A verdadeira inclusão não é apenas uma meta da Escola, é um caminho que devemos percorrer juntos, com determinação e esperança.
A Educação Inclusiva precisa de um novo olhar para o Futuro
No dia 3 de dezembro, celebramos o Dia Internacional do Autismo, uma data que nos convida a refletir sobre a importância da inclusão e a necessidade urgente de transformar a Escola.
Num mundo onde a perfeição é frequentemente idealizada, ser diferente pode parecer um desafio.
É precisamente essa diferença que enriquece as nossas vidas e as comunidades com novas perspetivas e experiências.
Para os Profissionais da Educação, as Famílias e a Sociedade, é essencial reconhecer e valorizar a diversidade como um pilar fundamental para o desenvolvimento saudável e inclusivo de todas as Pessoas.
Cada criança é única, trazendo consigo um conjunto distinto de habilidades, motivações, atitudes, formas de aprender, interesses e perspetivas.
Em vez de se tentar moldar todos a um padrão uniforme, devemos celebrar essas diferenças e criar ambientes onde cada um possa florescer.
Isso significa adaptar e transformar a Escola para atender às diferentes necessidades dos alunos, promovendo uma cultura de valorização, de respeito e de aceitação e ser capaz de proporcionar um processo educativo equitativo para cada aluno.
Mas, como podemos, juntos, respeitar a diferença e trabalhar para um futuro onde todos possam ser verdadeiramente eles próprios?
Deixo aqui alguns desafios para transformar em oportunidades no âmbito da Educação Inclusiva que, salvo melhor opinião, podem ajudar a transformar a Escola e a construir uma sociedade mais justa, inclusiva e rica em diversidade, a saber:
Garantir mais investimento público
As práticas inclusivas não se pautam em adaptações para beneficiar uma minoria, mas, sim, proporcionar uma educação diferenciada para todos os alunos.
Assim, a educação inclusiva precisa de mais investimento público. A falta de recursos humanos e materiais é um constrangimento constante, direi, estrutural, pois repete-se todos os anos letivos. Tem de ser uma prioridade política urgente.
Com efeito, é necessário garantir com a devida razoabilidade, mas de forma equitativa que todas as escolas tenham acesso, de acordo com as suas reais necessidades, a profissionais qualificados, como psicólogos, terapeutas e assistentes operacionais, entre outros, bem como a tecnologias que facilitem a aprendizagem e as práticas
Formação Contínua e Especializada
Os professores e técnicos especializados são a chave para o sucesso da educação inclusiva. A sua entrega, dedicação e compromisso, o não trabalhar apenas, mas, muito para além disso, viverem digna e fervorosamente o compromisso e a missão de promover uma educação inclusiva, merece o devido reconhecimento. Mas para que a sua ação seja ainda mais digna, competente e eficaz, é, de todo, essencial que se invista ainda mais na sua formação contínua e especializada, capacitando-os para lidar com a diversidade de necessidades e promover práticas pedagógicas inclusivas que permitam valorizar todas as formas de ser e aprender para atender às necessidades de todos os alunos.
É também indispensável atrair os jovens para a formação profissional na docência, bem como melhorar o recrutamento e a manutenção dos mesmos no sistema. O recrutamento de professores deve privilegiar diversas origens étnicas, culturais e linguísticas.
É prioritário aumentar as vagas nos mestrados, tendo em vista a profissionalização dos docentes, o que não tem acontecido. A ser assim, a falta de professores continuará a agravar-se.
Na formação inicial de professores deve apostar-se numa abordagem multicultural, tendo em atenção a diversidade, equidade e inclusão.
(Re)Conquistar, Transformar, (Re)inventar o tempo
É preciso ter tempo para as aulas, para apoiar os alunos, para planificar e preparar as atividades educativas, para trabalho colaborativo e menos, muito menos burocracia.
Enquanto a Administração Educativa não der sinais efetivos tendentes a mitigar este impacto negativo na vida das escolas, cada escola deve pensar estrategicamente o trabalho docente, procurando simplificar o trabalho dos professores para poderem ter mais tempo para a nobre missão de fazer aprender, para serem professores e ainda, abolindo todas as tarefas pedagogicamente inconsequentes.
Valorização social da Família
Para as Famílias, apoiar a individualidade dos filhos é crucial. Encorajar a expressão pessoal e a exploração de interesses próprios ajuda a construir uma autoestima sólida e uma identidade forte. É importante que os Pais estejam atentos às necessidades emocionais e sociais dos filhos, oferecendo-lhes ambientes seguros e acolhedores onde possam ser autênticos e se sintam valorizados e incluídos.
Assim, é indispensável que as políticas públicas assumam o desafio-compromisso na criação de condições por quem de direito, para que os pais/encarregados de educação possam ver compatibilizados os seus horários de trabalho com a organização e funcionamento da Escola. Mas também encontrar mecanismos para que as famílias sejam responsabilizadas pelos comportamentos dos seus filhos na escola. Atribuir às famílias a quota-parte da sua responsabilidade. Ter ainda em consideração que há pais/encarregados de educação que, para acompanhar os filhos nas tarefas escolares, precisam de condições e formação que não têm. Nesse sentido, é necessário que se promovam programas de Formação Parental em articulação com as Associações de Pais, Centros de Formação e Agrupamentos de Escolas/Escolas não agrupadas.
Criação de comunidades de aprendizagem
A territorialização da ação educativa deve ser a âncora do desenvolvimento da educação inclusiva.
As comunidades de aprendizagem no âmbito da educação inclusiva, o trabalho em rede e as redes de escolas são práxis poderosas para o conhecimento e desenvolvimento profissional.
A sua implementação e desenvolvimento fortalece as sinergias, fomenta a partilha e a colaboração, dá a conhecer as boas práticas inclusivas e promove momentos de debate e reflexão em conjunto.
Juntos somos mais fortes!!! Este é o caminho para se promover com maior intencionalidade a educação inclusiva nas escolas e nos territórios educativos.
Colaboração e Parcerias
A inclusão não pode ser alcançada apenas dentro das salas de aula nem pode ser responsabilidade de um único setor.
A ser assim, é fundamental criar e/ou alargar e manter redes de colaboração com o contexto envolvente, em áreas como educação, saúde, desporto, artes, cultura, universidades (cariz científico) e empresas, estabelecendo redes de apoio e parcerias integradas e eficazes que, entre outras dinâmicas, fomentem o empreendedorismo, façam a ligação do trabalho escolar à realidade local, motivem os alunos para a exploração real de projetos escolares, partilhem conhecimentos científicos e práticas profissionais, disponibilizem recursos e ainda, criem oportunidades de emprego inclusivas e programas de estágio para pessoas com deficiência.
Intervenção Precoce na Infância
Urge erradicar e/ou minorar comportamentos disfuncionais e de risco muito antes da entrada na escolaridade obrigatória, por boas e atendíveis razões que todos bem compreendemos. A política educativa deve priorizar na sua agenda, quanto antes, a Intervenção Precoce na Infância.
Monitorização e Avaliação
Um melhor planeamento estratégico, a elaboração e a implementação de políticas públicas inclusivas, requerem processos de monitorização e avaliação.
Em boa verdade, sem um conhecimento e uma compreensão profunda das práticas inclusivas em curso no terreno será difícil produzir reflexões e recomendações que contribuam para melhorar e renovar a qualidade da educação inclusiva.
Salvo melhor opinião, importa ter em conta que o Decreto-Lei n.º 54/2018, passados seis anos, muito ganharia com uma monitorização e avaliação extensiva no terreno, com base em dados objetivos, rigorosos sobre a sua operacionalização.
Não estão em causa as boas intenções do Decreto-Lei em apreço que são reconhecidas nacional e internacionalmente como sendo uma referência de excelência a seguir. O que importa estudar é a sua aplicabilidade, refletir e avaliar que inclusão se faz efetivamente no terreno e, fundamentalmente, divulgar as práticas inclusivas de qualidade que se promovem nas nossas escolas.
Mudança de Atitudes
A inclusão começa com a mudança de atitudes.
Ainda existe um preconceito significativo contra as pessoas com deficiência, o que pode dificultar a sua inclusão no mercado de trabalho e na sociedade em geral.
Precisamos de uma cultura escolar que celebre a diversidade e veja cada aluno como um indivíduo único com potencial para aprender e crescer.
A organização de workshops com diretores, professores, técnicos especializados, assistentes operacionais e outros membros da comunidade, bem como a promoção e realização de campanhas de sensibilização e de programas comunitários são formas eficazes de educar e sensibilizar as comunidades locais que importa desenvolver no sentido de se partilharem ideias e boas práticas tendentes a combater o preconceito, as atitudes discriminatórias e ainda, a educar a sociedade para a importância da diversidade e da inclusão e assim, melhorar as atitudes em torno da educação inclusiva para pessoas com deficiência.
Uma Luz no Caminho
Neste Dia Internacional do Autismo, sejamos a luz que ilumina o caminho para uma educação verdadeiramente inclusiva. Que cada escola, saiba enfrentar os constrangimentos latentes e continue a ser um espaço onde se promove a equidade e o respeito pelas diferenças, onde todos os alunos, independentemente das suas capacidades, possam aprender, crescer e prosperar.
A verdadeira inclusão não é apenas uma meta da Escola, é um caminho que devemos percorrer juntos, com determinação e esperança e que começa quando todos nós, como sociedade, decidimos fazer a diferença.
Assim, acredito que, com o compromisso de todos os setores da sociedade, podemos construir um futuro onde a educação inclusiva seja a norma, e não a exceção.



8 comentários
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3 de dezembro é o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência .
2 de abril é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo
Correto. É pertinente o tema…
(Re)inventar o tempo…pois, qualquer DT minimante empenhado sabe que o tempo é algo fundamental e os teóricos e os legisladores que tanto falam de inclusão não podem ignorar esta questão sob pena de criarem uma espécie de escravatura moderna (in)voluntária. Os professores também são pessoas e têm família a quem necessitam dedicar algum tempo!
Perfeitamente de acordo….mas o que fizeram com a MPD? (Mobilidade Por Doença), Sim! Os professores que têm MPD indeferida por culpa de um decreto lei estapafúrdia mente colocado em des prática foi uma humilhação para muitos de nós…. 🙁 😞 e depois querem que nos colaboremos?????
Concordo com a inclusão, mas será para todos, alunos, docentes e restantes elementos da escola.
Obviamente que estou disponível para colaborar, agora o ministério tem que cumprir com as suas obrigações morais.
3 de dezembro é o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.
Isso é tudo muito bonito em páginas de blogues e “Facebooks” mas depois na prática tenho uma EMAEI a dizer-me para “me dar por contente com o que tem”, que não preciso ter informação semanal e muito menos diária das actividades em sala de uma criança não verbal pois não considera importante a continuidade em casa do trabalho que é feito na escola, nem tão pouco incentivo à comunicação com o meu filho sobre o dia-a-dia, apoiando assim uma atitude passiva da educadora.
Suponho que quem coordena uma EMAEI já tenha bastante formação sobre educação inclusiva! Por isso não será só por aí a solução.
O mal é não haver ninguém que faça com que este tipo de … profissionais se retrate e comece a agir segundo está escrito na lei. Muita coisa abafada, e muita gente com medo de represálias .
Porque o DL 58 está bastante bem escrito. Mas além da falta de recursos ( que é totalmente responsabilidade do governo ), há muitos profissionais que não se dão sequer ao trabalho de cumprir com as poucas directivas que podem ser praticadas de forma simples diariamente.
Bom dia !
Infelizmente, concordo:
” há muitos profissionais que não se dão sequer ao trabalho de cumprir com as poucas directivas que podem ser praticadas de forma simples diariamente.” e acresce que esses profissionais empurram para outos colegas o que têm de fazer…
Conheci profissionais EXCELENTES ,mas poucos , que gostam de trabalhar e ver progredir os alunos e o fazem com um brilho nos olhos e emoção, quando partilham a evolução dos alunos!
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