois fui ultrapassado por quem entrou depois de mim.
      E agora aijnda sou mais ultrapassado por quem chega.
      Acham isto correto?
      Como eu, há milhares nestas condições.

    • Mic on 11 de Dezembro de 2024 at 10:29
    • Responder

    …e agora ainda nos adicionaram uma nova dor de cabeça: uma plataforma que gere o descongelamento de uma forma que poucos entendem…daqui a uns quatro anos, teremos isto resolvido…

    • Carlos Moreira on 11 de Dezembro de 2024 at 11:23
    • Responder

    Muitas verdades que andam escondidas!!

    • RT on 11 de Dezembro de 2024 at 11:26
    • Responder

    Pode ter razão, mas é uma razão com 20 anos que agora tende a desatualizar-se.
    Passo a explicar.
    Neste momento, o que se passa é que tudo é dado a quem chega agora à profissão (não necessariamente “mais novos”).
    Desde os melhores horários (na minha escola os professores da casa tendem a ficar com o pior), as melhores condições de lecionação, os melhores equipamentos, as “melhores” turmas, e, segundo o que se prepara, uma remuneração que, em comparação com o que sucedida há 10 anos atrás, é muito melhor.
    Quando entrei fiquei imediatamente congelado. Estive 6 anos à espera de ganhar pelo 1.º escalão, porque, até lá, uma certa ministra sinistra, não permitiu que quem acabasse o curso ganhasse pelo indice normal, não atualizando-o de “estagiário” para efetivo.
    Depois estive mais 7 anos à espera do descongelamento.
    Depois fui ultrapassado por quem entrou depois de mim.
    E agora aijnda sou mais ultrapassado por quem chega.
    Acham isto correto?
    Como eu, há milhares nestas condições.

    • Papa Francisco on 11 de Dezembro de 2024 at 18:32
    • Responder

    Caríssimo carreira educativa apelativa.
    Se nas contas sobre a carreira docente até posso estar de acordo consigo, na outra parte já não estou.
    Não me invoque o medina carreira pois está ligado a uma pessoa de muito má memória para os professores portugueses. O prof Crato.Este também implodia o ministério e depois foi o que se viu. Reduziu o currículo até ao tradicional, aumentou o número de alunos por turma, criou uma prova de acesso à carreira para profs profissionalizados e mandou 15.ooo emigrar. Agora são necessários como pão para a boca dos alunos. Mas já foram.
    Em relação ao currículo este não é uma conta de somar. Corta se ali, junta se ali. O currículo é algo filosófico. É preciso saber de desenvolvimento curricular para fazer um currículo. Não é QQ um que lhe toca. E foi o que o Crato fez com a sua cegueira de matemático.
    O currículo português devia ser repensado, sim, dadas as mudanças globais que estão aí. Há assuntos que podem cair e outros que podem ser acrescentados. Hj em dia não é necessário estudar tudo na escola. Há assuntos básicos que os alunos podem pesquisar para que na aula sejam acrescentados outros mais difíceis. E como os alunos são cada vez menos um ser inativo, está aí uma boa oportunidade para progredirem.
    As horas a atribuir a cada disciplina não podem estar sujeitas a pressões de lobys disciplinares ou associações de professores. Mas pendo para o lado de que o currículo básico(9o, ano) devia ser encurtado. Os alunos passam demasiado tempo na escola . Adoecem.
    Discordo que a escolaridade obrigatória em Portugal tenha 12 anos. Somos um país pobre, as famílias não têm recursos para manter os jovens na escola. Andam lá com fome e com o mínimo de roupas possuvel. Bem observo e eles dizem me As famílias precisam que eles se sustentem e ajudem a por comida na mesa. Muitos países na Europa mais desenvolvidos que nós mantêm a escolaridade obrigatória de 9 anos. Já não me lembro se está peregrina ideia não foi do Durão Barroso…
    O secundário já é outra coisa. Aqui definem se profissões, caminhos universitários.

    • Papa Francisco on 11 de Dezembro de 2024 at 18:55
    • Responder

    Isto para lhe dizer que para mexer no currículo e nas horas de cada disciplina tem que criar uma equipa de especialistas com supervisão de um Roberto carneiro ou António Novos.
    Em relação ao ECD não concordo que retirem as horas de redução do 79 por idade, isto porque a turbulência/ indisciplina/ conflitos, das escolas básicas e secundarias é enorme e os professores estão todos velhos cansados e com burnout.
    Se os estudos recentes o atestam por que vem agora pegar nisso?
    Dar aulas nas escolas básicas e secundárias não é como ser prof na universidade. E lá os profs dão 4 a 6 horas por semana, o resto é para preparar aulas , fazer papers, alguma investigação ( quando conseguem), organizar novos cursos. O contacto com os humanos jovens é muito reduzido. E já ficam com os cabelos em pé com os do 1o ano!
    Portanto não me venha para cá com as suas ideias peregrinas de matemático, sem humanidade e filosofia, dizendo que quer tornar a carreira aliciante. Aliciante no quê?
    Mas condições de trabalho é que não é. Já se percebeu que não tem QQ respeito pelas condições em que os professores trabalham. Sobretudo os mais velhos. Os que têm + de 50 anos.
    Experimente trabalhar 1 ano no básico/secundário e vai ver como é pêra doce.
    Já lhe digo que os doutorandos e investigafores que aí vêm , vai ficar 1 mês.
    Já contactei com alguns que fizeram essa experiência e no final do 1o período já tinham fugido.
    Muita ponderação nas opiniões que se proferem sobre o ECD e currículos . Não é para todos. É para os que estudam desenvolvimento curricular.el E têm Filosofia, Ética e Visão. Não chega estudar.

    • obnóxio concomitante on 12 de Dezembro de 2024 at 11:03
    • Responder

    A nossa política educacional baseia-se em duas enormes falácias. A primeira é a que considera o intelecto como uma caixa habitada por ideias autónomas, cujos números podem aumentar-se pelo simples processo de abrir a tampa da caixa e introduzir-lhes novas ideias. A segunda falácia, é que, todas as mentes são semelhantes e podem lucrar como o mesmo sistema de ensino. Todos os sistemas oficiais de educação são sistemas para bombear os mesmos conhecimentos pelos mesmos métodos, para dentro de mentes radicalmente diferentes.
    Sendo as mentes organismos vivos e não caixotes do lixo, irremediavelmente dissimilares e não uniformes, os sistemas oficiais de educação não são como seria de esperar, particularmente afortunados. Que as esperanças dos educadores ardorosos da época democrática cheguem alguma vez a ser cumpridas parece extremamente duvidoso,

    A.Huxley

    • ulme on 12 de Dezembro de 2024 at 11:27
    • Responder

    quem fala em retirar horas de reducao de aulas das duas uma , ou nunca deu aulas no ensino basico/secundario ou é intelectualmente desonesto

    • Rui Condeço on 14 de Dezembro de 2024 at 11:27
    • Responder

    Querem rever o currículo?
    Adaptem-no à nmova realidade.
    Querem que fiquemos economicamente competitivos, mas há cada vez menos cursos profissionais na área da Informática. Sobretudo na cidade capital.
    Por incrível que pareça estes cursos e as disciplinas de Informática são preteridos dentro de Lisboa, o que significa que na própria capital há menos possibilidade dos alunos estudarem uma das áreas mais procuradas internacionalmente pelas empresas.
    Então o que querem?
    Que se gere riqueza, ou que continuemos na miséria?
    Não basta falar. Há que agir.

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