ADSE: entre o subsídio obrigatório e um seguro privado de segunda…
Na sequência desta notícia, reforço o meu entendimento de que a ADSE, esse “pilar” da saúde pública dos funcionários públicos, continua a demonstrar a sua capacidade de transformar um subsistema contributivo em algo que oscila entre uma benesse pública e um seguro privado mal disfarçado. Vejamos os “avanços”:
- Contribuição de 3,5% sobre o vencimento: É quase um luxo de seguro privado — com uma diferença crucial: os privados oferecem, muitas vezes, mais coberturas e menos dores de cabeça. Aqui, paga-se um prémio obrigatório para se ter o privilégio de se ser tratado como cliente de segunda.
- 14 mensalidades por ano: Ao que parece, na lógica da ADSE, o tempo será elástico. Um ano tem 12 meses, mas o desconto não conhece fronteiras. Aparentemente, a matemática de quem gere o subsistema é outra: multiplicar a arrecadação enquanto corta custos e empurra mais encargos para os beneficiários. Tudo com ares de “reformas estruturais” e “benefícios futuros”.
- Médicos e operadores privados a recusar convenções: Quem aceitaria trabalhar por valores desatualizados, quando o mercado paga melhor? E que solução propõe a ADSE? Aumentar alguns pagamentos aos prestadores (com pompa e circunstância), aumentando igualmente os custos para os beneficiários. O famoso ganha-ganha… mas só para os outros.
- Aumento das consultas para 25 euros no regime livre: Um “avanço”, garante-se. Mas vejamos: os beneficiários pagam mais nas consultas convencionadas (1 euro extra aqui, 2 euros ali) e, no final, contribuem mais uma vez para o equilíbrio financeiro de um sistema que deveria, acima de tudo, servi-los convenientemente.
- Teto máximo de 500 euros para cirurgias: Uma medida que parece benéfica — à primeira vista. Mas não seria mais justo usar o montante da contribuição anual para reduzir encargos reais dos beneficiários, ao invés de perpetuar esse ciclo de aumentos progressivos e “compensações calculadas”?
A verdade é que o subsistema ADSE parece preso entre a lógica de um serviço público e as exigências de um mercado privado, mas com o pior dos dois mundos: contribuições altas, limitações crescentes e uma dependência absurda de convenções instáveis. No final, a quem serve a ADSE? Ao beneficiário que paga 14 mensalidades e ainda se vê com crescentes custos diretos, ou a um sistema que equilibra contas às custas da paciência de quem contribui?



19 comentários
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Subscrevo na íntegra.
Idem
Igualmente, mas tenho seguro de saúde (seguro, não é plano de saúde). Planos de saúde, há por aí muitos, a pouco mais de 5,00 € mensais, mas são um logro.
E também vos digo que há uma companhia (de origem francesa) que tem um sguro complementar, muito bom e barato, que, para quem tem a ADSE, cobre a diferença daquilo em que a ADSE comparticipa e o valor total dos encargos.
Isto é, o beneficiário não comparticipa nada: a ADSE paga a sua parte e esse seguro paga o restante, o beneficiário da ADSE não paga nada!
Quem quiser saber qual é essa companhia, eu digo.
Mas, ATENÇÃO!
Não aceita seguros para manadas…
Então diga lá.
Ele não diz porque é treta.
Este tipo não passa de um balelas.
Eu quero saber
A ADSE é a prova que os seguros obrigatórios não resolvem nada na Saúde e só trazem desperdício e chatices para os beneficiários . A máfia dos “hospitais” privados vive à custa da mama da ADSE mas maltrata os tristes que lá aparecem. Os médicos impingem tratamentos, exames e cirurgias a mais (alguns deles nem sequer efectuados) para sacar mais uns cobres. Só serve para ter acesso a algumas especialidades e para segregação de quarto privado.
Os próprios médicos que lá trabalham, tratam-nos muito mal, não existe brio nem preocupação com o doente. As consultas da especialidade são uma anedota, cronometradas ao minuto e a sugerirem exames e medicamentos sem necessidade. Os hospitais privados ganham muito com este sistema. É um verdadeiro negócio. E ainda querem privatizar ou entregar tudo aos privados.
Já pensei desistir da ADSE. Pelo menos, no interior os protocolos são muito limitados e as comparticipações reduzidas para o valor que se desconta.
A austeridade parece que nunca acabou na ADSE e o aumento para 3,5% do vencimento nunca foi reduzido para os valores anteriores ao moço dos recados. Caso para perguntar porque razão? E afinal para onde vai o dinheiro?
A ADSE está rica. Deve ter o nosso dinheiro a render em fundos, como todo o estado tem.
Está nas Fidgi ou nas Caimão.
E os ordenados de presidentes, vogais e o diabo a 7 devem ser altos porque senão não havia tanta disputa nas eleições pelo controle da ADSE .
Se tantos concorrem é porque o bicho vale a pena.
E nós somos os otários que andamos a pagar 14 meses de adse e a pagar consultas nos privados sem acordos porque senão não somos tratados
Eu se pudesse ia pagar impostos noutro país . Nenhuma instituição se aproveita aqui. Tudo uma choldra!
Concordo totalmente… o pagamento de 14 meses é abusivo…. e o desconto de 3,5% é um exagero….
Serve para os hipocondríacos como eu, que de 15 em 15 dias estou a ser consultado por doenças reais ou imaginárias 😂😂
Antes das eleições prometeram que iriamos pagar só 12 meses e a cota iria para 2,5%. Tudo tretas. Querem sugar-nos as baixas reformas. Tudo a mesma gentalha. ze toy
Subscrevo. Não fosse o papão de não poder regressar quando se sai, e já teria saído! Muito ao estilo soviético. Não se entende como os valores democráticos aceitam tamanha ameaça para manter as pessoas reféns de um serviço …. fraquinho, que servirá apenas para situações muito específicas de custos astronómicos – verdadeiro luxo, aos quais a maioria jamais terá acesso!
Podem dizer mal da ADSE, mas depois do que já vi acontecer com seguros de saúde, por mim mantenho na ADSE.
Mas, claro, que para muito é bom complementar com um seguro. Como não há dinheiro é complicado.
O seguro de saúde complementar da ADSE de que se falou, é o da MGEN. Já o tive, mas desisti quando este ano apareceram com um agravamento de prémio de 31,3%. E nem sequer uso muito, pelo que contas feitas, fico na ADSE e poupo 1200€ /ano – este ano, no próximo se calhar sobe 50%
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Numa auditoria, o tribunal concluía que, em 2015, bastaria uma contribuição de 2,1% (em vez de 3,5%) para que os custos com os cuidados de saúde prestados fossem integralmente financiados pelos beneficiários. Até a data nada fizeram para alterar o que estamos a pagar, ainda acrescentaram mais dois meses