Especificidades… O apoio educativo no 1º ciclo…

834233Os professores de 1º ciclo têm muitas funções, são multifuncionais, são autênticos canivetes suíços, uma das funções que podem exercer é a de professor de apoio educativo, a tempo inteiro.

São professores como os outros, mas não lhes é atribuída uma turma, é como no futebol há os jogadores titulares e os que ficam no banco, os suplentes… mas ao contrário dos jogadores de futebol eles não ficam sentados a ver o jogo e a torcer para que os companheiros marquem golo. Estes professores, que em poucas ocasiões têm a possibilidade de escolher se querem ou não exercer tal atividade, vão a jogo todos os dias e das mais diferentes maneiras.

Começamos pela substituição de outros docentes, essa substituição visa substituir um docente com turma atribuída por motivo de ausência imprevista e de curta duração. Sempre que se verifique a ausência de um docente com grupo ou turma atribuída, esta deve ser, de imediato, atribuída a um docente que exerça funções de substituição, tal como está previsto na alínea a), do ponto nº 10 do artigo 34º da Portaria n.º 60/2012, de 29 de maio. É claro que o docente é avisado em cima da hora, ou então a ausência não seria imprevista, o que leva a que na maior parte das vezes o docente tenha que se deslocar às suas expensas e em serviço, uma vez que já se encontra ao serviço, quase sempre noutra escola, mas sem direito a qualquer subsidio (um destes dias alguém vai ter um acidente e depois vai ser “bonito” de ver o que acontece e quem se responsabiliza). Por vezes a curta duração também não é assim tão curta, permanecendo o docente em substituição por períodos que podem, muito bem, chegar a um mês ou até mais, sendo que os alunos que deveriam ser apoiados, não o são. É por estas e por outras que o apoio no 1º ciclo não é funcional, pelo menos da forma como está a ser organizado. Na minha opinião, a figura do professor de apoio deveria existir unicamente para auxiliar os alunos com dificuldades de aprendizagem não abrangidas pelo 3/2008, dentro ou fora da sala de aula, promovendo a sua aprendizagem e focando-se nas suas dificuldades. Poderia também ser em coadjuvação, visando turmas em que o sucesso necessite de ser promovido mais intensamente, as tais turmas de nível de que se tem ouvido falar que mais tarde ou mais cedo vão aparecer por aí, generalizando o que alguns já andam a experimentar, sejam ou não discriminatórias. Mas tal não acontece e no fim do período chega-se ao ridículo de o professor de apoio apresentar relatórios mencionando que não tem dados sobre as crianças que supostamente apoiou, enfim, uma falácia…

 

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6 comentários

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    • AOliveira on 4 de Março de 2015 at 20:13
    • Responder

    Verdade! No meu caso até sou chamada para substituir educadoras!

    • Sandra Marmelo on 4 de Março de 2015 at 20:57
    • Responder

    Ainda não cheguei a esse ponto, mas além do apoio, substituições constantes (meses de janeiro e fevereiro foram uma loucura com cerca de 4 horas a mais por semana – as quais tenho estado a descontar pouco a pouco) faço aec’s e dou em coadjuvação a oferta complementar as oito turmas da escola onde estou colocada. Acho que tenho o leque completo … Sorte estar colocada, apesar de tudo, num bom agrupamento!!

  1. É um facto tudo o que foi apontado no presente artigo. É
    desolador andar-se a saltar de sala em sala, de escola em escola e a fazer substituições
    de professores titulares de turma com prejuízo para os alunos que beneficiam de
    Apoio Educativo. É óbvio que o Apoio Educativo no 1.º ciclo não funciona. No
    entanto, suponho ser pertinente referir o Despacho Normativo 6/2014 que impõe a
    obrigatoriedade do cumprimento de 50% do horário com turma pelos docentes do
    quadro com funções nos Apoios Educativos. Ou seja metade do horário dos
    professores de Apoio são a lecionar Expressões e/ou Apoio ao Estudo e/ou Oferta
    Complementar e o professor titular dessa turma vai dar apoio a outra turma.
    Sinceramente, não vejo qualquer benefício nesta medida. Isto é acabar com a
    monodocência da pior maneira possível.

      • Fernando Lucas on 5 de Março de 2015 at 8:40
      • Responder

      Concordo plenamente com tudo o que foi escrito. Os apoios não funcionam, são mera formalidade, mas dão mais horas de reunião e “papéis” (atas de articulação entre prof. tit. de turma e prof. de apoio), sem qualquer benefício para os alunos com PAP. Enfim, é a “burocratite” cada vez mais aguda. E relativamente à última frase, o/a colega JCC chegou à mesma conclusão que eu, quando ouvi a explicação para a distribuição de serviço no meu agrupamento (ainda não senti, porque a minha escola ainda não foi abrangida). Como se perceberá, procura-se assim evitar que os atuais colegas do 1º ciclo e que têm mais de 30 anos de serviço, mas não abrangidos pelo regimes especiais de reforma, possam alguma vez invocar algum direito (será que ainda os há?) relativamente à monodocência.

    • Marco Vila on 5 de Março de 2015 at 8:32
    • Responder

    O ano anterior desempenhei estas funções e o que aqui se relata é pura verdade!!! Além de que não era horário completo e desempenhava funções em outros agrupamentos! Fui professor de apoio em Peniche, fui substituto de uma docente em licença nas Caldas da Rainha e … ainda… Professor de E.V e E.T em Alcobaça!!! É dose!!! Não vou aqui expor tudo … mas que revolta , revolta, e depois ainda me perguntam porque ando a fazer tudo, por tudo para sair do ensino!!! Enfim…

    • Cristina Moreira on 17 de Fevereiro de 2024 at 11:14
    • Responder

    Como faço para pedir a função de professor do 1. Ciclo de apoio educativo? Sou professora do quadro de agrupamento.

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