Sobre os critérios de algumas escola e também sobre a graduação profissional.
Exmo. senhor Ministro da Educação e da Ciência, Professor Nuno Crato,
eu como Professor de Matemática e também como docente, venho manifestar o meu desagrado perante a falta de hombridade e justiça que colocam aos docentes que concorrem às várias ofertas de escola. Dou-lhe o exemplo da seguinte,
Horários
Dados da Escola
Código : 151993
Agrupamento/Escola : Agrupamento de Escolas de Gondomar n.º 1
Concelho : Gondomar
Zona Pedagógica : PORTO
Dados do Horário
Número do horário : 31
Grupo de Recrutamento : 500 – Matemática
Disciplina/Projeto : Matemática 3.º ciclo
Motivo : Substituição (alínea a) do artigo 93º do RCTFP)
Detalhe do Motivo : Substituição por doença
Tipo Duração : Temporário
Número de Horas : 22
O horário irá para : Contratação de Escola
Informação Adicional
Critérios Obrigatórios
Graduação Profissional – Ponderação 50%
– Tempo de Serviço antes da profissionalização
– Tempo de Serviço após a profissionalização
– Classificação Profissional
– Data de Obtenção de Classificação Profissional
– Data de Nascimento
Entrevista/Avaliação Curricular – Ponderação 50%
Entrevista de Avaliação de Competências
Critério SubCritério Subponderação
Entrevista de Avaliação de Competências Motivação para a tarefa 30
Entrevista de Avaliação de Competências Empreendedorismo 20
Como é possível um docente estar motivado para trabalhar numa escola durante trinta dias, o senhor Ministro estaria? Penso que não certamente.
E quanto ao segundo critério para a entrevista, a meu ver, ainda é mais tenebroso e vergonhoso, como é possível um docente ser empreendedor, quando vai trabalhar com cada turma apenas 20 horas, o senhor Ministro conseguiria-o ser? Penso que não certamente.
Como, ainda penso que, o senhor Ministro está a desempenhar as suas funções da melhor forma que lhe é possível, dada a situação lamentável a que o nosso país chegou, peço encarecidamente que acabe com esta farsa das ofertas de escola, o mais breve possível, e volte a colocar os docentes contratados apenas pelas reservas de recrutamento.
A sua intenção era boa, eu sei, mas dando autonomia às escolas, infelizmente no nosso país, está a favorecer o compadrio e a cunha disfarçada.
Eu sou um Professor de Matemática desempregado, que dou aulas há 13 anos, tenho neste momento 3604 dias de serviço, 365 dias antes da profissionalização e 3239 dias após a profissionalização, para além dessa minha larga experiência profissional possuo o Mestrado em Matemática/Educação, antes do processo de Bolonha. Por isso, senhor Ministro, estudei 19 anos para ser Professor de Matemática, dou aulas há 13 anos e tenho 38 anos, se fizermos as contas só nos primeiros 6 anos da minha vida é que não foi dedicada exclusivamente à Matemática. Amo a Minha Profissão, adoro ensinar, costumo dizer à minha mulher, que a escola é o oxigénio que preciso para respirar, e neste momento estou desempregado devido às graves falhas e injustiças na colocação de docentes, ou seja, nas OFERTAS DE ESCOLA.
Aproveito esta oportunidade também para dizer-lhe, que sempre achei injusto, como no ensino básico e secundário tratam os Mestres e os Doutores, antes do processo de Bolonha. Ser Mestre ou Professor Doutor nestes graus de ensino não conta rigorosamente para nada, senhor Ministro não acha isso injusto? Dou-lhe um exemplo, eu, Mestre em Matemática/Educação, enquanto professor do 3º ciclo já fui avaliado por um professor do 2º ciclo que tinha como área de formação base para a docência Farmácia, acha isso correto? E nos concursos de docentes contratados, porque não valorizar o grau académico destes docentes? Pondo-nos numa prioridade à frente dos restantes com grau inferior, ou seja, licenciatura. Assim estaria a valorizar a formação acrescida dos seus docentes e a motivar muitos mais para o fazerem. Dessa forma, também estaria a valorizar as nossas Universidades, e principalmente, e fundamental para o nosso futuro, aumentar de forma significativa a formação dos portugueses. Pense nesta questão com carinho e atenção, de um seu colega que luta por um país melhor para TODOS e não só para alguns.
Com os melhores cumprimentos e um muito obrigado pela atenção demonstrada,
um seu colega desempregado …
23 de Janeiro de 2013