Todos os anos somos bombardeados com “convites” para ações de formação, seminários, workshops e afins. As universidades, as Escolas Superiores de Educação, os sindicatos, os centros de formação, empresas privadas e até os agrupamentos de escola nos vão impingindo uma embriaguez de formações sem qualquer tipo de utilidade no dia-a-dia de sala de aula. A última moda é formação relacionada com as Metas de Aprendizagem. Mas que tipo de formação? Bem, há uma serie de colegas que são “nomeados” para se deslocarem a determinado lugar, Escolas Superiores de Educação ou Universidades, onde lhes é ministrada essa formação, em apenas algumas horitas, divididas por dois ou três dias de enfadonho ouvir o que o MEC determinou, unilateralmente, que as crianças têm, devem atingir em cada ano, em cada disciplina. Depois, esses colegas, já mais do que formados, têm de replicar, em algumas horitas, a tal formação aos colegas de grupo ou disciplina e os métodos como podem ser alcançadas. O que eu julgo bastante desconcertante é o aproveitamento de mão-de-obra “barata” para a tal replicação, não que duvide da competência dos colegas, mas, não é numas horitas que ninguém se torna um “expert” seja lá no que for. Mais uma vez o MEC lá arranjou forma de poupar uns trocos para as tais viagens… Outra, esta já com uns anitos, é a formação sobre Educação Sexual. E acreditando nos feedbacks que me têm chegado, (não tenho como não acreditar) é de bradar aos céus… misturam-se docentes de vários níveis de ensino e disciplinas e, para todos, a formação é a mesma não se respeitando nada nem ninguém. Cada Centro de Formação programou esta formação, como bem entendeu. Fala-se de níveis de ensino, de crianças de várias idades e de maturidade diferente, nesta formação, isso, não foi tido em conta pela maioria. E aqui começa a comédia. A uma colega do 1º ciclo foi pedido um trabalho sobe o tema, e passo a citar, “A sexualidade no feto”, ou a outra com o tema , “A Sexualidade na Terceira Idade”, pois,… esses são assuntos muito relevante para o 1º ciclo! Como este exemplo, há muitos outros, em que a formação não é bem organizada, e por vezes, mal ministrada ao corpo docente. Não se tem em conta as necessidades que os docentes têm, para organizar um plano de formação credível e útil para o exercício da profissão.
Grassam, também, por aí seminários sobre tudo, mais alguma coisa, é vê-los falar de Autismo, de CIFs, de arte moderna, formação sobre projetos e projetinhos e até de Provas de Vinhos (sim, é verdade, fui convidado, por incapacidade em encaixar na minha agenda vi-me impossibilitado de frequentar). O MEC, na sua ânsia de poupança e corte cego na educação vai-se omitindo de projetar um plano de formação credível para os seus docentes. Muda currículos, não fornece formação, dá ordem para que docentes do 2º e 3º ciclos deem apoio no 1º ciclo, não fornece formação, mas pauta-se por exigir, a esses mesmos docentes, um ensino de qualidade… ontem até nos presenteou com um discurso sobre “ser fundamental para a educação a preparação do professores”, mas só falou daquilo que lhe deu mais jeito. Para quando um Plano de Formação? Vão ser, agora, de certeza, os municípios a elaborá-lo…