Opinião de Paulo Guinote no Público on-line de hoje.
Da mobilidade especial às 40 horas semanais na Educação
Começa a ser tempo para ver para além da forte poeira levantada nas últimas semanas em torno do conflito entre o Governo e os professores, ultrapassando as adjectivações e fulanizações tão úteis para o exacerbamento das falsas paixões e posições e à sua redução a caricaturas da situação real.

4 comentários
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Os sindicatos terão de arranjar forma de tornar a mobilidade sem efeito na educação – foi o que disse hoje o Ministro….segundo entendi!
Sendo assim, diria que um estudo válido não poderá ter sucesso se não tiver o mesmo limite temporal do concurso de professores (4 anos) aplicado portanto no ambito dos proximos 4 anos e sendo testado no concurso seguinte. Aliás, uma vez que o concurso de docentes é de 4 em 4 anos, essa mobilidade só fará sentido, por questão de real abertura de vagas nesse período temporal.
Além desta questão, devera ficar definido um acordo sobre o que entende por “componente letiva”, sendo que, o enunciado na entrevista desta noite pelo ministro me parece bem….
Atividade letiva é toda aquela em que o professor está a trabalhar com o aluno em sala de aula ou espaço análogo de aprendizagem!
Aulas de apoio é letivo; Clubes é letivo; Apoio na biblioteca é letivo; substituição é letivo; Projetos é letivo, etc etc etc!
Ricardo, e o que me dizes a isto?
Governo aumenta subsídio às escolas privadas
http://economico.sapo.pt/noticias/governo-aumenta-subsidio-as-escolas-privadas_128934.html
É uma vergonha!!!
Não discordando da linha de pensamento que atravessa o texto do Paulo Guinote, não posso deixar de salientar um aspeto que considero importante: colocar ao mesmo nível expressões como “Defesa da Escola Pública”, “vivemos acima das possibilidades” e “não há dinheiro” é, quanto a mim, um erro. A expressão “defesa da escola pública” não explica tudo, claro. Corre até o risco de ficar vazia de sentido e perder o seu intuito. Obviamente, é uma expressão que precisa de ser explicada (pelos vistos a mais pessoas do que imaginava). Não defendo, claro, que se escondam com essa expressão as reivindicações laborais que todos conhecemos. Acredito, porém, que todos temos de perceber, particularmente os professores, que é necessário exigir uma política educativa centrada na qualidade e que salvaguarde uma efetiva igualdade de oportunidades, o que só é possível com condições de trabalho que as medidas tomadas e anunciadas pelo MEC de forma nenhuma favorecem.
Por outro lado, defender a escola pública passa também pela exigência de uma revalorização da educação enquanto aposta estratégica fundamental para o futuro do país e o correspondente aumento do investimento – recorde-se que investimento na educação em Portugal diminuiu drasticamente nos últimos anos (2009 – 5,9% do PIB; 2012 – 3,9% do PIB; média da OCDE – 6,2% do PIB).
Acredito que, em algumas bocas, a expressão possa aparecer como uma espécie de chavão, o que se torna contraproducente. No entanto, colocá-la ao mesmo nível dos chavões usados pelo governo (e afins) em nada contribui para aquele que é ou deveria ser o objetivo de toda esta contestação. De facto, acredito (quero acreditar) que os professores não se preocupam apenas com questões relacionadas com os seus direitos e/ou condições de trabalho, mas fundamentalmente com a qualidade (e a própria existência no futuro) da ESCOLA PÚBLICA. Parece-me óbvio, também, que esse objetivo não se pode alcançar sem condições de trabalho que respeitem a dignidade dos professores enquanto cidadãos e profissionais.
É consciente de tudo isto que tenho participado nas diferentes formas de luta (manifestação, greves…) em defesa da escola pública!